Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Mais uma incursão nocturna sobre Xangai

 

 

Na sequência da sua deslocação recente a terras do Oriente, o Diplomata já tinha escrito aqui e aqui sobre a efervescência de Xangai. Ontem, a TV Globo emitiu uma reportagem sobre como Xangai se está a tranformar numa metrópole global e vibrante, onde nem sequer faltou uma incursão nocturna ao Bar Rouge, o clube da moda e com vários motivos de atracção, como aliás o autor destas linhas pôde comprovar in loco.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 15:59
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

O pulsar de Xangai através dos seus espaços cosmopolitas

 

 

Vista do interior do Bar Rouge sobre a zona de Pudong

 

Numa cidade como Xangai lugares como o exclusivo clube MINT ou a famosa discoteca Bar Rouge são pontos de encontro para os estrangeiros a trabalhar naquela cidade e para as novas classes sociais emergentes na China.

 

Desde altos quadros de vários países entre os 30 e 40 anos, a empreendedores internacionais, até aos jovens chineses de classe média e elite daquele país, nestes sítios reúne-se um micro-cosmos daquilo que é a nova China.

  

Ainda há umas semanas, a dupla Dolce e Gabbana deslocou-se ao MINT na companhia da super modelo Naomi Campbell para uma festa, num sinal claro de que Xangai é hoje uma cidade onde todos querem estar e aparecer.

 

Imperdíveis as "Ladies Night" das Quartas à noite no 92º andar do terceiro edifício mais alto do mundo

  

Também as festas de Quarta-feira à noite no 92º andar do Hotel Park Hyyat no Shangai World Financial Center (terceiro edifício mais alto do mundo) ou os cocktails de final de tarde no 85º andar do luxuoso Hotel Grand Hyatt localizado entre os andares 53 e 87 da espectacular torre Jin Mao fazem parte desta nova realidade palpitante de Xangai.  

 

 

Os mais de 30 andares do Hotel Grand Hyatt no interior da torre Jin Mao

 

Como referia alguém ao Diplomata, uma das grandes diferenças desta dinâmica cosmopolita em Xangai quando comparada com outra metrópole como Nova Iorque é o carácter mais aberto e democrático de acesso a todos estes locais, conseguindo-se sentir a experiência de uma cidade cada vez mais internacional e cosmopolita, sem perder ao mesmo tempo o glamour e o estilo. 

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 17:04
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Chineses pouco interessados nas questões de regime e a sonhar com a classe média

 

Chineses numa das ruas de Xangai/Fotos AG

 

Quando o líder chinês Deng Xiaoping concebeu nos anos 80 o conceito de “um país, dois sistemas” estaria longe de imaginar que o seu modelo iria um dia ser uma realidade bem concreta em pleno território da China.

 

Inicialmente pensado para ser aplicado apenas em Hong Kong e Macau, Deng Xiaoping tinha como objectivo a manutenção do sistema capitalista naqueles territórios quando estes fossem transferidos para Pequim, coexistindo assim com o modelo socialista no resto da China.

 

O Partido Comunista Chinês (PCC) mantinha-se assim fiel aos seus princípios na China e criava um enquadramento de excepção para territórios capitalistas, justificado pelas contingências impostas pela própria História.

 

Ironicamente, e graças ao crescimento astronómico da China, sobretudo a partir dos anos 90, a liderança do regime chinês acabou por ver-lhe imposta um modelo de economia de mercado, mas desta vez no coração do País, dominado até então pela doutrina comunista e maoista.

 

Chineses andam pelas ruas de Xangai num dia de semana

 

De certa maneira, os principais centros urbanos da China, com destaque para Xangai, o centro económico e financeiro do país, têm caminhado nos últimos anos em direcção ao modo de vida ocidental, remetendo cada vez mais para o passado a influência socialista no quotidiano dos milhões de habitantes daquela cidade.

 

Hoje, Xangai é um autêntico bastião da economia de mercado, com um nível de crescimento e de sofisticação surpreendente, rivalizando com cidades como Nova Iorque, Londres ou Paris, e nalguns pontos estando já num patamar superior.

 

A cúpula política chinesa vai gerindo a coabitação deste modelo de economia de mercado com a manutenção do status quo político. Um equilíbrio que até ao momento parece estar a resultar.

 

Uma das pequenas ruas em Xangai com um estilo de vida mais tradicional

 

A ausência da uma democracia na acepção ocidental da palavra é algo que neste momento não parece incomodar muitos os chineses, que estão mais empenhados na ascensão à tão ambicionada classe média e ao que isso implica, como a compra de um carro, das roupas de marca, da ida ao Starbucks para beber um café, da aquisição de um iPhone ou da saída à noite para um bar ou discoteca da moda para tomar um copo.

 

Um dos exercícios mais interessantes para qualquer visitante ou residente estrangeiro em Xangai é identificar sinais que reflictam a presença do regime chinês ou do “comunismo” no quotidiano dos milhões de habitantes daquela cidade.

 

À parte da herança cultural e sociológica que ainda é bem viva no que diz respeito aos hábitos dos chineses enquanto povo, o Diplomata só se lembra que está num regime politicamente mais fechado quando esbarra na mensagem “O Internet Explorar não consegue mostrar a página Web” ao tentar aceder a sites como o Twitter, o Facebook, o Youtube ou outras plataformas digitais potencialmente virais.

 

A casa onde se realizou o Primeiro Congresso Nacional do PCC, em Julho de 1921

 

É claro que a detenção do Nobel da Paz, Liu Xiaobao, ou a prisão domiciliária do artista e activista Ai Weiwei não podem nem devem ser ignoradas, e representam graves violações dos direitos mais fundamentais das pessoas, assim como os inúmeros presos políticos ou a situação que se vive no Tibete ou em Xinjiang. Porém, estes temas parece que mais interessam aos meios de comunicação social internacionais e a alguns activistas do que propriamente aos milhões de chineses que vivem agora os primeiros anos de acesso a um novo estilo de vida.  

 

A presença do regime político ou a influência do Partido Comunista Chinês no dia a dia das pessoas em Xangai parece verificar-se mais ao nível do seu subconsciente, resultado de uma formatação ideológica e cultural ao longo de décadas, e não tanto pela imposição de linhas orientadoras concretas nos tempos que correm.

 

A pequena sala onde os 13 delegados proclamaram a criação do PCC

 

Tempos de efectivamente mudança em Xangai e que remeteram literalmente o Partido Comunista Chinês (PCC) para um museu, localizado no local onde se realizou o Primeiro Congresso Nacional do PCC, em 23 de Julho de 1921.

 

Um espaço que o Diplomata visitou e com bastante interesse, diga-se, já que foi a casa que reuniu os 13 delegados, incluindo Mao Zedong, pertencentes a 53 partidos vindos de toda a China, que proclamaram a fundação do PCC, que delinearam o seu Programa e elegeram os órgãos directivos. Nessa reunião, que se prolongou até ao dia 30, interrompida entretanto pela polícia, estiveram também presentes dois representantes do Comintern.

 

A casa que reuniu o Primeiro Congresso Nacional do PCC foi construída em 1920

 

O encontro foi feito em segredo, sob influência da Revolução de Outubro, e era o culminar do Movimento de 4 de Maio de 1919, iniciado com uma manifestação levada cabo por jovens e trabalhadores na Praça de Tiananmen insatisfeitos com o regime chinês imperialista e burguês.

 

Quanto à casa, tipicamente chinesa, tinha sido construída no Outono de 1920, e era a residência de um dos delegados, tendo em 1961 sido classificada como monumento de interesse nacional.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 07:36
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Xangai, a cidade que quase nunca dorme

 

Vista da "skyline" de Pudong a partir do The Bund/Fotos AG

 

Na última edição da revista The Spectator, Gideon Rachman ironizava com os valores do desemprego americano e do crescimento económico chinês: ambos são de 9,6 por cento para este ano. Isto significa que apesar da crise internacional, a China continua na sua senda de crescimento, uma realidade que se reflecte nos indicadores económicos e que se constata no quotidiano daquele país.

 

Xangai, a locomotora da economia chinesa e a capital financeira da China, é uma cidade em constante efervescência, que cresce literalmente de dia para dia, atraindo investidores, empreendedores e homens de negócios de todo o mundo.

 

Seja qual for a empresa, a marca ou a loja, tudo está instalado em Xangai, disponível para uma classe média de chineses que começa a ser cada vez mais numerosa e com um poder de compra em crescendo.

 

Claro está que para a elite económica e empresarial chinesa existem as lojas exclusivas de luxo, prontas a vender o que de melhor e de mais caro se faz na Europa ou nos Estados Unidos, desde carros, roupas ou jóias.

 

A Expo Xangai 2010 não foi mais do que o corolário de uma lógica de crescimento, de modernização e de atracção do investimento, numa cidade dominada pelos arranha-céus futuristas, pelas ruas largas, pelos neons e fachadas luminosas e pelos lugares sofisticados nos últimos andares dos hotéis de luxo.

 

No The Bund, uma zona recentemente recuperada ao longo do rio Huangpu que atravessa Xangai, tem-se uma fabulosa vista da “skyline” da outra margem, Pudong, onde se destaca a famosa torre de televisão e o novíssimo arranha céus do Shanghai World Financial Center.

 

Ainda no lado do The Bund é possível ver um conjunto de edifícios históricos bem conservados de antigos bancos e casas de comércio de países como França, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Rússia, Alemanha, Holanda ou Bélgica.   

 

Mas, a realidade em Xangai não reflecte necessariamente a realidade da China. Como dizia um empresário local, dono de uma fábrica de tecidos, “Xangai não é a China”. O seu dinamismo e liberdade que ali se verificam não encontram paralelo no resto das cidades chinesas. Pequim, por exemplo, além de ser a capital política, tem uma vertente mais histórica e turística, distanciando-se do dinamismo económico e de crescimento de Xangai.

 

Um dos muitos locais em Xangai onde se cruzam estradas com quatro a cinco faixas

 

Quanto à China profunda, está afastada do resto mundo, habitada por milhões de chineses que anseiam pelas cidades na busca de uma melhor vida. Já as cidades industriais são altamente poluídas e sem qualquer motivo de atracção.

 

Seja como for, o crescimento e investimento do Estado em obras públicas e infraestruturas é notório um pouco por todo o território, sobretudo junto à costa, com a construção de edifícios, autoestradas, viadutos ou comboios de alta velocidade (a linha Xangai-Pequim deverá estar concluída no próximo ano).

 

Aquele empresário ligado aos têxteis reconheceu que nos últimos anos registou-se um desenvolvimento considerável do país e talvez, por isso, seja importante manter o equilíbrio entre as necessidades de uma população imensa e as virtudes do capitalismo. A solução assenta no actual regime de partido único, admite o empresário, não se mostrando muito preocupado com eventuais restrições ou pelas políticas adoptadas pelos dirigentes do Partido Comunista Chinês.

 

Ao nível dos negócios tudo acontece em Xangai e é a partir daqui que tudo se desenvolve. Seja para uma multinacional que se queira instalar na China ou para um empresário à procura de fornecedor para tudo e mais alguma coisa, seja uma bandeirinha sejam componentes para maquinaria pesada.

 

Ao contrário de Pequim, Xangai não é uma cidade de turismo puro, pelo menos não é isso que se sente nas ruas. Sente-se, sim, o pulsar dos 18 milhões de habitantes, tornando-a numa cidade que quase nunca “dorme”. É uma cidade sobretudo de “business”.

 

Foi na companhia de empresários à procura de “business” que o autor destas linhas foi até a uma cidade a três horas a Sul de Xangai para visitar uma das muitas fábricas que estão instaladas na costa chinesa e que contribuem para a afirmação do País como a segunda maior economia do mundo.

 

Fábrica de têxteis a três horas do Sul de Xangai

 

É nestas fábricas, com mão de obra barata e a laborar a qualquer hora do dia, que começa o fenómeno chinês. É a origem de tudo. No caso da visita do autor destas linhas, está-se a falar de uma unidade industrial considerável, que aposta na produção de tecidos para chapéus de chuvas, bandeiras ou papel de forrar paredes, entre outros. Daqui exporta-se para todo o mundo, inclusive Portugal. Uma unidade bem equipada e que contou com o apoio do Estado, embora toda a produção seja gerida por “privados”.  

 

Tal como no resto do mundo, também aqui é possível encontrar diferentes produtos e qualidade, dependendo dos preços que se queira pagar. Nem tudo é muito mau, mas também dificilmente se encontrará produtos de excelente qualidade.

 

É na (boa) gestão deste equilíbrio que muitas das vezes se consegue o negócio mais vantajoso. Tudo dependerá do conhecimento, da experiência e da habilidade negocial do comprador junto do fornecedor. E obviamente que tudo será mais seguro com presença dos interlocutores no terreno. Neste processo em concreto não existem intermediários e o potencial comprador está directamente na fonte, podendo mais facilmente controlar a qualidade do produto final e assegurar o respeito pelos timings definidos.

 

Post publicado originalmente no Albergue Espanhol

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 17:38
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Os primeiros olhares sobre Xangai

 

Em missão muito pouco diplomática, aqui ficam os primeiros olhares sobre Xangai, uma cidade de contrastes acentuados, onde a modernidade convive com o tradicional e onde o socialismo coexiste com o capitalismo. 

 

Fotos AG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 10:32
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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