Terça-feira, 10 de Março de 2009

A irrelevância das pressões políticas tibetanas sobre Pequim agudiza discurso de Dalai Lama

 

Ashwini Bhatia/Associated Press

 

O Dalai Lama lançou um ataque violento esta Terça-feira contra a China, acusando este país de provocar durante cinco décadas sofrimento e um clima de medo no povo tibetano. Num tom que o correspondente da BBC na China, James Reynolds, considera bastante diferenciado do registo pacifista que normalmente adopta, Dalai Lama voltou a exigir a autonomia do Tibete.

 

Estas declarações foram proferidas em Dharamsala, Índia, numa altura em que os tibetanos assinalam o 50º Aniversário da insurgência falhada contra o regime chinês e a consequente partida para o exílio de Dalai Lama.

 

Há uns dias, o Diplomata abordou aqui este assunto, referindo a ausência de uma estratégia diplomática e política por parte da comunidade tibetana suficientemente persuasiva para convencer Pequim a proceder a alterações de fundo na sua relação com o Tibete.

 

É de tal forma uma evidência que muitos dos correspondentes na China justificam as declarações mais acutilantes do Dalai Lama como possível resultado de uma frustração e de exasperação crescentes face a Pequim.

 

Também como aqui foi escrito há uns dias, o mês de Março deverá ser particularmente problemático na região, tendo as autoridades chineses mobilizado milhares de polícias e forças paramilitares de modo a poderem controlar eventuais protestos da população.

 

Neste momento, e de acordo com alguns grupos de direitos humanos, já foram efectuadas detenções um pouco por todo o Tibete, no entanto, estas notícias carecem de confirmação, tal como tudo o que está a acontecer na região, tendo em conta as fortes restrições impostas aos jornalistas para se deslocarem no território.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:10
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Autoridades chinesas cancelam concertos de Oasis por causa do Tibete

 

O Ministério da Cultura chinês proibiu os Oasis de actuar no próximo mês em Pequim e em Shangai, depois de ter descoberto que o vocalista da banda britânica, Noel Gallager, tinha participado numa iniciativa Free Tibet nos Estados Unidos em 1997.

 

Apesar da banda ter manifestado profundo desagrado pela decisão, os Oasis mostraram-se esperançados de que Pequim pudesse rever a sua posição. Porém, dificilmente o Governo chinês voltará atrás, não tendo por hábito demonstrar muita flexibilidade nestas situações. 

 

Além do mais, este ano as autoridades chinesas paracem estar a colocar dificuldades acrescidas aos artistas estrangeiros que pretendam actuar no país, pelo facto da República Popular da China estar a celebrar o seu 60º Aniversário.

  

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Publicado por Alexandre Guerra às 21:49
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Medidas restritivas da China poderão fazer ressurgir violência no Tibete

 

 

O Tibete pode, nos próximas semanas, voltar a viver momentos conturbados à semelhança daqueles que se verificaram em Março do ano passado, fruto de uma onda de protesto contra a China sem paralelo nos últimos vinte anos. Pequim diz que morreram 18 pessoas, mas grupos defensores dos direitos humanos falam em mais de 200 e muitos outros tantos desaparecidos.

 

O eventual ressurgimento de violência deve-se ao facto das autoridades chineses terem encerrado as fronteiras do Tibete a turistas até ao final de Março, mês durante o qual se celebra o 50º aniversário da revolta tibetana e da consequente partida de Dalai Lama para o exílio.

 

Perante este acto, o próprio Dalai Lama, através do seu porta-voz na Índia, exortou hoje os seus seguidores a não celebrarem a passagem de Ano Novo tibetano, esta Quarta, como protesto e homenagem a todos aqueles que morreram ou estão presos depois dos confrontos do ano passado.

 

A China continua a garantir que o Tibete é uma região socialmente estável e pacífica, estando a crescer economicamente, mas os grupos de direitos humanos e os tibetanos no exílio rejeitam esta visão.

 

O Dalai Lama admitiu em Novembro último, durante um encontro com 500 líderes tibetanos, que estaria a perder "esperança" de que a sua abordagem diplomática fosse alguma vez produzir resultados junto da China, mesmo estando a falar de uma autonomia alargada e não de independência.

 

Efectivamente, o movimento tibetano no exílio nunca teve força política nem diplomática para provocar pouco mais do que embaraços ao Governo de Pequim (sobre este assunto, o Diplomata sugere a leitura de um texto de sua autoria de Julho de 2008). Perante este cenário, hoje mais do que nunca, constata-se uma autêntica ausência de estratégia para abordar a questão tibetana com a China.

 

Esta situação começa a provocar fissuras acentuadas no seio do movimento no exílio, que poderão adensar-se na altura em que chegar o processo de sucessão do líder espirutal. O actual Dalai Lama já afirmou que poderá romper com uma tradição de séculos e nomear ele próprio o novo líder tibetano.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 19:05
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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