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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

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Os jogos de guerra continuam no Mar Oriental da China

Alexandre Guerra, 05.02.13

 

Soube-se agora, através do ministro da Defesa japonês, que no passado dia 30 uma fragata chinesa bloqueou na sua mira uma embarcação japonesa, em mais uma manobra dos "jogos de guerra" que têm acontecido no Mar Oriental da China a propósito da disputa das ilhas Senkaku, controladas pelo Japão mas reivindicadas por Pequim.

 

É mais um incidente a juntar a tantos outros que nos últimos tempos têm ajudado à escalada diplomática entre Tóquio e Pequim, acelerada depois do Governo nipónico ter adquirido os cinco ilhéus a proprietários privados.  

 

Desde então que o Mar Oriental da China tem estado "agitado" com movimentações militares de ambos os lados. Movimentações, essas, que têm servido para os governos de Pequim e de Tóquio fazerem demonstrações de força para "consumo interno", sobretudo no caso japonês, que elegeu recentemente Shinzo Abe para a chefia do Executivo e que pretende adoptar uma postura mais firme em relação à China.

 

Para já, no Mar Oriental da China vai-se assistindo a "jogos de guerra" e dificilmente irá além disso, mas isso não quer dizer que esses mesmos jogos não possam escalar ainda mais.

   

Será que Shinzo Abe vai fazer a vontade à maioria dos japoneses?

Alexandre Guerra, 22.01.13

 

Em Dezembro, o Diplomata escrevia sobre a tendência do rumo da política externa do Japão, que viu regressar o conservador Shinzo Abe à liderança do Governo. Na altura foi referido que um dos sinais mais importantes seria perceber se Abe iria visitar ou não o polémico santuário de Yasukni.

 

Esta Terça-feira foi publicada uma sondagem que manifesta a vontade da maioria dos japoneses de ver o seu primeiro-ministro a visitar o santuário.

 

A visita (ou a não visita) de Abe a Yasukuni ditará o rumo da política externa japonesa

Alexandre Guerra, 26.12.12

 

Shinzo Abe, ainda enquanto líder da oposição, visita o santuário de Yasakuni em Outubro/Kimimasa Mayama/European Pressphoto Agency

 

De regresso aos desígnios nipónicos, Shinzo Abe volta a colocar o conservador Partido Liberal Democrático (LDP) no poder e a recuperar uma abordagem diplomática mais agressiva em relação aos seus vizinhos, nomeadamente a China. Dando a vitória a Abe nas eleições legislativas do passado dia 16, os japoneses quiseram alterar o perfil da política externa nipónica face a Pequim, numa altura em que a tensão é crescente entre os dois países, por causa das disputadas ilhas de Senkaku.

 

Os japoneses, ou pelo menos a maioria do eleitorado, não gostaram da forma como os anteriores governos do Partido Democrata (DPJ) geriram os "temas quentes" relacionados com a China ou com a Coreia do Sul (esta a propósito dos ilhéus de Takeshima).  

 

Uma japonesa dizia ao jornal The Asahi Shimbun que tinha votado no LDP porque acreditava que a China acabaria por invadir o Japão se nada fosse feito.

 

Percebendo aquilo que a maioria do eleitorado queria, Abe fez uma campanha agressiva, deixando bem claro que não iria ceder à China ou à Coreia do Sul no que dissesse respeito a interesses nacionais. No entanto, e como sucedeu quando esteve no Governo da primeira vez, em 2006, é muito possível que Abe refreie agora os ânimos. 

 

Com a chefia do Governo ganha, Shinzo Abe deverá agora preocupar-se mais em manter as boas relações com a Coreia do Sul e evitar uma escalada diplomática com a China em redor das ilhas Senkaku.

 

Um bom exemplo desse refreamento poderá materializar-se no recuo das suas intenções de visitar o polémico santuário de Yasukuni, que presta homenagem aos soldados japoneses mortos na II GM, incluindo alguns criminosos de guerra. Durante a campanha Abe dissera que pretendia visitar aquele santuário quando fosse eleito, mas agora, segundo o The Asahi Shimbun, Abe tem-se mostrado vago sobre este assunto, sabendo que tal gesto provocaria o descontentamento não apenas de Pequim, mas também de Seul.


A visita ou a não visita ao santuário de Yasukuni será um bom barómetro para se perceber a orientação que Shinzo Abe vai dar à diplomacia nipónica. Para já, sabe-se apenas aquilo que disse na primeira conferência de imprensa que deu depois de ter sido empossado: "We need to bring back the kind of diplomacy that protects national interests and asserts its positions."