Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

A questão racial

 

Provavelmente, desde os anos 60/70 que a questão racial nos Estados Unidos (embora tenha estado sempre presente) não suscitava tanta agitação na opinião pública, como a que está a acontecer por estes dias nalgumas cidades americanas, em parte, por causa de duas decisões judiciais em casos distintos, que muitos cidadãos vêem como injustas e racistas (as últimas notícias dão conta de um terceiro caso que pode inflamar ainda mais os ânimos).

 

Pelo meio, houve ainda os distúrbios de 1992, em Los Angeles, no seguimento do espancamento do motorista negro Rodney King por quatro polícias brancos, entretanto, absolvidos, apesar das imagens recolhidas mostrarem um claro abuso de força policial. Mas, neste caso, os acontecimentos, altamente violentos, ficaram circunscritos àquela cidade californiana e a determinada altura assumiram formas de vandalismo e desafio às autoridades, que pouco ou nada tinham a ver com a luta contra o racismo. 

 

Agora, e apesar da existência de distúrbios, parece haver um debate mais racional e mais alargado. Lendo-se a imprensa americana, fica-se com a sensação de que o movimento protestativo começa a ser massivo e a estender-se a várias cidades.

 

Não deixa de ser irónico que o fantasma do racismo volte a despertar com tanta fúria, numa altura em que o seu Presidente e "attorney general" são negros.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:50
link do post | comentar
partilhar
Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Lenny Kravitz inspirado por Obama, mas revoltado com a América racista

 

 

Lenny Kravitz, músico talentoso e multi-instrumentista, dotado de um "feeling" que combina o Soul, o R&B e o Rock como poucos o conseguem fazer, contava ao USA Today, em Setembro do ano passado, que se revoltou quando viu um documentário no qual algumas pessoas não aceitavam a eleição do Presidente Barack Obama, por causa da sua cor de pele, e que queriam o seu País de volta, fosse de que maneira fosse.

 

Kravitz sempre soube que havia racismo nos Estados Unidos, no entanto, diz que a forma como aquelas pessoas se expressaram no documentário, de forma crua e dura, afectou-o de tal forma que o inspirou para o álbum Black and White, lançado no Verão de 2011.

 

Como o próprio refere, este seu último álbum, que surgiu de um momento de inspiração, é uma afirmação cultural e política contra aquela América racista e discriminatória que está bem viva.

 

Neste trabalho, Kravitz faz referência aos seus pais que, no início dos anos 60, eram um casal defensor da multi-racialidade. Martin Luther King é igualmente referenciado como um símbolo de integração e de luta pelos direitos humanos.

 

Kravitz deixa bem claro o seu entusiasmo com Barack Obama, não tanto pela questão política, mas pela sensibilidade que o residente da Casa Branca veio demonstrar.  Já em 2008 tinha dito sobre Obama: "It was a great validation, to hear someone who had perspective on both sides. Because I knew what he was talking about. Race in this country is still the elephant in the room that no one wants to discuss."

 

Seguramente, esta noite será um Lenny Kravitz mais político e interventivo que subirá ao Palco Mundo (neste que é o segundo fim-de-semana do Rock in Rio Lisboa 2012), já que longe vão os tempos do Let Love Rule (1989).

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache


Publicado por Alexandre Guerra às 09:12
link do post | comentar
partilhar

About

Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

Facebook

O Diplomata

Promote Your Page Too

subscrever feeds

Contacto

maladiplomatica@hotmail.com

tags

todas as tags

pesquisa

arquivos