Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

A entrevista pouco diplomática de Juncker

 

Numa altura em que a diplomacia internacional se orientava por certos códigos de conduta e regras, era normal que aquilo que era dito pelos líderes à volta de uma mesa de negociações ficasse entre quatro paredes. Talvez um dia, anos mais tarde, se pudesse vir a ler numa biografia ou num outro texto histórico sobre o que lá tinha acontecido. Ou então não, e essa informação ficaria para sempre confinada è memória dos seus intervenientes ou às actas escondidas num qualquer arquivo.

 

O problema é que nos dias que correm, os ecos das negociações em reuniões à "porta fechada", e que por vezes podem ter momentos de grande intensidade, rapidamente chegam à opinião pública e, na maior parte dos casos, pela boca dos próprios intervenientes. Ora, este comportamento de alguns líderes políticos mina qualquer clima de confiança que se pretende que exista numa conversação reservada.

 

O que aconteceu nas reuniões entre os responsáveis da Zona Euro/Comissão e os membros do Governo grego é exemplar desse desvario de comentários e observações -- muitas vezes quase em tempo real via Twitter -- e que em nada contribuíram para a construção de um clima de confiança. Pelo contrário, à medida que mais informação ia passando cá para "fora", mais as condições negociais se deterioravam.

 

Hoje, e num claro exemplo de falta de solidariedade institucional entre parceiros europeus e numa tentativa de sair de toda esta história com uma imagem de "conciliador", Jean-Claude Juncker revela numa entrevista ao Le Soir parte do conteúdo de uma dessas muitas reuniões que se realizaram nas últimas semanas, relativamente à suposta recusa dos chefes de Governo de Portugal, Espanha e Irlanda de um agendamento de uma discussão sobre o possível alívio da dívida grega antes das eleições legislativas de Outubro (Portugal e Espanha). Embora, o primeiro-ministro Passos Coelho já tenha vindo dizer que Juncker deve ter feito alguma "confusão", neste caso em concreto, pouco importa a posição daqueles governantes, já que é legítima à luz daquilo para que foram mandatados. 

 

O que é condenável é a forma como Juncker, presidente de um órgão europeu responsável pela aplicação dos tratados, viole princípios que são elementares no âmbito da teoria da negociação internacional. É igualmente preocupante a forma como Juncker trai a confiança dos seus parceiros europeus para "limpar" a sua própria imagem, num filme em que ninguém saiu bem.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:57
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Domingo, 15 de Maio de 2011

“Nós precisamos de repensar o Governo europeu”, diz Passos Coelho

 

Esta tarde, na Taverna dos Trovadores, Pedro Passos Coelho responde a várias questões dos bloggers

 

A União Europeia está “num período muito difícil”, numa “fase de ressaca”, disse este Domingo, Pedro Passos Coelho, respondendo a uma questão colocada pelo Diplomata, num encontro realizado com vários bloggers, na Taverna dos Trovadores, em Sintra.

 

Para o candidato do PSD às eleições legislativas do próximo dia 5 de Junho, a União Europeia verifica hoje vários “desequilíbrios”, resultante da falta de solidificação da união política do projecto comunitário.

 

Passos Coelho rejeita a ideia de uma Europa a várias velocidades, no entanto, refere que o “alargamento foi feito de uma forma muito rápida”, e que isso está a colocar em causa a própria construção europeia.

 

Os inúmeros desafios com que a Europa se depara actualmente, tais coma a crise do euro, os desafios da Dinamarca ao sistema de Schengen, os movimentos migratórios provenientes dos países do Norte de África (que Passos Coelho quer fazer “espaços naturais de cooperação europeia”), são reflexos de uma construção europeia demasiado acelerada sem que se tivesse consolidado a sua governação interna.

 

É por esta razão que Passos Coelho se mostra bastante prudente quanto à adesão de novos Estados, nomeadamente a Turquia, salientando que é preciso avançar “sem pressa de mais” no processo de alargamento. “Nós precisamos de repensar o Governo europeu”, alerta.

 

E como? Passos Coelho dá alguns exemplos, nomeadamente com a implementação de novos mecanismos, tais como a gestão conjunta da dívida europeia ou a criação de "um orçamento comunitário que sustente os choques assimétricos".

 

O candidato do PSD lembra, no entanto, que qualquer mudança desta natureza implica revisões ao nível dos tratados europeus.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:31
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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