Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Sarkozy discutiu com Barroso ao almoço, mas terá Barroso discutido com Sarkozy?

 

Durão Barroso e Nicolas Sarkozy, hoje, na foto de família do Conselho Europeu/Reuters/Francois Lenoir

 

Durante o almoço de hoje no Conselho Europeu o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, ter-se-ão envolvido numa “discussão violenta” a propósito da problemática dos ciganos que estão a ser expulsos de França com destino ao seu país de origem, a Roménia.

 

Esta informação foi avançada pelo primeiro-ministro búlgaro, Boyko Borissov, a um grupo de jornalistas, no entanto, até ao momento não são conhecidos mais pormenores sobre esta troca de palavras.

 

Borissov terá dito que foi o próprio Sarkozy a colocar o assunto na ementa, depois do tema ter sido abordado na reunião da manhã. Ao almoço Sarkozy voltou a insurgir-se contra as declarações da comissária da Justiça, Viviane Reding, que tinha comparado as acções do Executivo gaulês às perseguições nazis dos judeus durante a ocupação francesa.

 

Embora se desconheça o conteúdo e os contornos da conversa ao almoço, é de presumir que Sarkozy tenha adoptado um tom bastante agressivo na defesa da imagem da França e nas críticas à Comissão Europeia.

 

Conhecendo-se minimamente o perfil do Presidente francês não é difícil imaginar a rispidez das suas palavras e a vê-lo a contribuir para a tal “discussão violenta”. Menos provável (e o Diplomata coloca aqui muitas reticências ao relato de Borissov) é que Barroso tenha alinhado neste registo crispado, já que o seu estilo político, claramente marcado por uma paciência maoista e por um calculismo realista, não se enquadra nesta lógica.

 

Porém, e admitindo que o Presidente da Comissão Europeia ao almoço tenha dado uma réplica a Sarkozy no mesmo tom e registo, então Barroso, enquanto animal político, revela um lado desconhecido.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 20:21
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Momentos com história

 

 

O antigo primeiro-ministro Dominique de Villepin, hoje, à entrada do Palácio da Justiça para o primeiro dia de julgamento no âmbito do caso "Clearstream", no qual é acusado de forjar e divulgar uma lista falsa que incluía o nome de Nicolas Sarkozy, na altura candidato às presidenciais, e que o associava a um esquema de pagamentos ilícitos em negócios de armas.

 

Na lista constavam ainda outros nomes, no entanto, as autoridades vieram a confirmar que a mesma era falsa, suspeitando que aquele documento deveria ter como propósito denegrir a imagem de Sarkozy. Desde então que as atenções caíram sobre de Villepin e sobre o próprio Presidente de então, Jacques Chirac, que tinham todo o interesse em desgastar politicamente Sarkozy.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:23
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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Sarkozy e Merkel unidos em Londres reavivam eixo Paris-Berlim

 

Foto Max Nash/AP

 

Um dos aspectos mais interessantes observados nas inúmeras movimentações diplomáticas que antecederam a cimeira do G20 desta Quinta-feira, foi constatar que o eixo Paris-Berlim está mais sólido do que nunca. 

 

Ao longo da história da construção europeia este tem sido um tema central, particularmente enfatizado sempre que estão em questão importantes decisões no âmbito comunitário e mundial. 

 

Neste caso em concreto, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemão, Angela Merkel, adoptaram uma só voz na abordagem aos trabalhos de hoje. Para ambos, a aprovação de medidas rígidas na regulação dos mercados é algo "não negociável". 

 

Não se pretende aqui discutir se esta é ou não uma boa medida, quer-se apenas sublinhar que a Alemanha e a França vivem momentos particularmente amistosos e conciliáveis. Por exemplo, o Guardian escrevia ontem que aqueles dois países reavivaram uma parceria que no passado já se afirmou como o eixo dominante da Europa.

 

Parte dessa reaproximação é resultado de um factor muitas vezes descurado na análise política: as relações humanas entre líderes. Factor esse que pode ser bastante importante no comportamento do sistema internacional.

 

É verdade que desde a eleição do Presidente francês houve momentos de tensão com a chefe de Governo alemã, devido às diferentes agendas políticas, mas também por causa dos seus temperamentos. No entanto, Sarkozy e Merkel têm vindo a promover uma relação de proximidade e de confiança entre ambos. 

 

Ora, este tipo de ambiente é favorável à abertura de canais de comunicação e ao reforço da diplomacia. E pode revelar-se de extrema importância para a construção europeia. Porque como em tempos disse Jacques Chirac: "Quando estamos [França e Alemanha] de acordo a Europa avança. Quando não conseguimos alcançar um acordo, a Europa fica em suspenso."

 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:18
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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