Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

De New Jersey para a “city”

 

Uma das cenas mais intimistas do filme "Cop Land", ao som da melancólica canção "Stolen Car", de Bruce Springsteen, um "filho" de New Jersey

 

Ainda não aconteceu, mas um dia destes em que o Diplomata aterrar em Nova Iorque, uma das primeiras coisas que fará é, estranhamente, ir para os subúrbios. Atravessará o Rio Hudson e alcançará o subestimado estado de New Jersey.

 

Dali, olhará para a “city” numa outra perspectiva. Porém, mais do que o desfrutar da visão panorâmica, o interessante é tentar perceber de que forma aquele estado, com as suas gentes e comunidades, tem contribuído para a dinâmica do quotidiano e para a construção da identidade de Nova Iorque.

 

Daquilo que o Diplomata pouco conhece, New Jersey é mais do que um “anexo” ou que um mero “dormitório” de Nova Iorque.  

 

A sua tradição histórica vem de longe. Afinal, New Jersey foi, por exemplo, o primeiro estado a assinar a Bill of Rights e o terceiro a ratificar a Constituição dos Estados Unidos. New Jersey tem a segunda Câmara dos Representantes estadual mais antiga do país. Além disso, foi uma das 13 “colónias” que declarou a independência dos Estados Unidos, tendo sido palco de mais de 100 batalhas durante a “Revolution War”.

 

Já agora, a título de curiosidade, foi também em New Jersey onde se organizou o primeiro jogo de basebol, em 1846, e onde se realizou o primeiro jogo profissional de basquetebol, em 1896.

 

New Jersey é ainda o estado norte-americano com mais cavalos por quilómetro quadrado e ainda um dos dois em que é proibido o serviço de self-service nos postos de abastecimento.

 

Há muito que o autor destas linhas tem algum interesse por aquele estado. Não que tal se deva a qualquer razão específica, e muito menos aos exemplos acima mencionados.

 

Talvez a sua relação íntima com Nova Iorque e o facto daquele estado ter uma dinâmica própria (da qual resultaram fenómenos como Bruce Springsteen ou os Bon Jovi) fizeram despertaram há muito a curiosidade por New Jersey.

 

Ainda há dias, ao rever o "Cop Land", um intenso filme de James Mangold, com Sylvester Stallone, Robert De Niro, Harvey Keitel, Ray Liotta, entre outros, o Diplomata redescobria aquele mundo interessante de New Jersey.  

 

Neste caso concreto, através de um filme de 1997, bem acolhido pela crítica e em festivais internacionais como o de Estocolmo ou o de Veneza, que apesar de ficção quanto ao enredo, não deixa de espelhar uma certa realidade local.   

 

O filme retrata uma comunidade numa pequena cidade de New Jersey, composta maioritariamente por polícias (e suas famílias), que diariamente se deslocam para Nova Iorque com o objectivo de “proteger e servir” aquela cidade, apesar de a desprezarem pela sua decadência em termos de valores da sociedade e de costumes.

 

Esta comunidade policial, enraizada na sua pequena cidade de New Jersey, olhava para Nova Iorque como um mundo distante (apesar de estar ao alcance de uma travessia de ponte), corrupto e indigno de acolher estes políticas e as suas famílias.

 

O problema é que como qualquer dinâmica de grupo demasiado hermético, este tende a fechar-se nos seus rituais, distanciando-se da realidade à sua volta. Aquela pequena cidade de New Jersey passou a ser o mundo destes polícias do New York Police Department (NYPD), onde impunham as suas próprias regras, levando a que a fronteira entre a legalidade e o crime se esbatesse e  que o certo e o errado deixassem de ser conceitos devidamente estanques.

 

Este é um exemplo ficcionado, pela negativa, de como é possível criarem-se realidades totalmente distintas, com as suas próprias dinâmicas, entre dois espaços geograficamente próximos, em que, aparentemente, um (New Jersey) deveria a razão da sua existência em função do outro (Nova Iorque).

 

A verdade é que a dinâmica das grandes cidades e urbes é algo bastante complexo, sobretudo numa altura em que pelo menos 50 por cento da população mundial vive nestes espaços.

 

Por vezes, no seio das grandes cidades e urbes desenvolvem-se outras realidades, onde existem comunidades próprias (e não se está a falar de guetos), com os seus rituais e códigos, que desconfiam e até desprezam o paradigma dominante.  

 

Curiosamente, e de acordo com o que se lê na Wikipedia, o realizador James Mangold ter-se-á inspirado para este filme na sua cidade natal de Washingtonville, estado de Nova Iorque, já que crescera num bairro composto maioritariamente por uma comunidade de agentes da NYPD.

 

Já agora, mais alguma informação sobre New Jersey: tem uma população de quase 9 milhões (censos 2010),  24 sítios históricos, 11florestas estatais, 42 áreas naturais e 36 parques estatais.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:57
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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