Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018

JALLC, um centro NATO de produção de conhecimento cada vez mais importante

 

A NATO tem duas estruturas: uma civil e outra militar. A civil, com o Quartel-General sediado em Bruxelas, dá corpo à natureza política da Aliança e apoia todo o aparelho burocrático. A militar, composta por dois comandos estratégicos, é responsável pela doutrina e pela projecção de forças no terreno. Esta é a forma mais resumida que encontro para definir a estrutura daquela organização. No âmbito da componente militar, Portugal tem a particularidade de estar integrado nos dois comandos, quer no Comando Aliado de Operações (ACO) sediado em Mons, Bélgica, de cariz mais operacional, quer no Comando Aliado para a Transformação (ACT), baseado em Norfolk, Virgina (EUA), mais vocacionado para a doutrina. O comando de Oeiras, actualmente denominado de STRIKFORNATO, responde ao ACO, já que tem como missão dar apoio de comando e controlo a operações de forças navais e à respectiva capacidade de defesa balística.

 

Mas o propósito deste texto é falar do JALLC, Joint Analysis & Lessons Learned Centre (JALLC), uma espécie de think tank da NATO, que tem como objectivo analisar e estudar todos os dados e informação operacional para produzir nova informação melhorada, “transformada”. As instalações semi-secretas do JALLC encontram-se dentro do perímetro da base da Força Aérea em Monsanto, mesmo à saída de Lisboa. O JALLC está dependente do ACO e tem pouco mais de 15 anos, tendo sido uma importante conquista para a valorização de Portugal no âmbito da NATO, já que daqui saem “lições” que depois podem ser aplicadas no terreno. Esta importância foi agora reiterada por Dennis Mercier, Comandante Supremo do ACT, que está em Lisboa de visita ao JALLC.

 

Numa entrevista ao DN, publicada esta Terça-feira, Mercier enaltece o trabalho deste centro e acredita que “vai ser ainda mais importante”. Palavras que não devem ser interpretadas meramente como de simpatia, até porque nestas coisas os militares, nomeadamente aqueles em comissão NATO, não perdem tempo com declarações irrelevantes. A verdade é que, num mundo em constante transformação e com ameaças cada vez mais difusas, o conhecimento é uma “arma” que ganha importância crescente, como forma de antecipação de cenários e de resposta eficaz a situações complexas.   

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:29
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2016

A próxima cimeira da NATO em Varsóvia

 

A 8 e 9 de Julho vai realizar-se a Cimeira da NATO em Varsóvia. Em visita à Polónia esta semana, o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, fez uma antecipação do que estará na agenda do encontro. Perante os desafios de segurança e também de valores aos fundamentos europeus, pretende-se que nesta cimeira a NATO reforce a sua presença nos países da parte Leste da organização e que se projecte estabilidade para lá das fronteiras da Aliança.

 

Quanto ao reforço da posição da NATO nesses países de Leste, um dos pontos que será discutido tem a ver com a colocação de vários batalhões em diferentes Estados daquela região, embora o secretário-geral da NATO tenha referido que esta medida não tem um carácter ofensivo contra a Rússia. Para já, sabe-se que os três países bálticos e a Polónia irão receber estes batalhões. Além disso, a Polónia anunciou hoje que vai criar uma força paramilitar de 35 mil civis que terão treino militar e que serão distribuídos por várias brigadas territoriais, com o objectivo de estarem preparados para um tipo de conflito como aquele que aconteceu no leste da Ucrânia.

 

Sobre a capacidade de projecção de estabilidade para lá das fronteiras da Aliança, Jens Stoltenberg adiantou que a NATO vai intensificar a cooperação e o treino conjunto com países do Médio Oriente e Norte de África, para que estas regiões possam fortalecer as suas instituições de defesa e forças militares com dois objectivos: reconquistarem território que tenham perdido para forças terroristas, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda; criarem condições mais favoráveis para facilitar a eventualidade de mobilização de tropas da NATO naqueles países.

 

Na próxima cimeira será também discutido o investimento do PIB que cada país faz na área da Defesa, com a meta de dois por cento sempre presente. Outro dos pontos que será também abordado é a cooperação entre a NATO e a União Europeia em matéria de ameaças híbridas, como a ciber defesa e a segurança marítima. 

 

Entretanto, dentro da NATO Response Force (NRF), que conta com 40 mil homens, foi activada há dias a Very High Readiness Joint Task Force (VJTF), que é uma espécie de “ponta de lança” composta por 5 mil homens com capacidade de mobilização em 48 horas em qualquer parte do mundo. Será anunciado, certamente, com entusiasmo e pompa na cimeira de Julho.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:30
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

As movimentações silenciosas da NATO

 

Em relação à crise que se vive na Ucrânia, é importante tentar perceber qual o papel da NATO no processo de decisão política. Oficialmente, a Aliança continua empenhada no reforço da parceria Nato-Rússia, no entanto, sabe-se que os mais recentes países da Aliança andam em manobras no Mar Negro e, no passado dia cinco, os ministros da Defesa aprovaram importantes decisões para reforçar uma eventual resposta no âmbito do famoso Artigo 5º. Uma resposta que está focada nas fronteiras oriental e a sul da Aliança, com a criação da “Spearhead Force”, uma brigada de activação rápida com 5 mil homens. Esta brigada terá apoio aéreo, marítimo e de forças especiais e poderá ser reforçada com mais duas brigadas. A NATO garante que a sua força de reacção rápida pode chegar aos 30 mil homens. Além disso, foram instaladas seis unidades de comando e controlo na Bulgária, Estónia, Lituânia, Letónia, Polónia e Roménia. Embora silenciosa, a NATO parece estar a movimentar-se no terreno, na antecipação de uma eventual intervenção militar na Ucrânia.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 11:44
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Para reflectir

 

No Ocidente, as pessoas ficam chocadas com as barbaridades que se cometem por esse mundo fora, mas esquecem-se que apenas quatro países da NATO gastam, pelo menos, dois por cento do seu PIB em Defesa: os EUA, a Grécia, a Estónia e o Reino Unido.

 

Dos 28 membros da NATO, os EUA são o país que, de longe, mais investe em Defesa, com 4,4 por cento do seu PIB, o que representou no ano passado 735 mil milhões. Os outros 27 países da Aliança gastaram no seu conjunto 288 mil milhões, o que faz uma média de 1,3 por cento do PIB por Estado, um valor bem abaixo dos dois por cento pretendidos pela NATO.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 12:38
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Domingo, 2 de Março de 2014

Nestas circunstâncias é bastante conveniente que a Ucrânia não faça parte da NATO

 

Nas actuais circunstâncias é bastante conveniente que a Ucrânia não faça parte da NATO, porque, caso o fizesse, neste momento os Estados Unidos e aliados tinham um grave problema em mãos: ao abrigo do artigo 5º da Aliança estariam obrigados a retaliar contra a Rússia. É sobretudo naquele artigo que assenta todo o conceito de "defesa colectiva" da NATO, ao enunciar que "um ataque contra um ou vários membros é considerado um ataque contra todos".

 

Publicado por Alexandre Guerra às 21:08
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Domingo, 4 de Agosto de 2013

A afronta de Putin

 

 

A decisão do Governo russo em dar asilo político a Edward Snowden não pode deixar ser vista como um "statement" do Kremlin dirigido a Washington. Não se tratou de uma decisão repentina e muito menos inconsciente. Pelo contrário, Moscovo teve muito tempo para ponderar sobre o que fazer com Snowden, enquanto este vagueava pelos corredores do Aeroporto de Sheremetyevo.

 

O Presidente Vladimir Putin (sim, porque a decisão última foi dele) sabia que ao permitir a entrada de Snowden em território russo estaria a afrontar directamente Washington, que fez daquele antigo consultor da NSA o homem mais procurada da América neste momento. Putin, à boa maneira da Guerra Fria, criou um incidente diplomático que vai ter consequências a médio e a longo prazo, tornando-se num dos "casos" que marcarão as relações entre os dois países nos próximos tempos.

 

Washington não vai esquecer a afronta de Moscovo e as consequências a curto prazo já se fazem sentir. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que a administração norte-americana estava "extremamente desapontada". Também vozes republicanas e democratas condenaram a atitude da Rússia e exortam o Presidente Barack Obama a tomar medidas retaliatórias contra Moscovo. Por exemplo, além do boicote diplomático a alguns encontros de alto nível e cimeiras, já há quem fale num novo impulso aos programas de defesa antimíssil na Europa e num novo alargamento da NATO a países contíguos à fronteira da Rússia, como é o caso da Geórgia.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 13:28
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

A NATO celebra hoje o 62º aniversário

 

Os doze ministros dos Negócios Estrangeiros dos países fundadores da NATO em Washington, a 4 de Abril de 1949

 

A 4 de Abril de 1949 os ministros dos Negócios Estrangeiros de doze países assinaram, em Washington, o Tratado do Atlântico Norte, acto fundador da NATO, uma organização intergovernamental política, assente num sistema de defesa colectiva.

 

Entre os países fundadores, estiveram os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido, a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo, a Itália, a França, a Noruega, a Dinamarca, a Islândia e Portugal.

 

Em cima lê-se o nome de José Caeira da Matta, o MNE português que assinou em Washington o Tratado do Atlântico Norte

 

Para relembrar a história desta importante organização, o Diplomata sugere uma visita ao site da Aliança, no qual se pode ver uma apresentação muito dinâmica e interessante. 

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 14:59
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Não foi um "novo começo", mas a cimeira de Lisboa ficará na história da NATO

 

Foto NATO

 

Na ressaca da cimeira da NATO, e depois de aprovado o terceiro Conceito Estratégico desde o fim da Guerra Fria (o primeiro em 1991 e o segundo em 1999), talvez ainda seja oportuno deixar aqui (mais) um contributo para o enquadramento do tema.

 

É inegável o sucesso, a vários níveis, da cimeira de Lisboa. Todo o “guião” foi cumprido, os tratados foram assinados, a liturgia diplomática funcionou e os líderes regressaram aos seus países com “boas novas” para anunciar.

 

Até mesmo o Presidente americano Barack Obama talvez tenha conseguido convencer os senadores republicanos a ratificarem o Novo Start, depois do seu discurso na conferência de imprensa de encerramento, no qual evocou uma das referências-mor do conservadorismo americano, o falecido Presidente Ronald Reagan, e apelou à responsabilidade dos Estados Unidos face aos compromissos assumidos com a Rússia, nomeadamente com o chefe de Estado, Dimitri Medvedev.

 

Não obstante ter sido uma cimeira muito importante, e apesar das declarações de entusiasmo e de enfatização do momento, nada disto deve retirar a capacidade crítica na análise ao seu enquadramento histórico.

 

Os acontecimentos de Lisboa não devem ser vistos como um “novo começo” ou uma revolução nos princípios da Aliança, e muito menos como um ponto de viragem na arquitectura do sistema internacional.

 

O que aconteceu em Lisboa foi o corolário previsível de um percurso doutrinário que começou com a alteração sistémica das relações internacionais imposta com o final da Guerra Fria e que, para muitos analistas, continua por definir (É preciso lembrar que noutros momentos de ruptura sistémica ao longo da História foram precisos longos anos até que se consolidasse o novo paradigma nas relações internacionais).

 

Foi o próprio secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, que na conferência de imprensa de encerramento falou em “reforço” da Aliança para torná-la mais eficaz e comprometida, num registo de continuidade. O “novo começo” de que falou Rasmussen foi em relação à Rússia e teve um carácter mais político, do que propriamente prático ou operacional.

 

E sobre esta questão é preciso ter em consideração dois factores: o início do processo de aproximação da Rússia à NATO tem quase 20 anos; não confundir o relacionamento da Rússia e da Aliança com o da Rússia e de Washington.

 

Em alguns momentos de crise não esteve tanto em causa o relacionamento da Rússia com a NATO em termos práticos, mas sim o diálogo político-diplomático entre Moscovo e Washington.

 

É importante relembrar que o Conselho NATO-Rússia foi estabelecido em 2002, tendo como base um acordo firmado em 1997, fruto de um processo iniciado com o fim da Guerra Fria.

 

É certo que as crises nos Balcãs nos anos 90 ou o conflito na Geórgia, em 2008, prejudicaram algumas áreas de cooperação entre a NATO e a Rússia, mas nunca colocaram em causa o eixo principal da parceria. Ou seja, o registo de conflito nunca foi tão “quente” entre a Aliança e Moscovo como aquele que se verificou ao nível bilateral entre Washington e Moscovo em diversas ocasiões.

 

Este “começar de novo” de que Rasmussen fala é na verdade mais dirigido à relação dos Estados Unidos com a Rússia do que propriamente deste país com a NATO.

 

A parceria entre a Rússia e a NATO, assim com outras áreas inerentes ao funcionamento e missão da Organização, têm tido um enquadramento doutrinário evolutivo, que tem evitado rupturas e momentos de indecisão.

 

Esta, aliás, tem sido uma das principais virtudes de NATO desde o fim da Guerra Fria. Uma dinâmica que não se tem verificado noutras organizações internacionais, nomeadamente a ONU.

 

Para quem conheça minimamente a Aliança, sabe que nos seus corredores, seja no NATO Headquarter, em Bruxelas, no SHAPE, em Mons, ou no Joint Headquarter em Oeiras, tem-se discutido e debatido ao longo dos anos possíveis abordagens e paradigmas para a Aliança responder às ameaças difusas e assimétricas, com o contributo de inúmeros militares e civis de diferentes países.

 

Embora seja no SACT, em Norfolk, que resida a função de elaborar a doutrina da NATO, algo que aliás ficou bem definido no Conceito Estratégico de 1999, a Aliança tem revelado bastante vivacidade em toda a sua estrutura, no que diz respeito à capacidade de produzir ideias e conceitos que possam responder aos desafios emergentes. Uma resposta que já vem de trás e reforçada agora em Lisboa.

 

Por exemplo, poucas pessoas saberão ou estarão recordadas que a primeira vez que a Força de Resposta Rápida da NATO (NRF) interveio de forma significativa, já num contexto de novos desafios e realidades, foi em Outubro de 2005 no apoio às vítimas do terramoto no Paquistão. E dois meses antes, através de aviões da NRF, foram distribuídos mantimentos doados por Estados-membros e parceiros para as vítimas do furacão Katrina no sul dos Estados Unidos.

 

E em 2004, elementos da NRF tinham ajudado a proteger os Jogos Olímpicos de Atenas e prestado apoio nas eleições no Afeganistão em Setembro desse ano.

 

Dotada de interoperacionalidade entre as várias forças militares, com capacidade de mobilização em poucos dias para qualquer cenário em diferentes partes do mundo, a NRF foi uma resposta às novas tipologias de conflitos e de crises.  

 

Algo que a União Europeia tentou implementar através da criação da Força Reacção Rápida (RRF), decidida em Dezembro de 1999, prevendo ter 60 mil homens, 400 navios, e 100 aviões, mas que só em 2007 se tornou formalmente operacional, embora longe de corresponder no terreno ao que foi inicialmente traçado.

 

Post publicado originalmente no Albergue Espanhol

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 21:28
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Sábado, 20 de Novembro de 2010

O novo conceito estratégico da NATO

 

O Diplomata deixa aqui o novo Conceito Estratégico para a Defesa e Segurança dos Estados Membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, adoptado esta Sexta-feira pelos Chefes de Estado e de Governo da Aliança.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 00:01
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Domingo, 2 de Agosto de 2009

Afeganistão e Conceito Estratégico, os grandes desafios do novo líder da NATO

 

 

Anders Fogh Rasmussen acabou de tomar posse como Secretário Geral da NATO, deixando assim o cargo de primeiro-ministro da Dinamarca que ocupou entre 2001 e 2009. Aos 56 anos, Rasmussen substitui o holandês Jaap de Hoop Scheffer, uma figura discreta que esteve longe de ocupar o espaço político que os seu antecessores Lord Robertson e Javier Solana tinham conquistado.

 

Rasmussen, que contou com algumas resistências por parte da Turquia para a sua nomeação na cimeira de Estrasburgo/Khel em Abril, tendo em conta as posições de apoio manifestadas por aquele à publicação dos polémicos dos cartoons de Maomé em 2005 num jornal dinamarquês, assume agora os desígnios da Aliança, numa altura em que esta enfrenta um importante desafio no Afeganistão.

 

Ao contrário de Jaap de Hoop Scheffer, Rasmussen é uma pessoa de perfil político bastante vincado, com ideias claras quanto aos seus alinhamentos ideológicos e muito mais familiarizado com os meios de comunicação social. A sua experiência internacional e as suas capacidades diplomáticas são pontos a favor de um homem mais colado à direita do que ao centro político.

 

Rasmussen tem sido um apoiante entusiasta das missões militares internacionais no Iraque e no Afeganistão, neste caso sob comando NATO, para a qual até contribuiu com 700 homens enquanto chefe do Governo dinamarquês.

  

Na Terça-feira, Rasmussen irá presidir à sua primeira reunião do Conselho do Atlântico Norte, iniciando deste modo um mandato de cinco que anos.

 

O Afeganistão é um tema que transita do mandato de Jaap de Hoop Scheffer para o de Rasmussen, devendo ser talvez o seu principal desafio. O novo secretário geral terá ainda a exigente tarefa de elaborar um novo Conceito Estratégico para a Aliança, que será aprovado na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo que se realizará em Portugal. 

 

Quanto aos processos de adesão de novos países, manter-se-á uma política de continuidade, na qual Rasmussen deverá ter apenas que gerir compromissos assumidos e conduzir alguns dossiers, entretanto, já abertos.  

 

Interessante é o facto de Rasmussen ter referido este Sábado, numa entrevista ao diário dinamarquês Politiken, que um dos objectivos do seu mandato é promover uma aproximação da Aliança ao mundo muçulmano, estando estas declarações a ser interpretadas como uma forma do novo secretário geral tentar atenuar os danos causados com a polémica dos cartoons de Maomé. Rasmussen acrescenta ainda que está disposto a negociar com talibans moderados de modo a alcançar uma solução no Afeganistão.

  

Publicado por Alexandre Guerra às 19:58
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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