Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Israel aproveita irrelevância política de Mahmoud Abbas e aprova mais colonatos

 

O anúncio recente feito pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, dando conta de que não se iria recandidatar nas eleições previstas para Janeiro, foi interpretado por alguns analistas como uma forma de pressão sobre Israel e sobre Washington, para que desbloqueassem o processo negocial, entretanto caído em mais um impasse.

 
Efectivamente, em política, nomeadamente naquela que lida com as grandes questões internacionais, esta é uma leitura que poderia ser feita, no entanto, Abbas nunca foi um homem de grandes manobras de bastidores. Ao contrário do seu antecessor, Abbas tem revelado uma certa sinceridade e, até mesmo, ingenuidade na forma como tem lidado com Israel.
 
Ora, este tipo de comportamento numa conjuntura como aquela que se vive há décadas no Médio Oriente não parece colher grandes frutos na hora de se exercer poder e influência na mesa das negociações. Aliás, a atitude de Abbas, que humanamente pode ser muito louvável, em termos políticos é desastrosa, fragilizando-o, ao ponto de Telavive ter assumido a sua agenda estratégica nos últimos anos sem ponderar qualquer tipo de contacto com Abbas. De tal forma, que Israel suspendeu unilateralmente o processo negocial e seguiu tranquilamente com a sua agenda de expansão de colonatos.
 
Mahmoud Abbas tornou-se, assim, uma figura meramente decorativa para Israel e, de certa forma, também para uma parte considerável dos territórios ocupados, nomeadamente na Faixa de Gaza. Até mesmo Washington, Moscovo ou Bruxelas parecem olhar para Abbas sem qualquer confiança quanto à sua autoridade e influência negocial. O Presidente da Autoridade Palestiniana terá percebido isso há algum tempo e, claramente, chegou o momento em que optou por sair de cena.
 
A sua irrelevância política face a Israel tem sido comprovada reiteradamente, tendo o Ministério do Interior israelita acabado de aprovar o licenciamento para a construção de mais 900 unidades habitacionais num dos colonatos hebraicos a leste de Jerusalém. Perante isto, Abbas limitou-se a comunicar, através do seu porta-voz, que “Israel deu mais um passo no sentido de demonstrar que não está pronto para a paz”.
 
Publicado por Alexandre Guerra às 19:12
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Percepções de quem não acredita na criação de um Estado nos próximos cinco anos

 

 

Mahmud Hams/Agence France-Presse/Getty Images

 

Khalil Shikaki, director do Palestinian Center for Policy and Survey Research, escreveu, em artigo de opinião no New York Times, que o apoio popular na Palestina a ataques armados contra judeus civis em território  israelita tem vindo a aumentar consideravelmente. De tal forma, que os índices de hoje são mais elevados do que em 2005, o que não deixa de ser algo surpreendente, tendo em conta que naquele ano ainda estava a decorrer a intifada de al-Aqsa. 

 

O Diplomata desconhecia estes dados mais recentes, mas tendo em conta o prestígio de Shikaki, talvez o especialista mais credível palestiniano em termos de estudos de opinião e de sondagens, não existem razões para duvidar da informação que agora divulga.

 

Perante aquilo que Shikaki escreveu nas páginas do NYT, o Diplomata foi à descoberta do estudo para tentar compreender as razões que sustentam a opinião dos palestinianos. Uma das explicações poderá estar no facto do inquérito ter sido realizado entre 5 e 7 de Março na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, poucas semanas após o fim dos ataques israelitas naquele enclave.

 

É bastante provável que o conflito de 22 dias na Faixa de Gaza tenha alimentado o sentimento anti-israelita para níveis muito altos. Mas, o estudo de opinião apresenta outras conclusões igualmente bastante preocupantes quanto à percepção da opinião pública palestiniana.

 

O Hamas e o seu líder em Gaza, Ismail Haniyeh, parecem estar a fortalecer a sua popularidade junto dos palestinianos, ao mesmo tempo que a Fatah e o Presidente Mahmoud Abbas estão a perder influência. Também o moderado primeiro-ministro Salam Fayyad, que o Diplomata conheceu e entrevistou há uns anos em Gaza, vê a sua legitimidade a decrescer.

 

Apesar desta tendência na opinião pública, a Fatah continua a verificar valores de popularidade mais elevados que o Hamas, sobretudo devido à forte implantação da primeira na Cisjordânia. Porém, se fossem realizadas neste momento eleições presidenciais, Haniyeh ganharia com 47 por cento dos votos contra os 45 por cento de Mahmoud Abbas.  

 

Curiosamente, Haniyeh, embora sendo do Hamas, é mais popular na Cisjordânia do que Abbas. Este, por sua vez, receberia mais votos na Faixa de Gaza do que o primeiro. Aqui, a explicação poder-se-á encontrar na predisposição mais primária dos eleitores em criticarem os seus líderes mais directos: Abbas na Cisjordânia e Haniyeh na Faixa de Gaza.

 

Sobre o processo de paz as conclusões são igualmente pessimistas. 73 por cento dos palestinianos têm poucas expectativas sobre a possibilidade de nos próximos cinco anos ser criado  um Estado palestiniano independente.

 

Quando se associa a política israelita ao processo de paz, 70 por cento dos palestinianos não vislumbra diferenças entre os partidos da direita, do centro ou da esquerda.

 

O Diplomata vai voltar a este estudo para falar sobre uma outra personagem palestiniana, sem dúvida a mais popular desde que Yasser Arafat morreu, e que entretanto está cumprir pena perpétua numa cadeia israelita: Marwan Barghouti

  

Publicado por Alexandre Guerra às 09:08
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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