Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

Lançado há dois anos

 

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Faz esta Quinta-feira dois anos que lancei este livro. É um daqueles projectos que nos enche de satisfação e orgulho. Baseado na minha tese de mestrado, sob orientação dos já falecidos Hermínio Martins (St. Antony College, Oxford University) e João Bettencourt da Câmara (ISCSP), o livro apela à reflexão de novas temáticas fracturantes, muito longe das prioridades imediatas das agendas mediáticas e ausentes do pensamento quotidiano das pessoas. Mas que ninguém duvide, serão estes os temas de um futuro próximo que vão alterar a nossa própria concepção de Humanidade. É precisamente sobre isso que Durão Barroso, antigo primeiro-ministro português e presidente da Comissão Europeia, se questiona na contra-capa do livro: "O extraordinário progresso da investigação científica no domínio da genética e das biotecnologias suscita questões éticas essenciais. Como é que diferentes sociedades, ideologias, sistemas ou regimes políticos se posicionam diante de tão 'fracturantes' matérias?" 

 

A resposta não é fácil, perante uma temática complexa que nos leva pela primeira vez a questionar a condição do Homem enquanto ser biológico e não apenas social. Mas, como escreve Viriato Soromenho-Marques no prefácio do livro: "Não há respostas fáceis, perante a dificuldade e complexidade das quesões. É preciso estudar. Com coragem e espírito aberto. É esse o convite deste ensaio."

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 12:32
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018

Histórias de quem viveu a guerra na sua plenitude

 

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Quando estive há cerca de dois meses na Bósnia, conheci um jovem guia, que está a tirar o doutoramento numa universidade de Ancara e que tem estado envolvido no museu de Srebenica. Este projecto ocupa as antigas instalações do que foi o então quartel-general do tristemente célebre contingente holandês ao serviço da UNPROFOR, localizado em Potacari, a poucos quilómetros da vila de Srebrenica, que viu serem assassinados de forma sistemática mais de oito mil bósnios muçulmanos (bosniaks), entre 11 e 16 de Julho de 1995, sob os ordens militares do general sérvio Ratko Mladic. A meio de uma das conversas que tive com Jasko, fiquei impressionado com o conhecimento que detinha sobre a presença portuguesa nas missões da ONU e NATO. Apesar de ele não ter mais de 30 anos, tinha bem presente a boa prestação que o contingente português teve ao serviço da força de manutenção de paz da NATO (IFOR), em 1996, cujo objectivo era a “implementação” das linhas dos Acordos de Dayton (1995). Tratava-se da primeira projecção de forças militares nacionais em larga escala desde o fim da Guerra Colonial.

 

Já antes, em pleno conflito nos Balcãs, Portugal teve uma participação muito limitada, mas importante, na missão UNPROFOR (United Nations Protection Force), destacando para a Bósnia e Croácia, entre 1992 e 1995, um pequeno grupo de “observadores militares” não armados de capitães e majores do Exército e Força Aérea. Esta operação acabou por ser uma extensão da missão europeia de verificação do cessar-fogo entre a recém-proclamada independente Eslovénia e a (ainda) Federação da Jugoslávia. Quando a Missão de Monitorização da CEE/UE deu lugar à força da ONU, os primeiros capacetes azuis portugueses chegaram no primeiro trimestre de 1992. Nesse primeiro momento, foram apenas cinco “observadores” integrados na United Nations Military Observation (UNMO), um ramo da UNPROFOR.

 

Entre 1992 e 1995, tempo do mandato da UNPROFOR, Portugal foi mantendo “observadores” no terreno, que iam desempenhando missões diárias que, embora não sendo de perfil militar puro e duro, se revelaram de enorme importância na criação de um clima de confiança no seio das populações tocadas pelos soldados nacionais. Como se pode ler na introdução do recente livro “A Guerra na Antiga Jugoslávia Vivida na Primeira Pessoa” (Colibri, Maio de 2018), coordenado pelos militares Carlos Branco, Henrique Santos e Luís Eduardo Saraiva, os observadores “viveram com a população em locais recônditos com quem partilharam o infortúnio. Sentiram o pulsar das comunidades onde estavam inseridos, conheceram os seus dramas em primeira mão. Pisaram minas, foram atingidos com estilhaços de granadas, tiveram acidentes de viatura, estiveram nas miras dos snipers, em zonas de morte, foram vítimas de ataques e assaltos, supervisionaram a troca de cadáveres e de prisioneiros de guerra. Foram testemunhas em primeira mão de violação de acordos. Sofreram a prisão e interrogatórios agressivos. Viveram em condições precárias, por vezes, sem electricidade, sem água corrente, aquecimento ou vidros nas janelas, oq eu se tornou numa minudência para que estava diariamente debaixo de fogo de morteiros de artilharia.

 

Foram ainda apanhados entre fogos cruzados, controlaram o tráfego aéreo, lidaram diariamente com as facções, pediram evacuações médicas, e tiveram de tomar decisões eticamente difíceis, algumas delas com consequências dramáticas. Testemunharam em directo o sofrimento. Viveram as agruras da guerra na sua plenitude.

 

São estes testemunhos que agora podem ser lidos num livro que reúne textos (em português e inglês) de militares que fizeram parte da UNMO. Com prefácio do embaixador José Cutileiro, este livro é um contributo inestimável para o conhecimento de quem se interessa pelo conflito da antiga Jugoslávia, que tantas marcas geopolíticas deixou naquela região da Europa. Mas é também uma janela para se perceber de que forma a “experiência jugoslava” marcou um novo período na projecção internacional das Forças Armadas Portuguesas no âmbito de nova ordem sistémica... Mais cosmopolita, interdependente e difusa.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:10
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

O despacho...

 

"Houve alguém que disse que o combate é 99 por cento de tédio absoluto e 1 por cento de terror absoluto. Mas quem disse isso não estava na Polícia Militar no Iraque. Sempre que andava na estrada, eu ficava aterrorizado. Talvez não fosse terror absoluto. Isso é quando explode uma bomba. Mas era uma espécie de terror em segundo grau misturado com tédio. Portanto, é 50 por cento de tédio e 49 por cento de terror normal, que é a sensação de que podemos morrer a qualquer momento e que toda a gente daquele país quer matar-nos. E, claro, depois há 1 por cento de terror absoluto, quando o coração dispara, deixamos de ver, ficamos com as mãos brancas e o corpo todo a tinir. Não se consegue pensar. Somos animais que fazemos o que nos treinaram para fazermos. E, depois, voltamos ao terror normal e voltamos a ser humanos e voltamos a pensar."

 

Palavras do personagem primeiro-cabo Suba no livro "Desmobilizados" (Elsinore, 2015) de Phil Klay, o "melhor já escrito sobre o que a guerra faz à alma das pessoas", segundo o The New York Times Book Review.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 15:40
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016

Já está nas bancas

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 15:44
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

O Diplomata convida...

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 19:18
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

Luís Delgado, Bernardo Ferrão e Joana Amaral Dias, hoje, n'O Bom, o Mau e o Vilão

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 12:35
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Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Lançamento do livro "Insondáveis Sondagens"

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 15:03
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

Um livro obrigatório na comunicação política

 

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David Axelrod, um dos homens de maior confiança de Barack Obama e um dos principais responsáveis pelo seu sucesso eleitoral em 2008, está prestes a publicar um livro sobre a sua experiência profissional enquanto consultor de comunicação na área da política, onde fez mais de 150 campanhas. Um livro obrigatório para quem trabalha e gosta de comunicação política.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:40
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Sábado, 28 de Maio de 2011

A história de um livro que marcou a História

 

 

 

O livro “Mein Kampf – História de um livro”, editado recentemente pelas Publicações Europa-América e da autoria do jornalista e realizador de documentários, Antoine Vitkine, começa com uma informação que talvez poucos saibam: O líder nazi, Adolf Hitler, registava a sua profissão como “escritor” nos formulários dos impostos dirigidos à administração fiscal alemã.

 

Embora não se possa dizer que Hitler tenha sido um homem de literatura, ironicamente foi o autor de um dos livros mais conhecidos e vendidos de sempre.

 

A sua história (do “Mein Kampf”) começa em 1923 com a condenação de Hitler por tentativa de um golpe de Estado que o levou a passar alguns meses no forte de Landsberg.

 

O importante neste livro agora lançado pela Europa-América é proporcionar ao leitor toda a história de “Mein Kampf”, “repleta de zonas sombrias” e que são agora reveladas. Vitkine pretende também dar novas perspectivas sobre alguns aspectos do livro e que têm sido pouco referidos, tais como os contornos específicos em que foi escrito numa “cela modesta”, as suas implicações doutrinárias e políticas ou, por exemplo, a aceitação daquela obra no pós-45.

 

“Ainda antes da subida do seu autor ao poder, em 1933, ‘Mein Kampf’ foi adquirido por milhares de pessoas”, o que demonstra que o livro viveu por si próprio, não tendo o seu sucesso inicial se ficado a dever à notoriedade (inexistente) de Hitler.

 

Durante o III Reich foram impressos 12 milhões de exemplares do “Mein Kampf” e ainda hoje continua a ser um sucesso de vendas em muitos países. Segundo alguns dados disponibilizados no livro de Vitkine, só na versão inglesa são vendidos cerca de 20 mil exemplares por ano. Em França, apesar das restrições legais, a obra é igualmente distribuída por um editor, sempre no estrito cumprimento da lei. Na Turquia, por exemplo, o “Mein Kampf” chegou a vender 80 mil exemplares por ano, colocando-o no topo dos livros mais vendidos. Também em países como a Índia, a Rússia, o Egipto ou o Líbano se verifica uma procura substancial daquela obra.

 

Como refere Vitkine, “pode parecer inaceitável, mas é a mais pura das verdades: 80 anos após a sua escrita, passadas décadas da descoberta dos campos de concentração nazis, ‘Mein Kampf’ continua ainda a ter voz”.

 

Apenas uma curiosidade, o "Mein Kampf" chegou a ser impresso em braile.

 

Fica aqui mais uma sugestão do Diplomata, nesta nova rubrica de divulgação e de análise de livros lançados no mercado português que, de forma mais ou directa, possam estar relacionados com as temáticas abordadas neste espaço.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:55
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Loureiro dos Santos actualiza "apontamentos para militares" sobre a História da Guerra

 

 

O Diplomata inicia com este texto uma nova rubrica de divulgação e de análise de livros lançados no mercado português que, de forma mais ou directa, possam estar relacionados com as temáticas abordadas neste espaço.

 

E, nesse sentido, as Publicações Europa-América, reputada e prestigiada editora, aceitaram o desafio lançado pelo Diplomata, tendo já feito chegar três novidades editoriais que serão aqui referidas durante os próximos dias.

 

O autor destas linhas informa ainda que a editora Caminho também já se disponibilizou para contribuir com novas obras que possam interessar aos leitores do Diplomata.

 

O primeiro livro aqui apresentado é da autoria do general Loureiro dos Santos e foi lançado pelas Publicações Europa-América, em Dezembro, com o apoio do Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM).

 

Loureiro dos Santos, que já tem uma longa obra publicada, com destaque para as suas Reflexões Sobre Estratégia da Europa-América, voltou a publicar recentemente por aquela editora, a “História Concisa de Como Se Faz a Guerra”, uma reedição actualizada dos “Apontamento de História para Militares”.

 

Este livro tinha sido publicado em 1979 e reunia as aulas dadas por Loureiro dos Santos de 1976 a 1978 no então Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM) do Exército.

 

Como o próprio autor escreve, “o tempo passou” e “trinta e um anos depois de sair a sua primeira edição (…) teve lugar uma autêntica revolução na forma de fazer a guerra”.

 

O livro agora publicado contém muito do material incluído na obra de 1979, visto “muitas das características da guerra actual já se verificarem no último período descrito”, no entanto, “surgiram aspectos novos, alguns dos quais verdadeiramente imprevisíveis naquela época”. O leitor vai poder assim encontrar uma capítulo totalmente novo dedicado à “era da informação”.

 

O antigo ministro da Defesa dos IV e V governos constitucionais e ex-Chefe do Estado Maior do Exército é um dos mais conceituados investigadores portugueses no âmbito da polemologia (estudo da guerra).

 

A “História Concisa de Como Se Faz a Guerra” é, assim, um excelente manual para estudantes, já que o livro original tinha sido escrito propositadamente para militares e para o apoio às suas aulas e estudo.

 

É igualmente uma excelente resposta para quem procura um enquadramento histórico e doutrinário sobre o fenómeno da guerra. Não é uma obra densa, mas é esclarecedora ao abordar os vários períodos da “história da guerra”, começando por relacionar o indivíduo e o ambiente e acabando na análise aos mais recentes conflitos.

 

Mas, um dos aspectos mais interessantes deste livro é proporcionar ao leitor uma narrativa coerente sobre o impacto da guerra nas diferentes sociedades ao longo da História da Humanidade.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:02
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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