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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

Lisboa de 1940, uma cidade recomendável para espiões

Alexandre Guerra, 09.04.14

 

No segundo episódio da nova série biográfica, Fleming: The Man Who Would Be Bond, o Almirante John Godfrey, director da "Naval Intelligence" da Royal Navy, recebe Ian Fleming em Lisboa no ano de 1940: 

"Bem vindo à maldita Lisboa. Território neutro e a encruzilhada do mundo. Está nitidamente cheia de nazis. Todo o tipo de refugiados, traidores, fascistas, comerciantes de armas e do mercado negro."

"Já estou a gostar", diz Fleming.

 

Lisboa e Luanda distraem-se com "recados" e não previram escalada em Moçambique

Alexandre Guerra, 22.10.13

 

Enquanto Lisboa e Luanda andavam entretidas a trocar "recados" infantis, em Moçambique vivia-se uma autêntica escalada de conflito, que culminou esta Segunda-feira no fim unilateral, por parte da Renamo, do acordo de paz de 1992. Esta decisão surgiu depois das Forças Armadas terem atacado a base do principal partido da oposição liderado pelo histórico Afonso Dhlakama.

 

Além daquela declaração política, os homens da Renamo ripostaram com um ataque militar a um posto da polícia em Maríngue, na província de Sofala, que nos últimos meses tem vivido momentos de violência e bastante tensão entre forças afectas à Renamo e tropas governamentais.

 

Desde há alguns meses que a tensão era latente em Moçambique entre as fileiras da Renamo e a Frelimo, partido do Governo, tendo o Diplomata chamado a atenção para esse facto em Abril último. No entanto, poucos ou nenhuns esforços internacionais, nomeadamente no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), foram encetados para tentar resolver aquilo que era uma situações potencialmente desestabilizadora no frágil mas promissor processo de pacificação.

 

Na altura, o escrevia-se aqui o seguinte: "Para já, é apenas uma suposição do Diplomata, mas os acontecimentos dos últimos dias na província de Sofala vão muito além de meros incidentes entre militantes da Renamo e forças do Estado afectas à Frelimo." 

 

Tudo se torna agora mais preocupante, quando é o próprio porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, a afirmar hoje à AFP que Dhlakama "perdeu o controlo da situação e não podem responsabilizá-lo pelo que está agora a passar-se”, já que os rebeldes daquele movimento estão a agir por sua conta e risco. 

 

É incompreensível e lamentável que tanto Angola como Portugal não tivessem antecipado este problema e dado uma resposta preventiva cabal, por modo a evitar-se chegar a este ponto. E, como já aqui ficou demonstrado, tanto Luanda como Lisboa não podem alegar falta de conhecimento do que se passava no terreno para justificar a sua inacção diplomática.

 

A diplomacia portuguesa, liderada pelo inábil Rui Machete, limita-se a enviar um comunicado inócuo para as redacções, fazendos "votos" que Moçambique regresse a um quadro de normalidade e que prossiga no "caminho do desenvolvimento económico e do progresso social". Luanda, talvez mais ocupada com as incursões em solo do Congo Brazzaville e da República Democrática do Congo, não tomou qualquer posição digna desse nome em relação ao que se tem passado em Moçambique nos últimos meses.


Mas, para lá do nível bilateral, era no âmbito multilateral da CPLP que deveria ter sido forjada uma solução diplomática. Tal não aconteceu. E neste capítulo, ao não assumir uma voz activa nesta crise moçambicana, enquanto potência regional, Angola está a admitir implicitamente a sua incapacidade política-diplomática para intervir junto dos actores moçambicanos. Quanto a Portugal, pode tentar suscitar no seio da CPLP uma declaração comum que se concretize numa acção negocial em Moçambique.


Não é só em Lisboa...em Washington também andam a brincar à política, diz Kristof

Alexandre Guerra, 13.04.11

 

O republicano Paul Ryan, presidente da Comissão do Orçamento do Congresso, tem estado em grande actividade nos últimos dias/Foto:AP

 

"Não se percebe bem por onde andam os adultos, mas em Washington não devem andar. Além da ameaça maliciosa de fechar a administração federal, evitada apenas ao último minuto de Sexta-feira à noite, é doloroso ver a que ponto o discurso político é imbecil e incompetente e os nossos políticos são cobardes. [...] Que significa tudo isto? Que estamos a ser governados por crianças egocêntricas e imprudentes. [...] Um amigo chinês, perplexo com as últimas notícias, perguntava-me como é possível que a maior democracia do mundo seja tão mal administrada que se ponha sequer a hipótese de fechar portas. A guerra orçamental reflecte uma falta de inteligência, uma incompetência e uma cobardia de facto difíceis de explicar."

 

Nicholas Kristof em artigo de opinião no New York Times publicado esta Quarta-feira no jornal i.