Domingo, 2 de Agosto de 2009

Afeganistão e Conceito Estratégico, os grandes desafios do novo líder da NATO

 

 

Anders Fogh Rasmussen acabou de tomar posse como Secretário Geral da NATO, deixando assim o cargo de primeiro-ministro da Dinamarca que ocupou entre 2001 e 2009. Aos 56 anos, Rasmussen substitui o holandês Jaap de Hoop Scheffer, uma figura discreta que esteve longe de ocupar o espaço político que os seu antecessores Lord Robertson e Javier Solana tinham conquistado.

 

Rasmussen, que contou com algumas resistências por parte da Turquia para a sua nomeação na cimeira de Estrasburgo/Khel em Abril, tendo em conta as posições de apoio manifestadas por aquele à publicação dos polémicos dos cartoons de Maomé em 2005 num jornal dinamarquês, assume agora os desígnios da Aliança, numa altura em que esta enfrenta um importante desafio no Afeganistão.

 

Ao contrário de Jaap de Hoop Scheffer, Rasmussen é uma pessoa de perfil político bastante vincado, com ideias claras quanto aos seus alinhamentos ideológicos e muito mais familiarizado com os meios de comunicação social. A sua experiência internacional e as suas capacidades diplomáticas são pontos a favor de um homem mais colado à direita do que ao centro político.

 

Rasmussen tem sido um apoiante entusiasta das missões militares internacionais no Iraque e no Afeganistão, neste caso sob comando NATO, para a qual até contribuiu com 700 homens enquanto chefe do Governo dinamarquês.

  

Na Terça-feira, Rasmussen irá presidir à sua primeira reunião do Conselho do Atlântico Norte, iniciando deste modo um mandato de cinco que anos.

 

O Afeganistão é um tema que transita do mandato de Jaap de Hoop Scheffer para o de Rasmussen, devendo ser talvez o seu principal desafio. O novo secretário geral terá ainda a exigente tarefa de elaborar um novo Conceito Estratégico para a Aliança, que será aprovado na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo que se realizará em Portugal. 

 

Quanto aos processos de adesão de novos países, manter-se-á uma política de continuidade, na qual Rasmussen deverá ter apenas que gerir compromissos assumidos e conduzir alguns dossiers, entretanto, já abertos.  

 

Interessante é o facto de Rasmussen ter referido este Sábado, numa entrevista ao diário dinamarquês Politiken, que um dos objectivos do seu mandato é promover uma aproximação da Aliança ao mundo muçulmano, estando estas declarações a ser interpretadas como uma forma do novo secretário geral tentar atenuar os danos causados com a polémica dos cartoons de Maomé. Rasmussen acrescenta ainda que está disposto a negociar com talibans moderados de modo a alcançar uma solução no Afeganistão.

  

Publicado por Alexandre Guerra às 19:58
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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