Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

A percepção do terror

 

Por mais que custe admiti-lo, o Estado Islâmico (ISIS) tem sido muito eficaz na propagação do terror, ou melhor dizendo, na propagação de uma sensação de terror a uma orla cada vez mais distendida e que já se aproxima, perigosamente, da costa do sul da Europa. E o problema é que basta um atentado para que o ISIS coloque em causa um dos bens mais preciosos de países como a Tunísia: a sua relativa estabilidade de segurança. De facto, a Tunísia, no conjunto dos países do Magreb, sempre foi aquele que melhores condições de segurança apresentou, um vector essencial para a dinamização do turismo e que, aliás, cativou ao longo dos últimos anos muitos portugueses. Ali, com um voo de pouco mais de duas horas entre Lisboa e Tunis, já podiam encontrar um "cheirinho" da cultura árabe, boas praias, bons hotéis, costumes relativamente ocidentalizados e...segurança. Até ontem.

 

Essa estabilidade de que a Tunísia gozava até ontem (excepto durante aquele período mais conturbado da fantasiosa "Primavera Árabe" e de um atetntado mais recente) é hoje uma miragem, não necessariamente em termos objectivos e de segurança, mas naquilo que é a percepção das pessoas. Na verdade, a Tunísia será nos próximos dias um dos países mais vigiados e seguros do mundo, mas não é por isso que milhares de turistas cancelaram as suas férias e tentam regressar a casa.  

 

Este ataque na Tunísia deve alertar as consciências dos líderes políticos de Portugal, Espanha e França, cujas suas costas do sul são fortes atractivos turísticos e, nalguns casos, estão a relativos poucos quilómetros do norte de África.  Porque, qualquer estratego do ISIS saberá que um atentando numa praia do Algarve, da Costa do Sol ou da Côte d'Azur é o suficiente para, além das consequências humanas directas, inflingir danos douradouros na imagem de tranquilidade e calmaria que estes locais hoje em dia representam para milhares de turistas. E como foi dito acima, bastava um atentado, mesmo sem vítimas, para que os objectivos do ISIS se revelassem cumpridos. A percepção mudaria...

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:53
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Um "puzzle" difícil de montar

 

O leitor repare no seguinte "puzzle" geoestratégico: por um lado, os rebeldes curdos sírios apelam ao Governo de Ancara para apoiá-los militarmente na defesa da cidade de Kobani (cidade síria contígua à fronteira sudoeste turca) contra os militantes do Estado Islâmico (ISIS), algo que a Turquia até estaria disposta a fazer, caso os Estados Unidos decidissem por uma intervenção terrestre; por outro lado, ontem, caças F-16 e F-4 turcos bombardearam posições dos guerrilheiros curdos do PKK na província de Hakkari, junto à fronteira do Iraque.

 

Contradições próprias da guerra? Talvez, mas de certa forma compreensíveis à luz daquilo que é a "grande zona cinzenta" das Relações Internacionais. É importante não esquecer que, desde há cerca de três décadas, o Estado turco trava um combate interno com o movimento curdo do PKK, que luta pela independência do Curdistão, na região sudeste da Turquia. Teoricamente, aquilo que poderia ser o "grande" Curdistão incluiria zonas do norte do Iraque e da Síria, onde existem grandes comunidades curdas e que, neste momento, são o principal pilar de resistência aos combatentes do Estado Islâmico naquelas áreas.

 

Sendo o ISIS uma ameaça para todos, sem excepção, começaram a desenvolver-se algumas alianças tácitas, mais ou menos camufladas, mais ou menos improváveis, tais como a de soldados e mercenários americanos a combatentes iranianos na Síria. Outra dessas alianças, seria entre o Governo turco e os rebeldes curdos da Síria, no entanto, Ancara rejeita, para já, qualquer intervenção em Kobani. Uma rejeição que estará a deixar os curdos do PKK revoltados com as autoridades turcas, ao ponto destas terem respondido com os bombardeamentos acima referidos.

 

Neste momento, a questão é saber até quando conseguirá a Turquia manter-se militarmente fora deste conflito, sendo que o mesmo está a decorrer literalmente às suas portas. Além de exigir uma operação militar terrestre, Ancara já fez saber que só intervirá se os EUA definirem também como alvo o regime sírio de Bashar al-Assad. 

 

Ora, para já, Washington parece menos interessada em fazer cair Bashar al-Assad, uma vez que os soldados governamentais sírios são fundamentais no combate aos guerrilheiros do Estado Islâmico dentro da Síria, onde reside o seu principal foco de actividade. 

 

Perante estas variáveis todas e condicionantes, não é de estranhar que o Estado Islâmico tenha conseguido conquistar uma importante área daquela região do Médio Oriente em relativamente pouco tempo e que agora esteja a ser muito complicado expelir aquela estrutura de extensas zonas da Síria e do Iraque.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:16
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

A simbologia de Kobani

 

Bandeira do ISIS hasteada na parte oriental da cidade de Kobani/Foto: Lefteris Pitarakis/AP

 

Kobani, cidade síria fronteiriça que avista do outro lado a localidade turca de Suruc, é por estes dias palco de um combate intenso entre os militantes do Estado Islâmico (ISIS) e os resistentes curdos, que têm o apoio dos ataques da aviação americana. Do lado turco, Ancara mobilizou tropas e meios militares, que estão a menos de um quilómetro a vigiar a situação, em alerta máximo, perante uma possível entrada dos homens do ISIS na Turquia.

 

Os relatos veiculados pela imprensa internacional dão conta dos avanços do ISIS nalgumas zonas da cidade, no entanto, Kobani ainda não caiu nas suas mãos.

 

Esta cidade tornou-se um símbolo importante na estratégia delineada pelos Estados Unidos, porque o seu destino estará, de certa forma, associado à percepção que se poderá ter do sucesso, ou não, da campanha que Washington está a levar a cabo na Síria. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:34
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Os outros números da guerra

 

As contas mais recentes apontam para mil milhões de dólares gastos até ao momento com a operação militar que os Estados Unidos estão a desenvolver no Iraque e na Síria desde Agosto contra o Estado Islâmico (ISIS). São valores do Center for Strategic and Budgetary Assessment (CSBA), que podem subir para 1,8 mil milhões por mês, caso Washington decida aumentar para 25 mil o número de soldados no terreno e a intensidade da operação aérea.

 

Até ao momento, as operações militares norte-americanas têm-se limitado a acções aéreas, com uma presença terrestre tímida de um staff de 1600 homens, sobretudo ao nível de apoio de decisão e de aconselhamento. Se tudo se mantiver neste nível, daqui por diante está-se a falar num custo mensal entre 200 milhões a 320 milhões. O que é certo é que pelo menos mil milhões já estão contabilizados em apenas dois meses.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:25
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Os ataques aéreos americanos contra o Estado Islâmico entram numa nova fase

 

Fonte BBC NEWS

 

Os Estados Unidos lançaram hoje o primeiro ataque sobre posições do Estado Islâmico (ISIS) no Iraque ao abrigo do novo plano apresentado há dias pelo Presidente Barack Obama. Mas, já nas semanas anteriores, os caças bombardeiros americanos atacaram bastiões do ISIS.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 11:23
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Como se organiza a liderança do Estado Islâmico

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 15:51
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Sentido de oportunidade

 

Perante o anúncio da criação de um califado no Iraque e na Síria, por parte do grupo radical sunita do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS), Israel parece querer aproveitar a dinâmica de desmembramento das nações inimigos, e ontem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apelou à criação de um Estado curdo independente, que iria retirar território à Síria, Irão, Iraque e Turquia. É caso para dizer que Netanyahu teve sentido de oportunidade.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:03
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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