Por esta altura do ano, muitos britânicos, de políticos a outras personalidades da cultura ao desporto, passando pelos cidadãos comuns, ostentam religiosamente na lapela dos seus casacos uma papoila vermelha.
Esta prática não é exclusiva do Reino Unido, estendendo-se a vários países do mundo, com especial incidência aos que pertencem à Commonwealth.
É um gesto de homenagem aos soldados caídos durante a I Guerra Mundial e que está associado ao Dia da Lembrança, a 11 de Novembro, numa alusão ao 11 de Novembro de 1918, data em que foi assinado o Armistício que pôs fim às hostilidades.
A origem da tradição da papoila surgiu dois dias antes daquela importante data, quando a norte-americana Mona Michael, trabalhadora humanitária, inspirada pelo poema “In Flanders Fields”, da autoria do médico militar canadiano John McCrae, colocou no seu casaco uma papoila vermelha e distribuiu outras tantas por ex-combatentes na sede da YMCA em Nova Iorque, onde então trabalhava, em honra dos soldados mortos durante o conflito.
“In Flanders Fields”, considerado um dos poemas mais emblemáticos escritos durante a I GM, descreve a redescoberta da vida nos campos da Flandres com o nascer das papoilas entre as cruzes das campas.
Dois anos mais tarde, a papoila foi oficialmente adoptada pela Legião Americana durante uma conferência internacional, em que estava presente Madame E Guerin, que viu aqui uma oportunidade para angariar fundos de apoio aos órfãos e viúvas dos militares com a venda em massa deste símbolo.
Em 1921 seria a vez da Legião Britânica adoptar oficialmente a papoila nas suas comemorações de homenagem aos soldados mortos na I GM.
Para a História, e já num tom de balanço, é muito provável que 2010 seja um dia lembrado como o “ano dos mercados”. O ano em que estes etéreos e omnipresentes “mercados” passaram a ditar as regras do mundo, suplantando a Política, enquanto arte de governação, com base nas dívidas públicas, nos défices, nos PIB’s, na solvabilidade da banca, nas taxas de esforço e por diante.
Mas por falar em dívidas públicas e responsabilidades financeiras, 2010 ficará também marcado por um acontecimento que passou quase despercebido, mas simbolicamente muito importante, porque encerra um período da História iniciado com a I Guerra Mundial.
No passado mês de Outubro, a Alemanha concluiu o pagamento dos 94 milhões de dólares em dívida pelas reparações financeiras impostas pelo Tratado de Versalhes, em 1919. Poderá parecer um mero pormenor contabilístico, até porque a quantia é irrelevante, mas para muitos historiadores, trata-se de um momento de importante simbolismo, sublinhando que a I GM acabou no passado dia 3 de Outubro.
“É um símbolo. Marca o final da I GM”, disse ao The Christian Science Monitor, Ursula Rombeck-Jaschinski, professora de História Moderna na Universidade de Heinrich-Heine em Duesseldorf. “Prova que a Alemanha está preparada para pagar as suas dívidas 92 anos depois. Mais importante, mostra ainda que a Alemanha de hoje é totalmente diferente da Alemanha dos anos 20 ou 30.”
