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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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Figuras de segunda linha geram consenso pouco habitual entre os Vinte e Sete

Alexandre Guerra, 19.11.09

 

 

A escolha dos nomes para os dois cargos da União Europeia criados com o Tratado de Lisboa foi célere, tendo bastado apenas algumas horas de conferência informal em Bruxelas para que os líderes dos Vinte e Sete nomeassem o primeiro-ministro belga, Herman van Rompuy, para se tornar no primeiro presidente permanente do Conselho da União Europeia, e Catherina Ashton, actual comissária do Comércio, para o cargo de Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança. 

 

De forma estranhamente pacífica e consensual, os líderes europeus nomearam Rompuy e Ashton, após terem passado várias semanas num tom crispado a trocarem diferentes nomes, entre os quais de homens tão influentes ou conhecidos na cena política europeia como Tony Blair, Jean-Claude Junker ou Jan Peter Balkenende.

 

Contra todas as expectativas, os líderes dos Vinte e Sete acabaram por optar por figuras "low profile" na vida política europeia, e terá sido precisamente esse o segredo para o clima de relativa tranquilidade em que decorreu o encontro informal dos chefes de Estado e de Governo. 

 

É preciso também referir que a Suécia, que ocupa actualmente a presidência rotativa da UE, geriu de forma bastante inteligente todo o processo, percebendo que não se chegaria a bom porto se se mantivesse o leque de nomes que foram sendo avançados nas últimas semanas, nomeadamente o de Tony Blair para o cargo de Presidente da UE.

 

Perante este cenário, a Suécia optou pela estratégia inversa e apostou em políticos pouco conhecidos que, de certa forma, têm estado distanciados dos alinhamentos ideológicos e das questões fracturantes que a UE têm vivido nos últimos tempos. 

 

Além disso, a presidência sueca foi sensível aos interesses de Londres, porque não obstante Blair ter perdido a corrida para a presidência da UE, os britânicos acabaram por ser compensados com a pasta dos negócios estrangeiros e da segurança que, segundo alguns analistas, terá mais poder que o próprio cargo de presidente do Conselho.