Terça-feira, 1 de Setembro de 2015

A pergunta que os europeus têm que fazer a si próprios

 

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Uma família de migrantes descansa perto da vedação na fronteira da Sérvia com a Hungria/Foto: Saba Segesvari/AFP/Getty Images 

 

Quem por estes dias andar por Itália e estiver minimamente atento às notícias é confrontado com o drama dos migrantes ilegais, que ocupa a maior parte do tempo dos noticiários e as primeiras páginas dos jornais. A Itália, à semelhança da Grécia e da Hungria, vive um autêntico estado de emergência. É desta forma que as autoridades italianas estão a encarar o problema. E o caso não é para menos.

 

Os governantes italianos têm a noção de que o problema dos migrantes os atinge no "primeiro impacto" e, por isso, as suas entidades marítimas têm sido as principais protagonistas na intercepção e salvamento de cententas de pessoas, todos os dias, nas águas do Mediterrâneo. 

 

Os dois canais televisivos noticiosos da Rai e da Mediaset (equivalentes à RTPI e à SICN) têm estado a fazer "directos" permanentes dos portos da Catânia e de Palermo, sempre que há a informação de que está a chegar mais um navio da marinha ou da guarda costeira italiana com refugiados a bordo. Só na última semana, quase todos os dias chegaram migrantes àqueles dois portos sicilianos, depois de terem sido salvos no Mediterrâneo, mais concretamente nas águas entre a Líbia e a ilha de Sicília.

 

A verdade é que o problema da migração não afecta da mesma maneira os diferentes Estados da União Europeia. A Itália, a Grécia e a Hungria estão hoje na "linha da frente" desta tragédia e, perante uma ausência de resposta concertada ao nível europeu, têm adoptado medidas de curto prazo para fazer face a um problema para o qual ainda não há resposta sustentável e douradora, digna dos valores humanistas que tanto o Velho Continetne apregoa. 

 

Naturalmente que países da União Europeia como a Alemanha, a Áustria, a França, a Suécia, a Dinarmca ou o Reino Unido têm de lidar com este problema num outro nível e, por isso, a chanceler Angela Merkel tem razão ao dizer o óbvio de que tem que se encontrar uma solução comum. A questão é saber se todos os Estados da UE estão dispostos a fazer parte dessa solução. E se estão, até onde estão dispostos a ir? Mas antes, é preciso encontrar um modelo, se se quiser, uma espécie de doutrina sobre a forma de como os europeus se querem relacionar com os seus "vizinhos" de África e do Médio Oriente. Porque, essa é a questão principal. E só com esse novo paradigma, interiorizado pelos lideres e respectivas opiniões públicas, se deve partir para medidas concretas.

 

Deste modo, ninguém pode ou deve criticar a actuação da Itália, da Grécia ou até mesmo da Hungria. Neste momento, estes países estão apenas a reagir a "quente", a fazer aquilo que podem e que acham que é o mais correcto.Trata-se de uma lógica de actuação imediata e sem qualquer perspectiva de alcançar uma solução duradoura. Essa, como já aqui foi referido, terá que ser pensada em termos políticos, históricos e até mesmo filosóficos. Pode parecer estranho, mas no fundo os europeus têm que perguntar a si próprios como vêem e sentem os "outros", aqueles que chegam à Europa vindos de outras paragens, muitas vezes em desespero, sem nada, apenas com a roupa que trazem no corpo.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 22:45
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

Pontes de confiança destruídas

 

A situação na Grécia degrada-se de dia para dia. O banco central grego veio hoje alertar para um cenário dramático, caso não seja alcançado qualquer acordo entre Atenas e os credores internacionais. Aquela instituição utilizou a expressão de "crise incontrolável" para descrever o que pode vir aí, se os dirigentes políticos gregos e restantes parceiros europeus não chegarem a uma solução consensual.

 

E o problema reside aqui mesmo, porque neste momento está instalado um clima de desconfiança e, até mesmo, de engano e de distorção nas negociações em curso entre o primeiro-ministro Alexis Tsipras e o seu principal interlocutor, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. As acusações entre os dois são graves e pouco próprias entre pessoas que fazem parte do mesmo "clube". Juncker chegou mesmo a acusar o Governo grego de estar a dizer coisas aos cidadãos gregos que não foram ditas pelo responsável máximo da Comissão.

 

Ora, há um princípio basilar sem o qual não há qualquer possibilidade de uma negociação ser bem sucedida: a confiança. Sem pontes de confiança é impossível passar-se a uma fase de discussão técnica sobre as questões em causa e, neste momento, essas mesmas pontes parecem estar praticamente destruídas. 

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 17:06
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

A geopolítica da crise grega

 

Para os EUA, a questão da Grécia deixou de ser um assunto meramente europeu sobre “quem paga o quê a quem”, para passar a ser um assunto geoestratégico, a partir do momento em que Atenas, mais concretamente o seu ministro da Defesa, diz que o seu país precisa de um “plano B” e que poderá vir a pedir um empréstimo à Rússia. Aqui, Washington passa a seguir este assunto com toda a atenção, já que a Grécia é, e sempre foi, um importante membro da NATO, sobretudo naquela região da Europa.  

 

É importante sublinhar que a Grécia é um país ortodoxo, tal como o Chipre, que, através do seu Presidente, já veio dizer que está em negociações com a Rússia, para permitir que este país utilize portos e espaço aéreo cipriota em manobras militares com fins humanitários ou em situações de emergência. Nicosia prepara-se, assim, para renovar o acordo de cooperação militar com Moscovo, o que está a levantar sérias preocupações no Reino Unido, que utiliza duas bases no Chipre ao abrigo de um acordo de 1960. Tudo isto faz da questão grega um assunto bem mais vasto do que aquele que à partida parece ser.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:34
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

Para quê aturar os senhores do FMI?

 

Até se percebe por que é que novo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, se recusa a reunir com a "troika" (Comissão, BCE e FMI) para renegociar a dívida. Além de não a considerar uma entidade legítima para tal, Atenas diz que quer apenas negociar com a UE, que, para todos os efeitos, detém 66 por cento da dívida grega. O FMI tem apenas 10 por cento e o restante está disperso por outras entidades. Perante isto, para quê aturar os senhores do FMI?

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 17:46
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

Dispatches from Athens

 

As atenções estão centradas no novo ministro grego das Finanças,Yanis Varoufakis, mas deve ser também seguido com atenção o novo ministro da Defesa, Panos Kammenos, que é o líder do partido dos Gregos Independentes e, portanto, da direita nacionalista. O que no caso da Grécia pode ser um factor importante, atendendo ao conflito com a Turquia e, mais recentemente, às quase ingerências alemãs na política grega. Aliás, a escolha de Kammenos até poderá vir a ser potencialmente mais problemática, já que este tem acusado a Alemanha de ser a responsável pela actual situação que a Grécia atravessa. E já agora, quanto à Turquia, é elucidativo o clima de crispação entre os dois países na entrevista que o ministro turco para a União Europeia dá hoje ao jornal El Mundo, ao afirmar que a Grécia não devia ter entrado na UE e que os dados que Atenas tinha apresentado a Bruxelas estavam errados.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:52
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015

Solidariedade

 

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Fonte: The Telegraph 

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 18:01
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Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

Uma decisão sem precedentes em países da UE

 

Se há uns meses alguém dissesse que um Governo de um qualquer país da União Europeia iria decretar abruptamente o encerramento de uma televisão pública e poucas horas depois, com a ajuda das forças de segurança, ordenar o fim da sua emissão, o autor destas linhas diria que isso seria um cenário impensável no espaço europeu.

 

Pois bem, ontem a Grécia e "esta" Europa voltou a surpreender pela negativa. Desta vez, com uma decisão brutal que, para já, suspende a emissão da televisão pública grega, ERT, e que coloca no limbo 2700 trabalhadores.

 

Por outro lado, os custos da ERT assumiram contornos estratosféricos, acumulados ao longo dos anos pelos excessos da televisão pública. Além disso, os seus trabalhadores tudo fizeram para inviabilizar qualquer processo de reestruturação, ao contrário do que tem acontecido, por exemplo, com a televisão pública portuguesa, a RTP.

 

Seja como for, a decisão do primeiro-ministro helénico, Antonis Samaras, foi implacável e sem precedentes num país da União Europeia. E ainda por cima foi tomada sob o pretexto da imposição externa da tal "troika", em prol de um "défice" que já poucos duvidam estar a gerar males que irão prolongar-se por muitos e longos anos. 

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 17:20
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

"A Grécia vai sair do Euro", provavelmente nas próximas semanas, diz Krugman

 

Paul Krugman, Nobel da Economia, diz que "a Grécia vai sair do Euro", provavelmente nas próximas semanas caso o Syrisa chegue ao poder. Declarações feitas numa entrevista do programa Hardtalk que passa esta noite às 20h30 na BBC World News.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 18:37
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

Que dizer dos gregos... "They are proud and they are broke"

 

"A Escola de Atenas", Rafael, Museu do Vaticano

 

O espanto e a inquietação de Jim Clancy, quando há minutos abordava no seu programa na CNN o tema do surpreendente e irresponsável anúncio do primeiro-ministro grego, George Papandreou, para a realização de um referendo às medidas de austeridade, é revelador da forma como os americanos estão a olhar para todo este desvario que se vai passando na Europa.

 

A determinada altura, Clancy, numa entrevista em directo com um interlocutor em Atenas, perguntou o óbvio: "Mas o povo grego acha que pode continuar assim para sempre, sem pagar as suas contas, a dever a toda a gente?"

 

A resposta dada pelo entrevistado, inspirada na grande herança histórica e cultural da Grécia, o autor destas linhas nem se vai dar ao trabalho de reproduzir. E perante isto, num tom sarcástico, Clancy termina a sua intervenção sobre a Grécia e sobre os gregos da seguinte maneira: "They are proud and they are broke".

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:40
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Do estrangeiro nem tudo são más notícias

 

Uma das virtudes do encontro desta Quarta-feira entre o primeiro-ministro José Sócrates e o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, realizado debaixo de uma autêntica tempestade especulativa, foi ter dado sinais para o exterior de convergência entre o Governo e a oposição na tentativa de se implementar medidas económicas e financeiras de maior austeridade.

 

A julgar pela notícia da BBC News desta noite, fica-se claramente com a ideia de que Portugal está a envidar todos os esforços para dar resposta à crise dos mercados, podendo ler-se que o Sócrates “anunciou planos para restaurar a confiança económica e financeira do País”.

 

A mesma notícia refere que a situação dos países ibéricos está muito longe daquilo que se passa na Grécia, reforçando esta ideia com uma citação do ministro das Finanças francês, Francois Baroin: “A situação de Portugal não é a mesma que a da Grécia O nível da dívida é importante, mas Portugal não mentiu [em relação às suas finanças].”

 

Também Jonathan Loynes, economista chefe para a Europa da Capital Management em Londres, referiu que Portugal não sofre do mesmo problema de “credibilidade do défice” que a Grécia.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 23:51
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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