Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Empresas americanas evitam acusar Pequim, mas em "off" falam em espionagem industrial

 

 

Na sua habitual coluna no New York Times, Thomas Friedman escreve sobre a mais recente disputa entre a Google e a China, para referir que o problema se encontra a um nível muito mais profundo, do que aquele que poderia ser descrito simplesmente como um conflito comercial entre uma empresa e as autoridades do Estado.

 

Embora esta constatação possa parecer uma evidência à luz de toda a informação vinda a público no âmbito da estratégia adoptada pelas autoridades chinesas no que diz respeito ao controlo de empresas estrangeiras, Friedman acrescenta um olhar interessante sobre esta problemática.

 

Citando um CEO de uma empresa americana de tecnologias a operar na China, fica-se a saber que aquela foi “atacada” por ciberpiratas com o objectivo de roubar códigos de segurança, planos de negócio, e “tudo aquilo a que pudessem deitar a mão”. Espionagem industrial pura e dura que, segundo o mesmo CEO, é “a pior que já viu em 25 anos”. Uma afirmação sustentada por um responsável americano, que revelou a Thomas Friedman que este ataque em particular foi “muito extensivo e problemático”.

 

Apesar de nunca o ter afirmado peremptoriamente, tudo inidicia que o problema da Google vá muito além da mera censura de algumas páginas imposta pelas autoridades chineses. Neste momento, as empresas estrangeiras, nomeadamente americanas, enfrentam objectivamente problemas de espionagem industrial.

 

Friedman diz, e bem, que a China está a “brincar com o fogo”. Porque, conclui o Diplomata, se num primeiro momento, Pequim poderá ter uma certa sensação de de controlo da actividade das empresas estrangeiras e de aquisição de "know how", a curto e a médio prazo poderá instalar-se no mercado internacional a desconfiança relativa a todo o material electrónico e software “Made in China”.

 

Afinal de contas, quem quererá comprar um computador com um processador fabricado algures na China, quando existe a noção de que as autoridades daquele país estão a utilizar ciberpiratas para espionagem industrial?

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:02
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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