Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Desta vez, os líderes europeus tiveram alguma sorte

 

No meio de toda esta crise entre a Ucrânia e a Rússia, os líderes europeus têm pelo menos uma razão para respirar de alívio: o início da Primavera. Com a chegada do bom tempo e a menor necessidade dos europeus recorrerem ao consumo de gás natural para aquecimento, o Kremlin vê enfraquecer uma das suas principais "armas" de pressão político-diplomática.

 

O presidente Vladimir Putin já veio avisar a Europa, através de uma carta enviada os seus líderes, que poderão haver cortes no fornecimento de gás natural, tendo em conta os atrasos de pagamentos da Ucrânia à fornecedora Gazprom.

 

São avisos (leia-se ameaças) que a Europa deve levar a sério, é certo, até porque no passado já houve crises energéticas, precisamente, por causa do corte do abastecimento de gás natural por parte da Rússia. No entanto, o efeito pretendido por Putin não terá os mesmos resultados se esta situação estivesse a acontecer em pleno pico do Inverno, como foi o caso das crise anteriores.

 

Desta vez, e apesar de todos os erros que a Europa tem cometido neste processo, os líderes europeus tiveram alguma sorte com os timings desta crise. Para já, têm alguns meses de menor dependência energética da Rússia, os quais poderão aproveitar para resolver ou, pelo menos, estabilizar a situação dos pagamentos entre a Ucrânia e a Gazprom.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:06
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Terça-feira, 4 de Março de 2014

Portugal e Espanha a salvo de um eventual corte de gás natural vindo da Rússia

 

Portugal e Espanha são dos poucos países da Europa que não dependem do gás natural da Gazprom. Estes dois países são fornecidos pelo gasoduto do Norte de África ou então através de transporte marítimo, mas neste caso de GNL (Gás Natural Liquefeito).

 

Publicado por Alexandre Guerra às 21:29
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A Ucrânia na rota do gás natural

 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:08
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

A guerra dos gasodutos na Cimeira da Primavera

 

 

A problemática da energia tem sido recorrente nos útlimos anos na Europa, sobretudo no que diz respeito ao fornecimento de gás natural proveniente da Rússia. Os alarmes têm soado intensamente, e rapidamente se ouvem várias vozes europeias a exortar uma estratégia concertada e comum para garantir a estabilidade energética na Europa.

 

Perante este cenário, seria de esperar que a União Europeia estivesse empenhada em encontrar soluções que permitissem a médio e a longo prazo encontrar um modelo sustentável de fornecimento de fontes de energia, especificamente na área do gás natural.

 

E apesar de nos últimos invernos a Europa criticar a Rússia pelo corte no fornecimento de gás e, consequentemente, falar na necessidade de serem adoptadas medidas que minimizem a dependência europeia face àquele país, a verdade é que quando a "tempestada" se dissipa o discurso parece mudar, e volta a ser cada um por si. 

 

Precisamente, um dos temas que tem sido discutido na Cimeira da Primavera, e que reúne os chefes de Estado e de Governo da UE em Bruxelas, é a inclusão ou não do Nabucco na lista de projectos a serem financiados pelos cofres comunitários.

 

Ora, sendo o Nabuco um gasoduto projectado para fornecer gás natural proveniente de países da Ásia Central, como o Turquemenistão, ou do Médio Oriente, como o Irão, contornando a Rússia e Ucrânia, através de uma ligação no sul da Europa, passando por países como a Turquia e a Bulgária, seria natural que o mesmo fosse facilmente aceite pelos governantes europeus. 

 

Valores em metros cúbicos/Fonte: BP Statistical Review 2006

 

No entanto, a Alemanha opõe-se a este projecto, recusando o financiamento de Bruxelas de 250 milhões de euros. Por isso, a grande dúvida agora é saber se o Nabucco estará incluído na declaração final desta Sexta-feira do Conselho Europeu. 

 

A posição de Berlim é reveladora da dinâmica em que a lógica nacional impera sobre os interesses comunitários. Porque, quando se fala de soluções para o problema do fornecimento de gás natural, está-se quase sempre a referir acções unilaterais.

 

O gasoduto Nord Stream é exemplo disso, sendo resultado de uma parceria entre a Alemanha e a Rússia (via Gazprom), que prevê a utilização do Mar Báltico para fazer chegar gás natural, primeiro, à Alemanha e depois ao resto da Europa.

 

Trata-se de um projecto de tal maneira importante para Berlim que nem a guerra do Cáucaso do ano passado foi suficiente para colocar entraves ao negócio. Pelo contrário, como já aqui foi escrito, os Governos alemão e russo reajustaram os contornos da parceria servindo os interesses de ambas as partes. 

 

Convém dizer que o Nabucco é como que um rival do Nord Stream, quer na perspectiva de Berlim, quer na óptica de Moscovo. Quarenta e nove por cento do capital do Nord Stream pertence às empresas alemãs E.ON e BASF, cada uma com 20 por cento. A holandesa Gasunine tem 9 por cento e os restantes 51 por cento são da Gazprom.

 

A Alemanha ao vetar a inclusão do Nabucco nos projectos a serem financiados pela União Europeia está a colocar os seus interesses nacionais acima do bem comum comunitário. Ao mesmo tempo, a Gazprom, que é o mesmo que dizer o Governo russo, mantém o monopólio de fornecimento de gás natural a uma grande parte da Europa.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:04
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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