As notícias falam num ataque perpetrado na Quinta-feira passada por um grupo de homens armados, alegadamente ex-soldados da Renamo, contra uma esquadra da polícia. Em declarações ao jornal i, o porta-voz da Renamo explicou os contornos da operação, deixando implícito, de certa maneira, o envolvimento daquele partido.
Fernando Mazanga sublinha, no entanto, que aquela operação (infrutífera) foi uma retaliação à detenção de 16 antigos guerrilheiros da Renamo. O porta-voz da Renamo condena o raide da polícia, que teve como alvo antigos combatentes "totalmente desarmados".
Na sequência daqueles acontecimentos, registaram-se novos ataques no Sábado, desta vez contra dois autocarros de passageiros e um camião-cisterna. Ao contrário do assalto à esquadra de Quinta-feira, desta vez Mazanga garantiu ao i que a Renamo não esteve por detrás dos incidentes de Sábado.
Mazanga vai mais longe e acusa o Governo de ter criado essa ideia, tendo em conta as autárquicas de Novembro e as legislativas do próximo ano. “O governo da Frelimo não quer a paz, quer esconder a má governação. Dominam a comunicação social local e tudo isto não passa de uma estratégia eleitoralista para passar a imagem da Renamo como o inimigo dos moçambicanos.”
A teoria de Mazanga é bastante rebuscada, até porque não é difícil aceitar que ex-militantes da Renamo estejam a actuar de forma mais descontrolada, como se viu na passada Quinta-feira. Por outro lado, não custa a acreditar que a polícia moçambicana esteja a ser condicionada por factores políticos da parte da Frelimo. Aliás, o Presidente Armando Gebuza não hesitou em culpar a Renamo pelos recentes incidentes em Moçambique.
