Uma estação espacial na órbita terrestre com condições para acolher humanos era o grande segredo do vilão Hugo Drax, que a partir dali pretendia iniciar uma nova (super) raça humana na Terra. O seu discurso na estação espacial é uma das cenas (acima) mais intensas da saga 007.
Perante o plano diabólico de Drax, James Bond vai a bordo da estação espacial, conseguindo, mais uma vez, salvar o mundo da destruição.
Provavelmente, quando o filme foi lançado em 1979, em plena histeria com os temas espaciais por causa da saga Guerra das Estrelas, poucos teriam a noção que essa realidade estivesse tão perto. Sete anos depois, a União Soviética colocava em órbita a MIR, uma estação que iria durar até 2001 e acolher em permanência astronautas e cosmonautas.
A Soyuz acoplada à ISS/Foto NASA
A tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) teve de abrigar-se de emergência esta Quinta-feira na cápsula de fuga Soyuz, acoplada à estrutura principal, depois de ter sido dado um alerta de uma possível colisão de um detrito com cerca de 13 centímetros de diâmetro (o Diplomata sugere a audição da comunicação entre o centro de controlo em Huston e a ISS).
Sem tempo para se proceder a manobras evasivas na ISS, o cosmonauta Yury Lonchakov e os astronautas Michael Fincke e Sandra Magnus tiveram que se refugiar durante nove minutos na Soyuz. Embora o risco de impacto fosse reduzido, a verdade é que houve uma ameaça real de um detrito proveniente da "sucata" que paira em órbita.
Este é aliás um problema crescente, estimando-se que existam actualmente 18 mil objectos maiores do que 10 centímetros na órbita terrestre.
Há sensivelmente um mês, um satélite americano e outro russo, já desactivado, colidiram em pleno Espaço sobre a Sibéria, algo cuja probabilidade de acontecer era numa proporção de milhões para um, no entanto, o incidente causou a libertação de duas nuvens de detritos.
Também em Janeiro de 2007, a China num exercício militar destruiu um satélite desactivado, provocando a fragmentação de 2500 detritos no Espaço.
Nos últimos 10 anos, a ISS foi obrigada a mudar de trajectória 8 vezes devido aos alarmes de colisão com detritos. Quanto à necessidade dos membros da ISS se refugiarem na cápsula de fuga, a NASA não especificou quantas vezes isso aconteceu no passado, informando apenas que esta não foi a primeira vez.
Relativamente à primeira colisão (pelo menos conhecida) anunciada há uns dias entre dois satélites a gravitarem em pleno espaço, o New York Times escreve em editorial Space Vacuums?
Um texto interessante e diferente sobre os 19 mil objectos humanos na órbita terrestre e as suas possibilidades de colisão entre eles.
Em Viena vai realizar-se este mês uma conferência das Nações Unidas para fazer um balanço das medidas aplicadas voluntariamente pelos Estados de forma a minimizar colisões espaciais.
