Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Mikhail Prokhorov, o oligarca que se segue à conquista do Kremlin

Mikhail Prokhorov/Foto:Mary Altaffer/AP
Há uma nova figura a emergir na cena política russa. A grande questão é saber se não terá um destino semelhante ao antigo patrão da Yukos, Mikhail Khodorkovsky, a passar uma longa temporada numa prisão da Sibéria.

 

Para já, Mikhail Prokhorov parece estar a ser prudente no lançamento da sua corrida às eleições presidenciais de Março do próximo ano e evitar cometer os mesmos erros de Khodorkovsky quando este começou a demonstrar as suas ambições políticas de forma mais veemente com vista o Kremlin.

 

Prokhorov faz bem em ser cauteloso nos passos que dá, ou não fosse um dos célebres oligarcas que enriqueceu durante os anos 90. Com 46 anos, bem parecido, é o terceiro homem mais rico da Rússia e, entre outras coisas, é dono dos New Jersey Nets, equipa de basquetebol da NBA.  

 

Há dias anunciou a sua candidatura, pouco depois das eleições legislativas de 4 de Dezembro, que foram um duro golpe para o primeiro-ministro Vladimir Putin e para o seu partido Rússia Unida, que viu ser reduzida, consideravelmente, a maioria que detinha na Duma.

 

Prokhorov parece determinado nesta candidatura, que poderá ganhar, inesperadamente, um fôlego nas actuais circunstâncias, de forte contestação ao último processo eleitoral e de desafio ao poder instalado.

 

Além disso, o milionário russo parece representar uma centelha de esperança para os mais jovens, mesmo para aqueles que são próximos de Putin. Exemplo disso é Alena Arshinova, líder da Jovem Guarda, a juventude partidária do Rússia Unida, que confessou à revista Time depositar esperanças em Prokhorov.

 

No entanto, e como escrevia o Washington Post, os milhares de jovens que têm vindo para as ruas da Rússia nos últimos dias defendem uma causa, e não um líder.

 

Nos próximos tempos, Prokhorov terá pela frente o desafio de aglutinar o descontentamento dos muitos jovens e manifestantes numa base de apoio à sua candidatura.

 

Para já, anunciou que a sua candidatura será apartidária, tendo aliás se demitido da liderança do seu partido Causa Justa, em Setembro último, depois de divergências no interior daquela formação.

 

Por outro lado, Prokhorov tem evitado adoptar um tom de confronto directo com Putin ou com o Presidente Dimitri Medvedev, com quem aliás, tem tido alguma relação, pelo menos no campo institucional.

 

Seja como for, uma coisa é certa, Putin já deu provas que não gosta de oligarcas, sobretudo aqueles que começam a mostrar as garras de fora com pretensões políticas.

 

Mas mesmo que Prokhorov endureça o discurso, dificilmente Putin tentará silenciar o seu opositor, já que seria uma medida muito arriscada e que poderia colocar em risco a sua eleição para o Kremlin.

 

É que apesar de Vladimir Putin ter vindo a perder pujança nas sondagens, a verdade é que os seus índices de popularidade continuam bastante altos, perspectivando-se uma vitória sem grandes dificuldades. Porque como escrevia Alexander Boot no seu blogue do Daily Mail, Prokhorov é “o Presidente que nunca será”.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 01:18
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Sábado, 24 de Setembro de 2011

Putin confirma candidatura presidencial há muito prevista

 

 

Aquilo que foi escrito pelo Diplomata em Outubro de 2007 e reforçado em Dezembro de 2009 foi finalmente confirmado pelo próprio Vladimir Putin, que durante o congresso do partido Rússia Unida anunciou ser o candidato presidencial às eleições de Março de 2012. Uma decisão apoiada pelo actual Presidente Dimitri Medvedev.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 13:13
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

A nova "arma" da política externa russa já está operacional

 

Uma das componentes do pipeline a bordo do navio Castoro Sei no Mar Báltico/Foto: Nord Stream

 

No meio de tanto "entusiasmo" no que respeita ao debate sobre a crise dos mercados e das dívidas soberanas e respectivas fórmulas milagrosas de salvação europeia, talvez seja importante sublinhar que a Alemanha e a Rússia acabam de concretizar um dos projectos estratégicos mais importantes para os próximos anos no âmbito da política energética, não apenas daqueles dois países, mas também da Europa. O tão esperado Nord Stream já está operacional, devendo em Outubro começar a fornecer gás natural proveniente da Rússia directamente para a Alemanha, através do gasoduto de pipeline duplo colocado no Mar Báltico.

 

Ainda numa fase técnica inicial, visando o aumento da pressão no pipeline, a cerimónia de arranque foi levada a cabo esta terça-feira pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, um dos mentores deste projecto, que também teve o apoio fervoroso da chanceler alemã, Angela Merkel. A inauguração oficial, no entanto, será só em Novembro com uma visita do Presidente Dimitri Medvedev à Alemanha.

 

 

Atendendo às necessidades energéticas europeias crescentes e às consequentes políticas de conflito daí resultantes, o Nord Stream é mais do que um mero gasoduto. É sobretudo uma arma de política externa da Rússia que se jogará no tabuleiro da geoestratégia e da geopolítica da Europa. Isto não quer dizer que este projecto seja hostil aos interesses da Europa. Na verdade, alguns países da União Europeia serão beneficiados, já que receberão o gás natural russo de uma forma mais segura, rápida e eficaz. Convém não esquecer as várias “crises” energéticas que a Europa tem assistido em invernos recentes, como em 2006 e 2009, provocando nalguns países situações de autêntica ruptura no fornecimento de energia.

 

Mas dentro do espaço comunitário é sem dúvida a Alemanha a principal beneficiária, tendo o privilégio de ter um gasoduto directamente ligado à “fonte”, poupando-se às dores de cabeça provocadas pelas passagens turbulentas em países como a Ucrânia. Há muito que Merkel tinha percebido a importância estratégica deste projecto para a Alemanha, não sendo por isso de estranhar que o mesmo tenha despertado a “realpolitik” pura e dura do Estado alemão.

 

Quando em Outubro de 2008 a chanceler alemã e Dimitri Medvedev se encontraram em São Petersburgo, tinham passado poucas semanas sobre a “invasão” russa na Ossétia do Sul, que tinha gerado a indignação da Europa, incluindo a alemã. Ora, indignação à parte, a ofensiva militar russa e os supostos crimes de guerra cometidos durante os cinco dias de conflito com os soldados da Geórgia não foram suficientes para travar os ímpetos negociais de Merkel em São Petersburgo na defesa dos seus interesses.

 

Na altura, Merkel assegurou para a Alemanha uma importante participação (25 por cento) na exploração do campo de gás natural de Yuzhno-Russkoye na Sibéria. Em troca, o Estado alemão abdicara de metade dos 6,5 por cento que detinha na Gazprom, a empresa russa de gás natural. Com aquele negócio, a E.On, empresa alemã de energia, passou a ter acesso a um vasto campo de gás natural e a Gazprom abdicou das suas pretensões de adquirir uma parte do capital daquela companhia. Como contrapartidas, a Gazprom enfraqueceu a presença alemã no capital da empresa e obteve por parte daquele país um impulso para a construção do projecto Nord Stream.

 

Mas é sem dúvida Moscovo o principal interessado ao ver no Nord Stream uma ferramenta económica poderosa e uma "arma" de política externa eficaz para lidar com alguns Estados vizinhos com quem o relacionamento tem sido mais conturbado. Com este gasoduto a Rússia coloca directamente no mercado europeu (através da Alemanha) o gás natural proveniente das suas imensas reservas, sem que tenha que recorrer a outros gasodutos que transitam por vários países, como a Ucrânia ou a Polónia. Não é por acaso que a Polónia e a Ucrânia foram as vozes mais críticas ao projecto Nord Stream, vendo os seus territórios serem secundarizados no âmbito da estratégia energética europeia.

 

Mas é sobretudo em relação a Kiev que a rota do Nord Stream vai permitir que Moscovo se liberte das tensões e chantagens político-diplomáticas exercidas pelo Governo ucraniano. O  Nord Stream, orçado em 8,8 mil milhões de euros, é composto por um pipeline duplo, estando a primeira linha totalmente construída, com os seus 1224 quilómetros, devendo a segunda linha estar operacional em 2013, tendo até ao momento sido construídos 663 quilómetros.

 

Texto originalmente publicado no Forte Apache.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 20:34
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Desta vez o Kremlin é obrigado a admitir que ainda tem um conflito por resolver

    

The following video was taken by an unidentified eyewitness. (Warning: it contains disturbing content.)

 

Em finais de Novembro de 2009, na ressaca do atentado do dia 27 desse mês ao Expresso Nevsky, que seguia na linha de ligação entre Moscovo a São Petersburgo, e que provocou 28 mortos e sensivelmente 100 feridos, o autor destas linhas recorda-se de ter citado Alexei Malashenko, um especialista em assuntos do Cáucaso do Norte do Carnegie Centre, que ao The Guardian tinha dito que o atentado teria sido provocado por rebeldes chechenos, que "querem a vingança" e criar um "espaço islâmico".

 

Apesar desta realidade, na altura do atentado ao Expresso Nevsky foi notório que Moscovo teve alguma relutância em atribuir responsabilidades aos rebeldes chechenos, adoptando, pelo contrário, uma posição bastante prudente.

 

Uma posição interessante e de certa forma inédita se se atender que aquele não tinha sido o "modus operandi" de Moscovo neste tipo de situações nos últimos anos. Perante ataques similares, o Kremlin nunca hesitou, desde o primeiro momento, em responsabilizar separatistas islâmicos do Cáucaso do Norte, independentemente das provas conseguidas ou dos factos apurados

 

No entanto, é importante relembrar que a Rússia tinha sofrido o seu último atentado a 31 de Agosto de 2007, na cidade de Togliatti que fez oito mortos e 50 feridos. Um outro a 21 de Agosto de 2006, no qual morreram 10 pessoas num mercado nos arredores de Moscovo. Depois é preciso recuar aos primeiros dias de Setembro de 2004 para os dramáticos acontecimentos na escola de Beslan, que acabou num banho de sangue, morrendo 331 reféns, metade dos quais crianças.

 

A verdade é que depois da tragédia de Beslan, Moscovo foi alimentando a ideia de que tinha a situação controlada no Cáucaso do Norte, e apesar dos atentados de 2006 e 2007, o Kremlin quase que assumiu uma espécie de vitória sobre os insurgentes islâmicos das repúblicas daquela região.

 

É por isso muito provável que perante o atentado ao Expresso Nevsky, Moscovo não tivesse querido reconhecer publicamente a responsabilidade dos rebeldes chechenos neste atentado, porque tal acto poderia ser percepcionado como uma admissão do reavivamento de um conflito, que se iniciou nos anos 90 e que o Kremlin há algum tempo teria dado como extinto a seu favor.

 

Porém, Alexei Malashenko relembrava que durante 2007 e 2008 a conjuntura no Cáucaso do Norte deteriora-se consideravelmente, levando mesmo a que nalgumas regiões se estivesse perante um estado de guerra civil iminente.

 

Já em Agosto de 2009, o New York Times publicara uma excelente reportagem na qual se podia constatar o reacendimento da violência nas repúblicas do Daguestão, da Inguchétia e da Chechénia. Nos últimos meses desse ano assistira-se também ao ressurgimento de vários ataques e atentados em território russo perpetrados por rebeldes provenientes de Kabardino-Balkaria.

 

A verdade é que depois dos acontecimentos de 27 de Novembro de 2009, a Rússia viria a sofrer um outro atentado a 29 de Março de 2010 no metro de Moscovo, provocando 40 mortos e ferindo 75. Terminava assim uma década marcada pela violência terrorista em território russo, precedida pelos não menos sangrentos anos 90.

 

Hoje, a Rússia voltou a ser alvo de um atentado terrorista, desta vez no aeroporto internacional de Moscovo, Domodevo, que matou pelo menos 35 pessoas e feriu 100. O atentado terá sido provocado por um terrorista suicida ligado os movimentos terroristas do Cáucaso do Norte.

 

Perante isto, o Presidente Dimitri Medvedev já veio admitir que a pobreza, a corrupção e o conflito no Cáucaso do Norte são o principal problema interno da Rússia.

 

Este atentado, e tendo em conta o seu impacto psicológico, já que os terroristas conseguiram infligir um ataque numa estrutura tão importante como um aeroporto, veio demonstrar que os líderes do Kremlin não têm conseguido encontrar uma solução definitiva para a violência emanada do Cáucaso do Norte. Concomitantemente, os rebeldes islâmicos têm tentado demonstrar que os responsáveis russos não conseguem garantir a segurança dos seus cidadãos.

 

Como resposta imediata a este atentado, a Rússia está em alerta máximo, no entanto, a grande dúvida é saber que medidas serão tomadas pelo Kremlin em relação à conjuntura do Cáucaso, não sendo de descartar operações militares naquelas repúblicas.

 

*Texto publicado originalmente no Albergue Espanhol

 

Publicado por Alexandre Guerra às 20:02
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Dimitri Medvedev envia "recado" a Teerão e lança "charme" a Washington

 

 

 

Em declarações raras mas interessantes, o Presidente russo, Dimitir Medvedev, afirmou que o regime de Teerão está “mais próximo” de ter o potencial para desenvolver armas de destruição maciça. Uma afirmação estranha vinda do Kremlin, que raramente se tem pronunciado contra o seu tradicional aliado, tendo esta sido uma das poucas vezes que Moscovo assume uma postura mais agressiva face a Teerão. Medvedev acrescentou ainda que “o Irão não está a agir da melhor maneira”, exortando para que mostrasse mais “cooperação e abertura” com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

 

As sólidas relações diplomáticas e económicas entre a Rússia e o Irão têm sido mais fortes do que as pressões internacionais no âmbito do programa nuclear iraniano, no entanto, nos últimos tempos Moscovo parece ter adoptado um registo mais crítico para com o regime liderado por Mahmoud Ahmadinejad.

 

Relembre-se que no passado dia 10 de Junho o Kremlin apoiou no Conselho de Segurança a quarta ronda de sanções contra o Irão. Agora, foi a vez do Presidente Medvedev, num encontro ontem com embaixadores, lançar o alerta de que o Irão se está a aproximar de ter tecnologia para produzir armas nucleares.

 

Apesar de Medvedev revelar que tal possibilidade não representa qualquer violação do Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), as palavras do Presidente russo estão a ser interpretadas como resultado de alguma preocupação de Moscovo.

 

Na verdade, e que o Diplomata se recorde, esta recente posição do Governo russo é inédita perante a problemática do programa nuclear iraniano. Certamente que algo quererá dizer, sendo que a grande dúvida é saber precisamente o quê.

 

Aparentemente nada mudou no “dossier” nuclear iraniano, porém, a Rússia alterou o seu discurso. Por um lado, tal pode dever-se a uma efectiva preocupação por parte de Moscovo, assente em nova informação, eventualmente recolhida através de canais confidenciais. Por outro lado, as palavras de Medvedev podem ser vistas como um gesto de boa vontade com Washington, dias depois de ter eclodido a “crise” dos espiões.  

 

Nesta lógica, uma fonte da administração americana revelou que as declarações de Medvedev são um passo importante para se conseguir uma unidade internacional relativamente ao programa nuclear iraniano.

 

Fontes do Kremlin revelam ainda que o Presidente Medvedev está cada vez mais desconfortável com a relutância de Teerão em fornecer a informação pedida pela AIEA. Ao mesmo tempo, o Presidente russo terá ficado preocupado com as mais recentes informações fornecidas por Washington de que o Irão já teria suficiente material nuclear para fazer uma bomba atómica.

 

No que diz respeito à política interna russa é importante realçar o facto de que a posição de Medvedev sobre esta matéria começar a divergir substancialmente daquela que é defendida pelo seu antecessor e agora primeiro-ministro, Vladimir Putin.

 

Perante este cenário, será muito interessante perceber qual será a reacção de Putin na eventual necessidade de ter que vir defender o alinhamento histórico da Rússia face ao Irão.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:30
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Da história de espiões à teoria da conspiração

 

Barack Obama e Dimitri Medvedev há uns dias em Washington/Foto: AP/RIA Novosti

 

Por detrás de uma boa história de espionagem existe sempre uma teoria da conspiração. Apesar do FBI ter informado hoje que a detenção dos 10 alegados agentes russos no Domingo se ficou a dever à suspeita de que estariam para abandonar os Estados Unidos, Moscovo acusa as autoridades americanas de não estarem a fornecer a informação necessária sobre este assunto.

 

O Governo russo recusa qualquer envolvimento neste caso, acusando as autoridades americanas de tecerem acusações infundadas num tom de regresso à Guerra Fria. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, disse que está a aguardar uma explicação de Washington.

 

O primeiro-ministro Vladimir Putin já manifestou a sua preocupação junto do antigo Presidente americano, Bill Clinton, que se encontrava em Moscovo para uma conferência. Putin receia que este caso possa afectar “as coisas positivas alcançadas nos últimos anos”. Uma fonte da administração americana citada pelo New York Times, revelava que o Presidente Barack Obama também estava desconfortável com o “timing” da operação.

 

Os receios de Putin podem ter algum fundamento, uma vez que, segundo a informação disponibilizada nos documentos da acusação levados a tribunal, os alegados espiões terão sido treinados pelo Russian Foreign Intelligence Service (SVR). O FBI informou ainda que aqueles estariam a actuar em solo americano há vários anos.

 

Moscovo tem questionado também o “timing” desta detenção, já que surge poucos dias após uma visita do Presidente russo, Dmitri Medvedev a Washington, que ocorreu num ambiente amistoso, demonstrando um dos melhores momentos nas relações entre os Estados Unidos e a Rússia desde o fim da Guerra Fria. “O momento em que [a detenção] foi feita foi escolhido com um certo requinte”, disse Lavrov, com algum sarcasmo à mistura.

 

O chefe da diplomacia sugere que existe alguém ou algum grupo poderoso e influente na estrutura de poder americana que tem interesse em “minar” as boas relações entre Moscovo e Washington.

 

Também Gennady Gudkov, antigo agente do KGB e actual vice-presidente do Comité de Segurança da Duma, disse ao The Moscow Times que esta operação do FBI pode ter como objectivo descredibilizar a política de Obama face à Rússia.

 

“Agora, milhões de americanos vão pensar que a Rússia queria apenas ser parceira dos Estados Unidos para que pudesse ir atrás de segredos americanos como na Guerra Fria”, disse Gudkov. “Parece o trabalho de alguém muito poderoso e que está na oposição política a Obama, ou um ‘falcão’ militar ou um grupo de ‘intelligence’ que não vejam com bons olhos o restabelecimento das relações com a Rússia”, acrescentou Gudkov.

     

Publicado por Alexandre Guerra às 21:14
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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Para o homem mais poderoso da Rússia, só a presidência interessa

 

Alexei Druzhinin/RIA-Novosti/AP

 

O que há uns tempos era apenas um exercício prospectivo, que o próprio Diplomata fez assente em factos bastante sólidos, é agora uma certeza: Vladimir Putin quer recuperar o lugar cimeiro dos desígnios da Rússia.

 

O primeiro-ministro Putin parece estar determinado em candidatar-se novamente ao cargo de Presidente do país nas eleições de 2012, depois de constitucionalmente ter sido impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo em 2008.

 

Na altura, acabou por assumir a chefia do Governo, depois do seu partido Rússia Unida ter vencido com uma larga maioria as legislativas de Dezembro de 2007. Apesar desta mudança na cúpula russa, Putin nunca teve a intenção de abdicar do poder conquistado desde 2000, e terá deixado bem claro ao Presidente Dimitri Medvedev quem era o homem que mandava na Rússia.

 

Medvedev parece ter compreendido bem o seu papel nesta lógica de coabitação, remetendo-se praticamente a um papel de representação institucional, sem ousar discutir com Putin a liderança da política russa.

 

Desde 2000 que Putin é o "homem forte" daquele país, tendo Medvedev surgido como uma solução transitória. Putin continua com uma popularidade bastante elevada, tendo as eleições regionais realizadas em Março último comprovado essa realidade.

 

Embora não o tenha afirmado de forma peremptória, Putin disse na passada Quinta-feira, durante um programa anual televisivo em que lhe foram feitas várias perguntas, que iria analisar a possibilidade de se candidatar em 2012 e que tudo iria depender da evolução da situação económica.

 

Esta resposta diz muito dos propósitos de Putin, já que nos próximos dois anos a economia russa, tal como todas as outras, não deverá dar grandes motivos de alegria.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:56
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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