Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Mais uma guerra civil iminente em África?

 

 

 

Estará África na iminência de uma nova guerra civil? Os observadores internacionais no terreno, como o senador John Kerry, presidente do comité dos Negócios Estrangeiros do Senado dos Estados Unidos, acreditam que não. Estão confiantes que o referendo que se realiza no próximo Domingo no Sudão, e que irá decidir se o Sul daquele país se tornará numa nação independente, não terá consequências gravosas, estando neste momento todo o processo a decorrer sem problemas.

 

A CNN, no entanto, e inspirada na longa tradição africana de conflitos internos, colocava as coisas de uma forma mais prática ao dizer que o resultado deste referendo ou institui o mais recente Estado da comunidade internacional ou acaba em guerra civil. Atendendo ao historial do Sudão e ao comportamento da sua cúpula político-militar nos últimos anos, o Diplomata só pode concordar com aquela observação.

 

Apesar do Presidente sudanês, Omar al-Bashir, ter ontem reiterado que irá acatar o resultado do referendo, seja ele qual for, o Diplomata tem muitas dúvidas quanto à solidez destas palavras perante um cenário de secessão do Sul do território. O passado sangrento e violento de al-Bashir, seja em relação às populações do Sul ou da região de Darfur, perspectivam tudo menos um desfecho pacífico e tranquilo deste referendo.

 

Relembre-se que esta consulta popular resulta de um longo processo político e militar, que culminou nos acordos de paz de 2005, colocando o fim a duas décadas de conflito, e definiram várias linhas orientadoras estratégicas sobre o futuro do país, nomeadamente, partilha de governo, distribuição de receitas petrolíferas e o estabelecimento de um referendo sobre a autodeterminação do Sul do Sudão.

 

É importante sublinhar que o Sudão, o maior país africano, tem profundas divisões entre o Norte, maioritariamente muçulmano e próximo da cúpula política, e o Sul, cristão e animista e rico em petróleo, o terceiro produtor da África subsariana.

 

Estas clivagens traduziram-se em violência ao longo das últimas duas décadas e discriminação, na maior parte dos casos imposta pelo regime de Cartum, resultando na morte de duas milhões de pessoas, em muitos dos casos devido a fome e a doença.  

 

Publicado por Alexandre Guerra às 01:15
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

O terror semeado em terras africanas pelos bárbaros do Lord's Resistence Army

 

Uma criança a observar pessoas num campo algures no Norte da RDC

 

Por vezes, e sobretudo no mundo ocidental, é importante relembrar que existem zonas na Terra onde reina um "homem " no seu estádio mais primitivo e bárbaro, desprovido de qualquer sensibilidade para com o semelhante, para o qual actos como matar, violar e espancar fazem parte do seu quotidiano.

 

O grau de desumanização daqueles actos é tão brutal que é legítimo perguntar-se que tipo de "criaturas" circulam por locais tão distantes e recônditos da Terra. 

 

Mas, perante o distanciamento geográfico do mundo ocidental daquelas zonas e tendo em conta o pouco impacto daqueles micro-conflitos nas relações internacionais, a opinião pública mundial vai dando pouca atenção a estas tristes realidades.

 

Pierrete, uma jovem congolesa que não sabe ao certo a sua idade, é uma "esposa forçada"

 

Os Médicos Sem Fronteiras tentaram esta semana colocar na agenda mediática uma das maiores atrocidades que se têm cometido em África, mais concretamente no Norte da República Democrática do Congo (RDC). Aquela ONG alertou para o facto de milhares de pessoas estarem novamente em fuga das perseguições do Lord's Resistence Army (LRA).

 

O líder do LRA, Joseph Kony, que tem um mandado de captura internacional emitido em seu nome, está claramente a alargar o território de actuação, visto que há algum tempo que deixou a sua "base" no Uganda para estar presente na República Centro Africana (RCA) e para fazer incursões na RDC. E ainda segundo algumas informações, é muito provável que Kony esteja a dirigir-se para Darfur, de modo a aliar-se às milícias Janjweed.

 

Michel, 30 anos, foi obrigado pelo LRA a cortar um homem com um machado

 

Com esta estratégia, o LRA poderá vir a obter apoio militar por parte do regime de Cartum, como aliás já aconteceu no passado. O ainda frágil Governo autónomo do Sul do Sudão acusa o Executivo do país de querer desestabilizar aquela região. 

 

Perante isto, não é de estranhar que o LRA esteja a ser combatido pelas forças da RDC, do Uganda e também do Sul do Sudão. 

 

Os homens de Kony vão, entretanto, semeando o terror nas populações indefesas, matando, violando, mutilando, queimando casas e escravizando. Uma realidade que se prolonga há duas décadas. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:11
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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