Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012

Quando a Europa era o "farol" da modernidade para as elites latino-americanas

 

Cartagena, Colômbia, provavelmente a cidade que inspirou Gabriel García Márquez para o cenário do romance entre Florentino e Firmina.

 

Há uns dias o Diplomata escrevia que “uma das melhores formas de se ir conhecendo as sociedades nos seus diferentes períodos históricos é através dos romances. Por vezes relegando os factos para um plano secundário (esse papel cabe aos historiadores), os escritores compensam com a riqueza literária para descrever as nuances sociais, tão importantes para caracterizar diferentes épocas, regimes e sistemas de Governo”.

 

O autor destas linhas tinha então mencionado três romances lidos recentemente e que se enquadravam naquela lógica. O primeiro já foi aqui referido: “Quem Matou Palomino Molero?” de Mario Vargas Llosa.

 

Outro dos livros lidos foi o “O Amor nos Tempos de Cólera” (1985), de Gabriel García Márquez. Uma obra que retrata, de forma sublime, os costumes da vida privada de uma certa elite das sociedades latino-americanas em finais do século XIX. Mas não só.

 

A história da devoção amorosa de Florentino Ariza por Firmina Daza, que se prolonga por mais de 50 anos e entre pelo século XX, é o fio condutor de um retrato realista do modelo de sociedade numa cidade algures próxima do Mar das Caraíbas, que nunca é identificada, embora muitos considerem ser Cartagena, onde García Márquez estudou.

 

Refira-se que o escritor colombiano se inspirou na história de amor verídica dos seus pais para o enredo do seu livro.

 

Além da sua intensidade literária, “O Amor nos Tempos de Cólera” é particularmente revelador pela forma como dá a conhecer uma sociedade a precipitar-se para a modernidade, mas ainda amarrada aos seus preconceitos, aos seus hábitos conservadores, ao seu provincianismo, ao seu atraso civilizacional.

 

Uma sociedade que, apesar de estar a espreitar o progresso, ainda está muito afastada daquilo que é idealizado pelos personagens de Márquez como o expoente máximo da civilização: a Europa, nomeadamente, Paris. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:27
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Domingo, 27 de Maio de 2012

Maçãs podres

 

Pat Bagley / Salt Lake Tribune 

 

Diz-se, pelo menos a julgar pelas palavras de Maureen Dowd no New York Times deste Domingo, que as deslocações dos Serviços Secretos americanos (não confundir com a CIA) são descritas pelos próprios membros da organização como “Secret Circus”. Uma forma jucosa de descrever o aparato envolvido em cada missão de acompanhamento ao Presidente dos Estados Unidos.

 

Uma logística que ficou bem patente nos cerca de 200 agentes que acompanharam Obama na polémica viagem à Colômbia no mês passado para participar na Cimeira das Américas.

 

Esta viagem teria sido mais uma a juntar-se a tantas outras, não fossem 12 desses 200 agentes terem-se dedicado a actividades nocturnas impróprias em Cartagena, com a contratação de alguns serviços especializados na indústria do prazer carnal. O escândalo rebentou e quando mete sexo pelo meio já não há nada a fazer, sendo a própria opinião pública americana a exigir o apuramento de responsabilidades e consequências rápidas.

 

Mark Sullivan, director dos Serviços Secretos, esteve no passado dia 23 numa comissão do Congresso. Daquelas à séria e não apenas um folclore mediático completamente inócuo.

 

Na Comissão de Segurança Interna do Senado, Sullivan fez o seu papel ao tentar defender a sua instituição o mais possível, embora não tendo desvalorizado o que se passou na Colômbia. Do outro lado, os senadores fizeram também o que lhes competia, encostando Sullivan às “cordas” e relembrando alguns casos do passado, mas não pedindo, para já, a sua cabeça. Pediram, sim, foi ao Departamento de Segurança Interno que fizesse uma investigação interna.

 

Entretanto, das 12 “maçãs podres”, como referiu o próprio Sullivan, e apenas num espaço de um mês, nove agentes já foram corridos dos Serviços Secretos: seis demitiram-se, dois foram despedidos e um reformou-se.

 

Não foram precisos meses de investigações da Procuradoria e de inquéritos judiciais e muito menos o avolumar de milhares de páginas de processos em tribunais. Esta é uma das virtudes da democracia americana, em que, por vezes, bastam os mecanismos internos das instituições e a vontade política para que a justiça (no sentido mais poético) seja consequente e as tais “maçãs podres” sejam deitadas para o lixo.

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Publicado por Alexandre Guerra às 21:33
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Cultivo de coca desce quase 60 por cento na última década na Colômbia

 

 

O International Narcotics Control Board (INCB), o órgão subsidiário das Nações Unidas responsável pelo controlo e acompanhamento à aplicação das convenções internacionais em matéria de narcotráfico, apresentou hoje o seu relatório anual, no qual elogia o trabalho desenvolvido pela Colômbia na última década, retirando-a da categoria dos países sob observação especial. 

 

De acordo com o World Drug Report 2010, o cultivo da folha de coca na Colômbia decresceu 58 por cento entre 2000 e 2009, sobretudo devido à erradicação daquela actividade em larga escala. O mesmo relatório informa que as autoridades colombianas efectuaram mais apreensões de droga que qualquer outro estado nos últimos dez anos.

 

No entanto, nem tudo são boas notícias, já que o relatório revela que a plantação de coca está a ser transferida para outros países da América Latina, nomeadamente, o Peru, onde o cultivo aumentou 55 por cento na última década.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:48
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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