Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

O Cisne Negro (2)

 

 
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Publicado por Alexandre Guerra às 22:21
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

O Cisne Negro (1)

 

 

De tudo o que se tem escrito sobre a crise financeira internacional e as revoluções árabes que nos últimos meses eclodiram no Médio Oriente e no Magrebe, não deixa de ser irónico que um dos artigos mais interessantes que o Diplomata leu sobre esta matéria tenha vindo da pena de um professor em Engenharia de Risco no Instituto Politécnico da Universidade de Nova Iorque, com a colaboração, é certo, de um outro professor em Economia Política da Universidade de Brown.

 

A abordagem que os dois autores fazem àquela problemática é verdadeiramente refrescante e ao ler-se o seu artigo (Foreign Affairs, Maio/Junho) fica se com uma perspectiva sólida e científica relativa ao enquadramento que ajuda a explicar o surgimento de fenómenos repentinos, tais como as revoltas das ruas árabes ou, até mesmo, a emergência inesperada da crise financeira internacional em 2008.

 

Para isso, os autores recorrem sobretudo ao paradigma da engenharia de risco, como forma de antecipar comportamentos de estruturas ou sistemas.

 

Nassim Nicholas Taleb e Mark Blyth evitaram seguir os modelos comuns de análise que têm sido utilizados e optaram por aplicar os princípios da engenharia, partindo do pressuposto que a crise financeira internacional ou as revoltas dos países árabes apresentavam indícios de risco semelhantes àqueles que podem ser detectados antecipadamente em estruturas ou sistemas.

 

Dizem os autores que um dos pontos comuns em ambas as “crises” é a assumpção (errada) à posterior de uma certa impotência perante algo que era desconhecido e imparável.

 

Ora, para os autores do artigo este é um dos maiores mitos que tem estado por detrás de muitas análises feitas a estes casos. A verdade é que em ambas as situações os sinais de fractura estavam lá, embora esbatidos por uma normalidade artificial.

 

A tentação política de suprimir artificialmente a volatilidade de sistemas, com o objecto de forçosamente de se manter um determinado status quo, conduz a situações potencialmente explosivas.

 

O que aconteceu com a crise financeira internacional e agora mais recentemente com as revoltas nas ruas árabes são consequências da contenção em alta pressão feita sobre esses mesmos sistemas.

 

Como escrevem Taleb e Blyth, “sistemas complexos aos quais foram suprimidos artificialmente a volatilidade tendem a tornar-se extremamente frágeis, ao mesmo tempo que não exibem riscos visíveis”.

 

Na realidade, estes sistemas tendem a ter um comportamento calmo e a não exibir variações significativas, à medida que os riscos se vão acumulando silenciosamente.

 

Uma tendência que a médio e a longo prazo pode ter efeitos devastadores, como agora se comprova, mas que o poder político teima em manter, pensando que está a promover uma maior estabilidade nas suas comunidades. Porém, ao interferir-se artificialmente nestes sistemas, o mundo torna-se menos previsível e mais perigoso.

 

Estes sistemas ficam potencialmente propensos àquilo que Taleb chama de “cisnes negros”, acontecimentos de grande escala, que podem ser negativos ou positivos, e que fogem à normalidade estatística, sendo largamente imprevisíveis para o observador. Aliás, Taleb notabilizou-se precisamente pelo desenvolvimento da teoria do "cisne negro", com o livro The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable.  

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:04
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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