Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Uma decisão do Governo chileno que envergonha Portugal

 

O Governo chileno acabou de inviabilizar aquele que seria o maior projecto energético do País: a construção de cinco mega-barragens em dois rios numa zona da belíssima Patagónia. Uma decisão louvável nos tempos que correm e que revela inteligência por parte das autoridades chilenas na equação custos/benefícios.

 

O Governo chilento, resistindo, provavelmente, a inúmeros lobbys e pressões, percebeu que a médio e a longo prazo aquele projecto revelar-se-ia prejudicial para o país, já que, além dos enormes impactos ambientais, iria colocar em causa a sustentabilidade social e cultural daquela região e, deste modo, afectando também o turismo, uma actividade fundamental.

 

É certo que as soluções energéticas que apontem no caminho das renováveis e na menor dependência dos combustíveis fósseis são, à partida, de saudar, no entanto, é preciso equacionar todos os custos e benefícios de forma cuidadosa e numa lógica de longo prazo. Porque, em matéria de energia nenhuma solução é perfeita e nem está isenta de custos, sobretudo na área hidroeléctrica.   

 

Embora necessite de novas fontes de electricidade, o Governo chileno fez as suas contas e chegou à conclusão que o projecto do consórcio HidroAysen, composto pela Endesa e pela chilena Colbun, não servia os interesses do país. Uma decisão que parece ser a mais acertada.

 

Só é pena que o Governo português, em 2007, não tenha tido a inteligência e a sensibilidade de fazer essas mesmas contas, quando aprovou o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH). Uma iniciativa que de pouco servirá em termos de fornecimento de electricidade, contrapondo com os enormes custos ambientais, sociais e culturais que a medida implica. A barragem da Foz do Tua é exemplar na forma como o Estado português encara a médio e a longo prazo os seus interesses estratégicos.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:18
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Domingo, 10 de Junho de 2012

Chile, um país que continua dividido na relação com a sua História recente

 

Manifestantes em confrontos com a polícia este Domingo por causa de uma homenagem a Pinochet/Foto: AFP

 

O Chile continua a ser um país dividido na relação com a sua História recente. As feridas provocadas pelos 17 anos de regime do General Augusto Pinochet continuam bem vivas e manifestam-se, por vezes, de forma violenta nas ruas chilenas.

 

Este Domingo, polícia e manifestantes confrontaram-se em Santiago do Chile, por causa de um acto de homenagem a Pinochet, que a 11 de Setembro de 1973 depôs o Presidente recém-eleito Salvador Allende, mantendo-se no poder até 1990. Segundo as estimativas do Governo chilento, sob o regime de Pinochet terão morrido mais de 3000 pessoas e cerca de 40 mil terão sido torturadas, presas ou obrigadas ao exílio.  

 

Os manifestantes protestaram contra a exibição do documentário "Pinochet" no Teatro Caupolicán, que dizem ser uma glorificação do general. Os organizadores da iniciativa, por outro lado, disseram tratar-se de uma registo que pretende transmitir a verdadeira natureza de Pinochet, que nada tem a ver com a ideia criada pelos jornais, caracterizando-o como um ditador implacável.

 

Independentemente dos factos históricos que hoje já são conhecidos, na sociedade chilena continuam a coabitar duas visões em relação ao papel de Pinochet. Uns acreditam que ele foi um líder messiânico que salvou o país do comunismo, outros vêem no General um ditador assassino.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 22:58
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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