Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

O Diplomata e o Papa na Av. da Liberdade

 

Acidentalmente, ou não (estas coisas da providência divina têm sempre muito que se lhe diga), o autor destas linhas conseguiu ver ontem (Terça) à noite o Papa Bento XVI, numa passagem literalmente iluminada pelas luzes interiores do Papamóvel, realçando ainda mais o branco angelical das suas vestes e, já agora, do seu Mercedes.

 

Um final de dia de trabalho, perfeitamente normal, acabaria por se tornar para o Diplomata numa experiência de proximidade com uma das pessoas com mais autoridade (capacidade de influenciar sem recurso à força ou ameaça) e influência do planeta.

 

Quando o autor destas linhas percorria a calçada da Avenida Liberdade já o dia estava adormecido, com o trânsito ainda cortado e algumas pessoas (poucas) por ali, eis que começam a surgir os primeiros batedores, anunciado que Bento XVI estaria de regresso da missa dada no Terreiro do Paço.

 

Como se uma força magnética puxasse o autor destas linhas, a inevitabilidade do encontro com o portador do Anel do Pescador estava traçada. Junto às grades de protecção, este “seguidor” viu-se estranhamento a olhar para Bento XVI, que com sorriso ameno mas sincero, emanava toda a sua autoridade e influência, ostentando uma imagem transcendente.  

 

De imediato saltou à memória do Diplomata um texto escrito aqui há uns meses em que se abordou a problemática do poder do Vaticano: a sua conquista, a sua manutenção e a sua projecção.

 

O poder do Vaticano no sistema internacional foi sempre de forma evidente que mesmo sem um único batalhão, o Papa mereceu o respeito de todos os chefes de Estado como se tivesse a apoiá-lo vários exércitos. Esta afirmação de poder esteve sempre presente no Vaticano, o qual fez de todos os seus actos manifestações de grandeza.

 

O Papa, enquanto objecto de estudo, é um caso particularmente interessante e diferenciado dos demais líderes do sistema internacional, uma vez que o exercício e a projecção do seu poder adquirem contornos específicos.

 

Na verdade, dificilmente outro líder teria o mesmo poder de atracção irracional sobre o autor destas linhas.

 

Uma questão religiosa? Perguntará o leitor.

 

O Diplomata diria antes que é uma questão de autoridade e de influência. E para isso não são precisos Exércitos.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 22:18
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

O "peregrino da paz" em penitência na Terra Santa

 

Reuters

 

O Papa Bento XVI já está a caminhar na Terra Santa, mais concretamente no reino hachemita da Jordânia, país no qual passará a maior parte dos oito dias desta deslocação ao Médio Oriente, que incluirá Israel e Cisjordânia.

 

Ao chegar ao aeroporto de Amã, o Sumo Pontífice, que tinha à sua espera o monarca Abdallah II acompanhado de sua mulher Ranya, começou por manifestar um "profundo respeito" pelo Islão. Deste modo, iniciou a sua penitência pelo discurso proferido em Ratisbona, em 2006, e que incendiou os corações e as mentes de milhões de muçulmanos por todo o mundo.

 

Um discurso que tem sido relembrado efusivamente pelos líderes islâmicos mais radicais jordanos, nomeadamente pela Irmandade Muçulmana daquele país e pelo partido Islamic Action Front, exigindo a Bento XVI um pedido de desculpas aos 1,5 mil milhões de muçulmanos espalhados pelo mundo.

 

O presidente deste último partido, Zaki Bani Rsheid, de acordo com a BBC News, chegou mesmo a escrever uma carta ao primeiro-ministro jordano, há sensivelmente um mês, precisamente para materializar este pedido.

 

Se em condições normais uma qualquer visita papal ao Médio Oriente é motivo de preocupações de segurança acrescidas, neste caso o cenário torna-se ainda mais delicado. Efectivamente, por esta altura Bento XVI estará na "mira" de muitos radicais islâmicos. 

 

Perante isto, o Diplomata não hesita em dizer que o Papa demonstra coragem e, certamente, "fé"  para pisar neste momento a Terra Santa. Mas, Bento XVI revela uma outra coisa: uma estratégia inteligente assente, sobretudo, em dois pilares.

 

Primeiro, começou por se assumir como um "peregrino da paz", um título que, por exemplo, foi utilizado em destaque pelo Haaretz.

 

Em segundo lugar, Bento XVI esvaziou ao máximo qualquer conteúdo político que pudesse estar associado a esta visita.

 

O Papa tem como principal objectivo promover o diálogo inter-religioso, entre a minoria cristão, que na Jordânia se resume a 110 mil pessoas, ou seja,  2 por cento da população, e judeus e muçulmanos. E nesta lógica, o Papa considera que a Jordânia está na primeira linha para a prossecução desta missão.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:51
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Domingo, 22 de Março de 2009

Momentos com história

 

Foto Associated Press

 

Um milhão de pessoas estiveram reunidas este Domingo em Luanda para assistir à missa ao ar livre do Papa Bento XVI, que exortou os africanos a livrarem-se das "nuvens do mal" que têm assolado aquele continente. O Papa apelou ainda o fim da violência na região dos Grandes Lagos. O Sumo Pontífice regressa amanhã a Roma.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:11
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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