Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Uma nota sobre Guterres

 

Em Portugal é comum tecerem-se considerações acríticas altamente elogiosas sobre personalidades políticas que não "ameaçam" os alinhamentos da politiquice caseira, seja porque estão bem longe do país, a desempenhar funções no estrangeiro, ou porque estão...mortas. Almeida Santos foi um dos casos mais recentes que, de um momento para o outro, se tornou uma personagem amada e elogiada por todos (mas isso é outra história). O que o Diplomata quer aqui chamar a atenção é para a ideia generalizada que se instalou aqui no burgo de que António Guterres fez um trabalho irrepreensível enquanto Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Sendo certo que a vários níveis, nomeadamente em termos de ganho de peso político para aquele organismo, conseguiu importantes feitos, já quanto à sua capacidade de se deslocar no terreno e de gerir crises no imediato, o balanço já não é assim tão positivo. Na verdade, várias foram as críticas dentro da própria organização e de antigos responsáveis pela forma pouco hábil e enérgica como Guterres lidou com a crise dos refugiados. Uma das críticas que mais se tem ouvido (não aqui em Portugal) foi o de que Guterres nunca se deslocou à Síria desde que a guerra civil despontou há cinco anos. Por contraste, o seu sucessor desde 1 de Janeiro, o italiano Filippo Grandi, visitou ontem as instalações do Crescente Vermelho em Damasco. Será um sinal de mudança no estilo da liderança do ACNUR? Provavelmente.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:13
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

PKK poderá ter encontrado uma nova fonte de recrutamento

  

Soldado turco vigia refugiados sírios na fronteira entre os dois países/Foto: AP

 

A situação que se vive na fronteira da Turquia com a Síria é neste momento um dos pontos mais dramáticos do mundo. Só nos últimos dias, terão passado por ali 130 mil refugiados vindos da Síria, muitos deles curdos, para procurar refúgio em solo turco. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), liderado por António Guterres, já alertou para o drama da situação.

 

A Turquia (leia-se o Estado central), que há pelo menos três décadas tem uma relação conflituosa interna com o PKK e que já provocou 40 mil mortos, enfrenta agora uma migração massiva de curdos para o seu território, que a médio prazo poderá tornar-se uma verdadeira dor de cabeça para as autoridades em Ancara.

 

Nos últimos anos, Ancara tem conseguido estabilizar internamente a "questão curda" e a intensidade do conflito tem vindo a diminuir. No entanto, é bem possível que, destes milhares de curdos que agora chegam à Turquia, o PKK encontre uma "fonte" de novos recrutas, inflamados por uma ideologia mais radical, podendo reacender a causa curda no seio do Estado turco. 

  

Publicado por Alexandre Guerra às 16:14
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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