Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Hamid Karzai aceita derradeira ronda eleitoral com "fair play"

 

 

A 31 de Agosto e perante a euforia desenfreada pós-eleitoral manifestada por várias chancelarias com o suposto sucesso das presidenciais afegãs, o Diplomata abordou neste espaço a estranheza por aquelas manifestações de entusiasmo.

 

Quase dois meses depois, a equipa de observadores das Nações Unidas exigiu que fosse realizada uma segunda volta a 7 de Novembro entre o Presidente Hamid Karzai e o seu principal oponente, Abdullah Abdullah.

 

Afinal, chegou-se à conclusão que houve irregularidades em 210 locais de voto, obrigando à invalidação dos actos eleitorais ali praticados.

 

Perante este cenário, os observadores das Nações Unidas consideraram que ao contrário dos 55 por cento de votos, que deram a vitória a Karzai sem necessitar de uma segunda volta, a recontagem coloca-o um pouco acima dos 48 por cento. E assim, a lei eleitoral exige a realização da derradeira ronda.

 

De acordo com alguns analistas, pode ser possível que Karzai e Abdullah possam chegar a um acordo de entendimento para a formação de um Governo de unidade nacional. Os próximos dias serão cruciais para se perceber a tendência política dos dois candidatos.

 

No meio deste processo, o Diplomata gostaria apenas de deixar uma nota de "fair play" ao Presidente Hamid Karzai que aceitou tranquilamente o processo de recontagem dos votos, uma atitude que obviamente se espera de um chefe de Estado responsável, mas que nem sempre se verifica em processos deste género. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 19:30
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Depois da euforia pós-eleitoral, a confrontação com a realidade afegã

 

Uma escola na aldeia de Pul-i-Charkhi, que acolheu as urnas de voto/Tyler Hicks/NYT 

 

A euforia pós-eleitoral manifestada por alguns responsáveis internacionais sobre o processo de voto nas presidenciais do Afeganistão do passado dia 20 de Agosto contrariava todos os pressupostos racionais e lógicos que durante meses vinham a ser comprovados diariamente no terreno. 

 

Embora não fossem as primeiras eleições no país, a verdade é que o Afeganistão continuava sem reunir as condições básicas para proporcionar aos seus eleitores um processo eleitoral justo e digno. 

 

No entanto, a julgar pelas primeiras análises ao acto eleitoral, dir-se-ia que o Afeganistão teria vivido uma aceleração repentina na sua caminhada para a "democracia" de um dia para o outro.

 

Alguns jornais, veiculando diversas fontes, chegaram mesmo a escrever que as eleições tinham sido um sucesso, informando que não se tinham verificado actos de violência significativos, tendo o processo decorrido com relativa tranquilidade. 

 

De certa maneira, isto foi verdade, no entanto, a "segurança" não era o único factor em jogo.  Embora fosse talvez o mais importante para o processo eleitoral, houve outros factores, como a cultura democrática e cívica, que foram esquecidos na análise pós-eleitoral. 

 

Deste modo, foram tiradas conclusões demasiado cedo e de forma precipitada, sem se ter em consideração todos os factores.  

 

Assim, numa perspectiva de segurança é verdade que o processo decorreu de forma relativamente pacífica, mas com o passar dos dias foi-se percebendo que aconteceram outros fenómenos igualmente perturbadores na ordem eleitoral.

 

Diariamente vai aumentando a lista de casos de fraude e de corrupção eleitoral. Ainda ontem, as entidades responsáveis afegãs pelos resultados eleitorais informaram que o número de irregularidades graves duplicou, registando-se neste momento cerca de 550 casos, num total de mais de 2000 queixas.

 

Este cenário poderá provocar o adiamento da divulgação oficial dos resultados para depois de Setembro, já que por lei as autoridades são obrigadas a investigar todos os casos suspeitos de irregularidades graves.

 

Para Martine van Bijlert, analista no The Afghanistan Anlysts Network, estas alegações estão a ser levadas a sério pelas autoridades, parecendo ser cada vez mais evidente que o processo eleitoral do passado dia 20 ficou marcado por fraudes sistemáticas.

 

Caso se confirme esta possibilidade, ficarão em causa os resultados eleitorais, complicando ainda mais a disputa que já se verifica entre o actual Presidente Hamid Karzai, e o seu principal rival, Abdullah Abdullah, na qual ambos clamam vitória. 

    

Publicado por Alexandre Guerra às 15:37
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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