Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

O padre que se fez Santo dos apaixonados depois de ter desafiado o poder de Roma

 

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Santo Valentinus baptiza Santa Lúcia/Pintura de Jacopo Bassano de 1575/ A primeira representação conhecida do Santo Valentinus encontra-se na "Crónica de Nuremberg de 1493"

 

Muitos namorados e casais um pouco por todo o mundo estarão, certamente, a contar as horas para celebrar, esta Terça-feira, mais um Dia de São Valentim, provavelmente num jantar à luz de velas em ambiente todo romântico. E enquanto os apaixonados se preparam para trocar todo o tipo de mensagens, rosas, bombons, peluches (e sabe-se lá mais o quê), poucos saberão que na origem destes rituais está uma história de poder, que acabou em decapitação e no martírio de um padre.

 

Apesar de não haver uma certeza absoluta sobre quem era o Santo que se celebra neste Dia, seria provável que fosse um padre cristão romano, de nome Valentinus (latim), que desafiou o poder instituído de Roma, personificado no imperador de Cláudio II. Embora se possam encontrar pelo menos outros dois Santos Valentinus associados ao dia 14 de Fevereiro, um bispo de Interamna (moderna Terni) e um outro que terá morrido em África em difíceis condições, foi sem dúvida o padre de Roma que se tornou no mártir mais famoso e celebrado, até porque os arqueólogos descobriram uma catacumba e uma antiga igreja dedicada ao Santo Valentinus precisamente naquela cidade. Além disso, no ano de 1493, na Crónica de Nuremberg, é pela primeira vez feita referência ao Santo Valentinus, como padre romano martirizado durante o reinado de Cláudio II. O padre Valentinus, tal como aconteceu com outros cristãos, desafiou a lei do Império, que proibia a prática do cristianismo, assim como o auxílio a quem praticasse esta religião.

 

Valentinus não só era um homem de fé cristã como casava em segredo os casais cristãos e auxiliava todos aqueles que eram perseguidos pelas autoridades. Supostamente, também ajudava a libertar os cristãos enclausurados sujeitos a torturas. O padre acabou por ser detido e, segundo consta, terá tentado converter o Imperador ao cristianismo. Um erro capital. Valentinus acabou por ser espancado e, finalmente, morto. Decapitado. No dia 14 de Fevereiro (instituído formalmente pelo Papa Gelásio em 496) do provável ano de 269.

 

Rezam as crónicas que, durante o seu cativeiro, a filha do seu carcereiro se terá apaixonado pelo padre, com quem chegou a encontrar-se. Apaixonada e cega, a jovem terá recuperado a visão depois daquele encontro. Um autêntico milagre. Diz ainda a lenda que na noite anterior à sua execução o padre terá feito chegar uma carta à jovem apaixonada, na qual exprime o seu amor cristão, despedindo-se com um “do seu Valentinus”.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:55
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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