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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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A pergunta que os europeus têm que fazer a si próprios

Alexandre Guerra, 01.09.15

 

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Uma família de migrantes descansa perto da vedação na fronteira da Sérvia com a Hungria/Foto: Saba Segesvari/AFP/Getty Images 

 

Quem por estes dias andar por Itália e estiver minimamente atento às notícias é confrontado com o drama dos migrantes ilegais, que ocupa a maior parte do tempo dos noticiários e as primeiras páginas dos jornais. A Itália, à semelhança da Grécia e da Hungria, vive um autêntico estado de emergência. É desta forma que as autoridades italianas estão a encarar o problema. E o caso não é para menos.

 

Os governantes italianos têm a noção de que o problema dos migrantes os atinge no "primeiro impacto" e, por isso, as suas entidades marítimas têm sido as principais protagonistas na intercepção e salvamento de cententas de pessoas, todos os dias, nas águas do Mediterrâneo. 

 

Os dois canais televisivos noticiosos da Rai e da Mediaset (equivalentes à RTPI e à SICN) têm estado a fazer "directos" permanentes dos portos da Catânia e de Palermo, sempre que há a informação de que está a chegar mais um navio da marinha ou da guarda costeira italiana com refugiados a bordo. Só na última semana, quase todos os dias chegaram migrantes àqueles dois portos sicilianos, depois de terem sido salvos no Mediterrâneo, mais concretamente nas águas entre a Líbia e a ilha de Sicília.

 

A verdade é que o problema da migração não afecta da mesma maneira os diferentes Estados da União Europeia. A Itália, a Grécia e a Hungria estão hoje na "linha da frente" desta tragédia e, perante uma ausência de resposta concertada ao nível europeu, têm adoptado medidas de curto prazo para fazer face a um problema para o qual ainda não há resposta sustentável e douradora, digna dos valores humanistas que tanto o Velho Continetne apregoa. 

 

Naturalmente que países da União Europeia como a Alemanha, a Áustria, a França, a Suécia, a Dinarmca ou o Reino Unido têm de lidar com este problema num outro nível e, por isso, a chanceler Angela Merkel tem razão ao dizer o óbvio de que tem que se encontrar uma solução comum. A questão é saber se todos os Estados da UE estão dispostos a fazer parte dessa solução. E se estão, até onde estão dispostos a ir? Mas antes, é preciso encontrar um modelo, se se quiser, uma espécie de doutrina sobre a forma de como os europeus se querem relacionar com os seus "vizinhos" de África e do Médio Oriente. Porque, essa é a questão principal. E só com esse novo paradigma, interiorizado pelos lideres e respectivas opiniões públicas, se deve partir para medidas concretas.

 

Deste modo, ninguém pode ou deve criticar a actuação da Itália, da Grécia ou até mesmo da Hungria. Neste momento, estes países estão apenas a reagir a "quente", a fazer aquilo que podem e que acham que é o mais correcto.Trata-se de uma lógica de actuação imediata e sem qualquer perspectiva de alcançar uma solução duradoura. Essa, como já aqui foi referido, terá que ser pensada em termos políticos, históricos e até mesmo filosóficos. Pode parecer estranho, mas no fundo os europeus têm que perguntar a si próprios como vêem e sentem os "outros", aqueles que chegam à Europa vindos de outras paragens, muitas vezes em desespero, sem nada, apenas com a roupa que trazem no corpo.

 

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