Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

Mais duas histórias de África

 

Mulheres na região de Kivu Norte na República Democrática do Congo 

 

1. Pelo menos dois homens armadilhados com explosivos pertencentes à milícia islamista al-Shabab fizeram-se explodir hoje num ataque suicída no hotel Muna em Mogadishu, próximo do palácio presidencial, matando 32 pessoas, incluindo seis deputados da Somália.

 

O ataque, que não representa qualquer surpresa na dramática realidade daquela cidade somali, já foi reivindicado pela al-Shabab e surge no segundo dia de combates intensos entre aquele grupo e as forças governamentais apoiadas pelo contingente da União Africana (UA), que integra 6000 soldados.

 

Desde ontem que já morreram mais de 70 pessoas em Mogadishu. Mais um início de semana igual a tantos outros naquela cidade do Corno de África.

 

2. Durante quatro dias dois grupos armados violaram cerca de 150 mulheres na aldeia de Bunagiri na conturbada região de Kivu Norte na República Democrática do Congo (RDC). Este trágico acontecimento ocorreu no final do mês passado, mas só agora as Nações Unidas confirmaram o caso. Entretanto, as vítimas estão a receber tratamento médico e psicológico.

 

Esta é mais uma história violenta que vem da região dos Grandes Lagos e cujos autores são insurgentes hutus pertencentes às Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda.

 

Os membros mais extremistas da etnia hutu foram responsáveis pelo genocídio de 1994 no Ruanda, e desde então têm desestabilizado a região, nomeadamente através de incursões no território do Congo.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:12
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

Se o Diplomata tivesse que eleger o local mais anárquico da Terra... Simples, Mogadishu

 

 

A esquecida e infernal cidade de Mogadishu vive mais um dia "normal" de combates ferozes nas suas ruas, fazendo desta vez 28 mortos e cerca de 60 feridos. Dificilmente haverá na terra local mais anárquico que Mogadishu, onde diariamente se digladiam diferentes facções.

 

Desta vez, e seguindo a lógica dos últimos tempos, os confrontos foram entre as forças governamentais e o movimento islâmico al-Shabab, uma espécie de “franchisado” da al-Qaeda na Somália, que tem vindo a ganhar influência naquela região.

 

As fontes são pouco claras quanto à origem destes mais recentes confrontos, mas, basicamente, a fonte do problema reside no facto da Somália ser o melhor exemplo de um “Estado falhado”, um país que parece uma manta de retalhos, sem Governo central efectivo desde 1991, e com várias parcelas do seu território a serem controladas por diferentes “senhores da guerra”.

 

O movimento al-Shabab tem vindo a ganhar o controlo de muitas zonas da Somália, sobretudo a Sul, impondo a “sharia” e, certamente, preocupando Washington pelas possíveis implicações terroristas que podem advir desta situação. A Somália tem todas as condições para se tornar um vespeiro de terroristas, tendo as forças de segurança norte-americanas começado a prestar mais atenção a esta região depois do 11 de Setembro.

 

Não é por isso de estranhar que os Estados Unidos, juntamente com os Estados vizinhos da Etiópia e do Uganda, estejam empenhados em providenciar ao Governo do Presidente Sheikh Sharif Ahmed o apoio necessário para garantir o mínimo de estabilidade, para que o Executivo se possa instalar em segurança na capital somali. No entanto, e tendo em conta a trágica experiência americana naquela região, são os soldados etíopes e ugandeses que mais se fazem sentir no território, criando um factor acrescido de conflito com os militantes islâmicos, que vêem naqueles soldados forças invasoras.

   

Publicado por Alexandre Guerra às 13:51
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Leituras

 

O Diplomata, por várias vezes, já chamou até este espaço a Somália, sugerindo agora a leitura de uma análise da BBC NEWS, Cold War Roots of Yemen Conflit.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 10:06
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Uma esperança que nunca foi restaurada

 

Coronel Mike Gish, Operação "Restoring Hope", Somália

 

A intervenção norte-americana na Somália, que culminou em Dezembro de 1992, na célebre operação "Restoring Hope", pode ser vista como o primeiro grande teste às capacidades e aos limites dos Estados  Unidos em cenários humanitários, num "novo mundo", no qual as relações internacionais estavam a viver um período de mudança e de incerteza imposto pelo fim da Guerra Fria.

 

Não teriam os Estados Unidos intervindo na Somália, acabariam por fazê-lo noutro sítio nas mesmas circunstâncias, escreveu em 2004 o já retirado Tenente Coronel, Frank G. Hofman.

 

A intervenção militar de cariz humanitário era algo que os Estados Unidos pura e simplesmente desconheciam (assim como os outros Estados), tendo em conta a natureza de conflito que durante quase 60 anos reinou no sistema internacional. Por mais longínquo, pobre e débil que fosse o palco do conflito, a natureza da intervenção era vista como uma estratégia inserida numa lógica bipolar de confrontação permanente com o inimigo soviético.

 

 

Fosse qual fosse a estratégia do conflito nunca estava em causa qualquer objectivo humanitário, mas sim de poder, ou melhor dizendo, de equilíbrio do mesmo no sistema internacional. 

 

É certo que a decisão do Presidente de então, George H. W. Bush, teve como base um interesse humanitário genuíno de auxílio ao contingente das Nações Unidas que se encontrava no terreno. Por outro lado, parte da estrutura político-militar em Washington, nomeadamente através do National Security Council (NSC), via no palco da Somália uma nova forma de conflito e na qual era necessário que os Estados Unidos estivessem presentes.  

 

 

 

Um dos problemas dramáticos desta equação foi a ingenuidade política em Washington e a descoordenação militar que sustentou toda a intervenção norte-americana na Somália, e que culminaria nos eventos trágicos de 3 de Outubro de 2003, com a morte de 18 americanos nas ruas de Mogadischo e 300 somalis.

 

Este dia ditou o fim da "aventura" americana na Somália, sendo anunciado a 8 de Outubro já pelo Presidente Bill Clinton a retirada das forças militares para 31 de Março de 2004.

 

A Somália representou para os Estados Unidos o primeiro teatro de operações assumidamente sob a "bandeira" humanitária, com o devido enquadramento legal das Nações Unidas. Perante esta nova realidade, os soldados americanos viram-se num cenário novo, no qual tinham de partilhar autoridade e competências com as restantes forças integradas na UNOSOM (I e II) e na UNITAF.

 

Além disso, tratava-se de uma guerra bastante passiva, já que as forças americanas estavam fortemente condicionadas na sua actuação, nomeadamente na capacidade de abrir fogo contra o inimigo. Pelo meio, actuavam os homens da Delta dos Rangers.

 

A Somália pareceu um tubo de ensaio militar, onde se colocou tudo lá dentro à espera de uma solução, mas tal não aconteceu. Pelo contrário, o resultado foi explosivo e afectou profundamente o moral e a credibilidade das forças americanas. 

 

No próximo dia 3 de Outubro passam 16 anos sobre os acontecimentos de Mogadishu (retratados no cinema sob realização de Ridley Scott em Black Hawk Down), e apesar de tudo (ou quase tudo) ter corrido mal durante a intervenção americana na Somália, a verdade é que foram tiradas ilações que serviram para intervenções militares posteriores, nomeadamente nos Balcãs.   

 

Publicado por Alexandre Guerra às 07:36
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Uma história sobre piratas na aldeia somali de Eyl

 

O jornalista Andrew Harding da BBC News foi até à remota aldeia costeira de Eyl, um dos bastiões da pirataria somali, para procurar  histórias relacionadas com aquela temática. Num gesto de valentia jornalística, a reportagem de Harding acaba por revelar uma visão interessante daquilo que é o coração do reduto daqueles salteadores das embarcações. 

 

Nas ruas de Eyl vive-se um ambiente aparentemente tranquilo, com pescadores locais a preparem as suas redes para irem para a pesca e a insisistirem ao jornalista que não são piratas. Revelam aliás, que a maior parte destes prevaricadores vêm de fora.

 

Mas, a verdade é que por entre as casas e as ruas poeirentas vão-se vislumbrando carros recentes e de elevada potência, indiciando rendimentos extraordinários vindos muito provavelmente da pirataria. 

 

Ao largo da costa pode-se ver uma embarcação sequestrada à espera do resgate para ser devolvida ao armador, devendo representar mais um encaixe financeiro nos bolsos destes aventureiros dos mares.

 

E o Diplomata utilizou a palavra "aventureiros", porque a julgar pelo relato do único líder pirata com quem Harding falou, aquele terá iniciado a sua actividade no mar apenas pelo gozo e divertimento. Entretanto, revela o mesmo, a actividade foi-se tornando mais evoluída, mas admita-se, também mais lucrativa. Seja como for, este diz-se agora um pirata reformado.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 07:52
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Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Leituras

 

O Diplomata sugere mais um artigo sobre a caótica situação que se vive na Somália. No winner seen in somalia's battle with chaos  do New York Times revela, mais uma vez, a triste e brutal realidade que diariamente os somalis enfrentam.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 13:20
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

BBC News revela que foram avistados soldados etíopes a regressar à Somália

 

No seguimento do mais recente texto aqui colocado, o Diplomata dá conta das notícias de última hora da BBC News, que informam que foram avistados soldados etíopes a regressarem à Somália para combater os insurgentes islâmicos, nomeadamente o grupo al-Shabab. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 10:30
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

A Somália e a caminhada pelo reino da anarquia

 

 

Membros do al-Shabab em actividade na Somália/EPA

 

A Somália continua a viver o seu quotidiano num autêntico ambiente de anarquia. Através de alguns meios internacionais, o autor destas linhas ficou a saber que alguns dos islamistas radicais, que em Janeiro de 2007 tinham sido derrotados por uma coligação de forças governamentais somalis e etíopes, voltaram a ocupar uma cidade naquele país.

 

O grupo al-Shabab -- um dos herdeiros da União dos Tribunais Islâmicos (UIC), que em Junho de 2006 tomaram Mogadishu, alastrando a sua conquista a grande parte do território da Somália até serem derrotados há pouco mais de dois anos -- conquistou Jowar, uma importante cidade a norte da capital somali.

 

Há várias semanas que os combates se intensificaram, obrigando as forças governamentais a recuarem novamente, confinando o controlo político a um pequeno espaço de Mogadishu e à cidade fronteiriça de El Berde . Com a saída dos soldados etíopes o Governo conta apenas com o apoio dos soldados da União Africana (UA).

 

Não é por isso de estranhar, embora seja um pedido invulgar aos olhos de qualquer cidadão de um país minimamente estável, que o ministro do Interior da Somália, Farhan Mohamoud, citado pela al-Jazeera, tenha exortado a comunidade de Jowar a ripostar contra os "invasores".

 

A cidade de Jowar é de extrema importância estratégica, sobretudo nesta altura de chuvas, já que é a única passagem para o centro da Somália para quem vem de Mogadishu. Além disso, esta cidade tem um valor simbólico, porque albergou o Governo transitório em 2005 e é a terra natal do Presidente Sheikh Sharif Sheikh Ahmed.

 

Além de ter conquistado Jowar, o grupo al-Shabab, ao qual o Diplomata já tinha feito referência em Agosto do ano passado, tem feito violentos ataques de morteiro em Mogadishu. Quanto ao resto do território continua controlado por milícias de "senhores da guerra", alguns deles aliados do Governo.

 

Os mais recententes acontecimentos apenas confirmam a tristemente distinção atribuída à Somália no ano passado, de Estado mais instável do mundo. Por este andar, será um galardão a repetir em 2009.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 07:59
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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