Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

Uma viagem ao Irão dos ayatollahs

 

Diplomata convida o leitor a clicar na imagem (abaixo) para ter acesso a um trabalho multimédia espectacular do Council of Foreign Relations sobre o Irão dos ayatollahs.

 

Crisis Guide: Iran
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Publicado por Alexandre Guerra às 20:59
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013

A bomba ainda está longe, mas o dossier iraniano serve os interesses de Netanyahu

 

 

Em Outubro último, e já depois da intervenção cénica do primeiro-minisro israelita, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o Diplomata escrevia que "qualquer observador mais atento sabe que Israel jamais permitirá que Teerão chegue a um estádio próximo da bomba atómica". E acrescentava ainda "que se até aqui não houve qualquer acção militar israelita, isso deve-se não tanto às pressões de Washington para a contenção, mas sim ao facto de Israel ainda não se sentir verdadeiramente ameaçado com o poder nuclear iraniano".


O Diplomata continua acreditar nesta lógica, reforçada pelas declarações proferidas esta Quinta-feira por Netanyahu, durante o tradicional encontro anual com os embaixadores israelitas colocados no estrangeiro. "Bibi" disse que o Irão ainda não passou a tal "linha vermelha" traçada por Israel. 


Provavelmente, o Irão ainda estará longe de chegar a essa "linha vermelha" que, de acordo com Israel, será quando 90 por cento do processo já estiver concluído. Netanyahu tem dito que isso pode acontecer já na Primavera ou no Verão. O Diplomata dúvida, embora compreenda o "jogo" de Netanyahu, que vai gerindo o dossier nuclear iraniano em conformidade com os seus interesses.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 19:22
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Os cálculos atómicos iranianos

 

This undated diagram was given to the AP by officials of a country critical of Iran's atomic program. The graph allegedly calculates the explosive force of a nuclear weapon, a key calculation in developing such arms. The diagram shows a bell curve and has variables of time in micro-seconds and power and energy, both in kilotons, which is the traditional measurement of the energy output, and hence the destructive power, of nuclear weapons. The curve peaks at just above 50 kilotons at around 2 microseconds, reflecting the full force of the weapon being modeled. The Farsi writing at the bottom translates "changes in output and in energy released as a function of time through power pulse."

 

Este gráfico foi divulgado esta tarde pela Associated Press e, supostamente, calcula a força de explosão de uma arma nuclear. Segundo aquela agência noticiosa, esta imagem foi cedida por uma fonte do programa nuclear iraniano e crítica do regime, sob condição de anonimato.

 

De acordo com as interpretações feitas a este gráfico, está-se a falar de um engenho nuclear com uma capacidade destrutiva três vezes superior à da bomba atómica de Hiroshima. Esta informação vem reforçar a ideia de que o Irão está a desenvolver armas de destruição maciça. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:00
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012

A "doutrina Begin"

 

 Caça F-16 israelita

 

Benjamin Netanyahu encenou, na passada semana, um espectáculo que terá agradado à maioria dos embaixadores presentes na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi certamente do agrado da imprensa internacional, a julgar pelo destaque que deu ao primeiro-ministro hebraico, que mostrou um desenho de uma bomba para exemplificar a “linha vermelha” que Israel não vai permitir que o Irão atravesse no que diz respeito ao seu programa nuclear.

 

Aquilo que Netanyahu disse não é uma novidade, já que qualquer observador mais atento sabe que Israel jamais permitirá que Teerão chegue a um estádio próximo da bomba atómica.

 

Se até aqui não houve qualquer acção militar israelita, isso deve-se não tanto às pressões de Washington para a contenção, mas sim ao facto de Israel ainda não se sentir verdadeiramente ameaçado com o poder nuclear iraniano.

 

Porque, a partir do momento em que os serviços de “intelligence” israelitas reunirem informação que coloque o Irão na iminência de alcançar a bomba atómica, Israel atacará cirurgicamente as várias instalações nucleares iranianas, sem qualquer aviso prévio, incluindo a Washington, que só deverá ter conhecimento da operação quando esta já estiver em curso.

 

A Mossad está atenta ao Irão, tal como sempre esteve em relação aos programas nucleares da Síria e do Iraque, tendo agido preventiva e militarmente contra estes dois países a partir do momento em que se sentiu efectivamente ameaçada.

 

Em 1981, o primeiro-ministro Menachem Begin deu ordem para que oito caças F-16 destruíssem o reactor nuclear de Osirak, no Iraque, que Israel acreditava produzir plutónio para ogivas. Secretamente e contra a vontade de Washington, Begin não hesitou. Estava lançada a “doutrina Begin”, que assenta no seguinte princípio: “The best defense is forceful preemption." Para Begin, nenhum adversário de Israel deveria adquirir armas nucleares.

 

Em 2007 seria a vez de Ehud Olmert pôr em prática a “doutrina Begin”, desta vez contra a Síria. Ainda recentemente, a New Yorker explicava como Israel tinha bombardeado secretamente o suposto reactor nuclear de Al Kibar sem que ninguém desse por isso e o assumisse posteriormente.

 

O ataque resultou de uma operação da Mossad em Viena, em Março de 2007, na qual recolheu “intel” na casa de Ibrahim Otham, o director da Comissão Síria de Energia Atómica. As provas recolhidas, incluindo fotos do local do reactor, eram conclusivas. Washington foi informado, mas o Presidente George W. Bush não ficou muito convencido.

 

Olmert, por seu lado, tinha poucas dúvidas e a 5 de Setembro, pouco antes da meia noite, quatro F-15 e quatro F-15 levantaram voo de bases israelitas com destino à Síria.

 

Através de mecanismos electrónicos, os israelitas “cegaram” o sistema de defesa anti-aéreo sírio, entre as 00:40 e as 00:53, o suficiente para entrarem no espaço aéreo do inimigo sem serem vistos e lançaram várias toneladas de bombas sobre o alvo. Hoje, cinco anos depois, ninguém fala no assunto ou o reconhece, seja Israel ou a Síria.

 

O Irão poderá ser o próximo alvo da “doutrina Begin”, embora Israel reconheça tratar-se de uma operação mais complexa do que as duas anteriores.

 

Uma coisa é certa, a encenação de Olmert na passada semana na Assembleia Geral poderá ter servido para sossegar a Casa Branca e dar mais algum tempo ao Presidente Barack Obama, numa altura em que está em plena campanha eleitoral. Mas que ninguém duvide, a partir do momento em que a Mossad tiver dados conclusivos que apontem para uma ameaça nuclear iminente vinda do Irão, os caças bombardeiros israelitas voltarão a levantar voo em segredo. A grande questão é saber se a Casa Branca será informada antes ou depois de descolarem em direcção ao alvo.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:35
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2012

O Irão e as sanções do Ocidente (3)

 

Anúncio da Kia em Teerão

 

Já aqui se tinham escrito dois textos sobre a problemática das sanções impostas ao Irão pelos Estados Unidos e pela União Europeia, dedicando-se agora estas últimas linhas a uma perspectiva muito concreta e que poderá ajudar a compreender melhor alguma inconsistência e timidez na forma como a administração americana tem gerido esta política.

 

Como também já tinha aqui sido citada, Erin Burnett, jornalista da CNN, escreveu recentemente na Fortune que Washington é “duro” com Teerão, mas só às vezes. E dá uma explicação.

 

Acima de tudo é importante ter em consideração que uma política de sanções mais agressiva por parte de Washington iria afectar negativamente as exportações de crude iraniano, nomeadamente para a China. Noutras circunstâncias poderia ser uma “arma” muito útil para Washington, ao impossibilitar o Irão de escoar o seu recurso mais valioso.

 

Mas o problema começa aqui, já que a China é o principal importador do crude iraniano e qualquer medida mais radical dos Estados Unidos que pusesse em causa aquela relação comercial seria certamente do desagrado de Pequim, que, por acaso, é detentor de 1,17 biliões (trillion) de dólares da dívida americana.

 

Daí o autor destas linhas ter escrito no texto anterior que “para se perceber, em parte, esta realidade [das sanções] é preciso compreender o paradigma do actual sistema internacional, dominado por uma interdependência complexa muito acentuada, na qual os Estados Unidos estão totalmente emaranhados, tal e qual uma mosca numa teia de aranha”.

 

E nesta teia de interesses também a Coreia do Sul e o Japão são grandes importadores do crude iraniano. Por isso, qualquer embargo total imposto ao Irão iria reflectir-se dramaticamente naquelas economias asiáticas e iria provocar alguma crispação com Washington, algo que não será certamente do interesse da administração americana. Seul tem todo o interesse em manter boas relações com Teerão, tendo em conta a penetração naquele mercado de marcas sul coreanas como a Samsung, a Hyundai ou a Kia. Fontes da Samsung revelaram a Erin Burnett que a presença no mercado iraniano é bastante significativa.

 

Uma realidade que tem provocado alguma frustração nos círculos políticos em Washington, como o próprio David Cohen, o subsecretário do Tesouro para o terrorismo e “intelligence” financeira, acabou por reconhecer, ao ver companhias americanas como a Apple, a GM, a Dell ou a Ford impedidas de operar no Irão, enquanto as rivais sul-coreanas das indústrias automóvel e tecnológica estão bem presentes no mercado iraniano.

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Publicado por Alexandre Guerra às 13:19
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012

O Irão e as sanções do Ocidente (2)



Iraniano a ouvir música na sua loja, em Janeiro último, na cidade de Chabahar, perto do estreito de Ormuz/Foto: EPA/Abedin Taherkenareh

 

“Por que razão a administração americana não endurece o regime de ‘sanções’ contra o Irão?” Foi com esta pergunta que o autor destas linhas terminou o seu primeiro texto sobre a problemática das sanções impostas pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos e pela União Europeia, ao Irão.

 

A “moeda iraniana caiu 10 por cento depois da UE ter implementado o embargo às importações de petróleo no início de 2012 e as sanções americanas terão custado ao Irão mais de 60 mil milhões em investimentos perdidos na área da energia”, segundo uma reportagem da Al Jazeera desta semana sobre, precisamente, o impacto daquelas medidas na Repúplica dos ayatollahs.

 

Também ao nível das exportações de petróleo, o Irão está a sentir um decréscimo em relação aos seus dois principais clientes, a China e a Índia, mas o “ouro negro” continua a fluir para aqueles países asiáticos, visto que um dos problemas se deve mais à questão do transporte por causa dos seguros das embarcações do que propriamente à proibição para a venda e compra daquele recurso.

 

Apesar desta evidência e da administração americana ter aprovado este mês um outro pacote de sanções, a verdade é que muito mais poderia ser feito no que diz respeito à implementação de medidas duras com vista a pressionar a República Islâmica do Irão.

 

As mais recentes sanções aprovadas por Barack Obama pretendem-se que sejam “smart” e dirigidas a algumas instituições, empresas e entidades bancárias iranianas que estão de alguma forma relacionadas com a indústria da defesa, com o sector da tecnologia e com o programa nuclear.

 

Obama, tal como os líderes em Bruxelas, quer sanções cirúrgicas, por modo a minimizar, na medida do possível, o impacto na população. Sem dúvida que é um argumento válido, mas como escrevia Erin Burnett, jornalista da CNN, na Fortune, Washington é “duro” com Teerão, mas só às vezes.

 

Efectivamente, os Estados Unidos têm revelado alguma inconsistência na forma como têm abordado a política de sanções contra o Irão quando comparada com situações semelhantes envolvendo outros Estados em diferentes períodos da sua história. E para se perceber, em parte, esta realidade é preciso compreender o paradigma do actual sistema internacional, dominado por uma interdependência complexa muito acentuada, na qual os Estados Unidos estão totalmente emaranhados, tal e qual uma mosca numa teia de aranha. Uma análise que fica para um terceiro e último texto.

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 22:54
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

O Irão e as sanções do Ocidente (1)

 

Trabalhadores iranianos junto da central nuclear de Bushehr/Foto: Reuters - Mehr News Agency - Majid Asgaripour

 

Alguém acreditará que o regime iraniano mudará a sua política nuclear por, eventualmente, se sentir pressionado com as “sanções” de que tem sido alvo? Provavelmente, ninguém. Nem mesmo Washington ou Bruxelas, os principais impulsionadores das “sanções” aplicadas a Teerão.

 

Por um lado, e em termos genéricos, é praticamente um dado científico que a política de “sanções” se revela sempre mais penosa para o povo do que propriamente para as lideranças políticas. Em segundo lugar, e no caso concreto do Irão, as “sanções” impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia são relativamente suaves.

 

Citado pelo New York Times, Mark Dubowitz, director executivo da Foundation for Defense of Democracies, disse o seguinte a propósito das recentes medidas anunciadas pela administração americana: “This is really a game of whack-a-mole. These are incremental measures. What are needed now are measures more akin to economic warfare than these targeted, pinpoint measures.”

 

As “sanções” de natureza política e diplomática limitam-se a medidas como a restrição de atribuição de vistos ou de movimentos de algumas figuras do Estado iraniano. Também as de cariz económico circunscrevem-se ao congelamento de contas, à restrição de movimentos financeiros, ao embargo à venda de material militar ou à suspensão da cooperação bilateral nalgumas áreas, como energia ou seguros.

 

Nem mesmo o embargo inédito à importação de petróleo que a União Europeia decretou no Conselho Europeu dos Ministros dos Negócios Estrangeiros do passado 23 de Janeiro para começar a ser aplicado faseadamente a partir de 1 de Julho se revela muito prejudicial para o Irão, já que o grosso das exportações deste país são para a Ásia, com a China à cabeça, representando cerca de 22 por cento (dados do primeiro semestre de 2011). A seguir vem o Japão com 14 por cento e a Índia com cerca de 13 por cento. A Coreia do Sul representa 10 por cento das exportações.

 

Quanto aos 18 por cento de petróleo e de crude que o Irão exporta para a União Europeia, o problema coloca-se basicamente ao nível de dois ou três países, já que só a Itália e a Espanha, juntas, representam 13 por cento do total dessas exportações.

 

É verdade que, tal como Bruxelas e Washington referem, estas “sanções” em particular são dirigidas, sobretudo, aos elementos da cúpula iraniana, admitindo-se, no entanto, que possam “beliscar” um pouco a economia daquele país. Mas nada de muito significativo, para bem da população.

 

E quanto aos efeitos dessas “sanções” na acção da liderança iraniana, os resultados são aqueles que toda a gente vê: o presidente Mahmoud Ahmadinejad continua a desafiar Washington com o seu programa nuclear.

 

Perante isto, outra pergunta se impõe: “Por que razão a administração americana não endurece o regime de ‘sanções’ contra o Irão?”

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Publicado por Alexandre Guerra às 15:03
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012

Os alarmes de um conflito com o Irão voltam a soar no Médio Oriente

 

Sobreviente do atentado de ontem na cidade búlgara de Burgas/Foto: Reuters 

 

Ehud Barak, ministro da Defesa israelita, não tem dúvidas que o atentado que vitimou cinco turistas israelitas, ontem, na cidade balnear de Burgas na Bulgária foi perpetrado pelo Hezbollah sob os auspícios do Irão. Também Avigdor Liberman, chefe da diplomacia hebraica, informou que este ataque tem a impressão digital iraniana. 

 

Por esta altura, o Diplomata tem a certeza que os "falcões" israelitas estão a pressionar o líder do Executivo, Benjamin Netanyahu, para avançar em força contra o Irão. A julgar pelas declarações de "Bibi", aqueles não deverão ter que se esforçar muito para terem a sua vingança. Netanyahu já disse que "Israel vai responder ferozmente contra o terror iraniano".

 

Publicado por Alexandre Guerra às 13:09
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Sábado, 9 de Junho de 2012

Stuxnet e Flame, as mais recentes armas de uma guerra silenciosa

 

 

A descoberta dos vírus informáticos Stuxnet e Flame, as duas armas "sensação" mais recentes no palco da ciberguerra, parece ter accionado os alarmes nas principais chancelarias internacionais.

 

Não tanto pela sua existência, já que esta é uma realidade há muito conhecida dos Estados (ver texto em O Diplomata), mas sobretudo pelo grau de sofisticação que aqueles vírus vão apresentando.

 

O Stuxnet, a julgar pelo novo livro de David Sanger, jornalista do New York Times, terá sido um vírus criado com o patrocínio da administração americana e do Governo israelita, com um objectivo bem circunscrito: o programa nuclear iraniano.

 

Conta Sanger que o Stuxnet terá sido responsável pela destruição de 1000 das 5000 centrifugadoras de urânio a operar nas instalações de Natanz.

 

Na altura em que o vírus foi descoberto, em Junho de 2010, empresas como a Kaspersky ou a Symantec constararam que 60 por cento dos 100

mil computadores infectados estariam no Irão e que o Stuxnet “procurava” exclusivamente um determinado tipo de hardware e de software da Siemens que estava a ser utilizado pelos iranianos no processo de centrifugação do urânio. Tratava-se de material embargado ao Irão, mas ao qual o regime de Teerão terá tido acesso para gerir as centrifugadoras em cascata no complexo de Natanz.  

 

Embora não existam certezas sobre quem esteve por detrás do Stuxnet, uma coisa para ser certa: é muito provável que aquele vírus tenha sido desenvolvido por entidades estatais. Uma conclusão que se retira não tanto pelas capacidades e potencialidades do Stuxnet (que são muitas), mas pelos seus objectivos específicos, neste caso, o projecto nuclear iraniano.

 

Sob este ponto de vista, o Stuxnet pode ser considerado a primeira arma de sucesso da ciberguerra, já que, aparentemente, demonstrou ser eficaz nos propósitos para que terá sido criado.

 

 

Ainda mais eficaz e perigoso parece ser o mais recente Flame, um vírus totalmente direcionado e com características de espionagem e de “intelligence”. O vírus foi descoberto há semanas e, curiosamente, foram as próprias autoridades iranianas, através do Iranian Computer Emergency Team, a soarem o alerta. O que não é de estranhar, uma vez que o Flame infectou sobretudo aquele país e outros Estados politicamente instáveis e que de certa forma ameaçam a estabilidade do sistema internacional, tais como a Síria ou o Sudão.

 

Uma das características do Flame é o seu grau de sofisticação, o que não faz dele um mero acto criminoso, mas sim uma acção deliberada de espionagem só ao alcance de entidades estatais.    

 

E todos os caminhos apontam para Washington ou não fossem os Estados mais afectados pelo Flame fontes de preocupação para a administração americana. Mas para já, está-se apenas no campo da especulação, sem confirmação oficial de qualquer parte.

 

Seja como for, e como escrevia há dias Tom Chatfield na BBC World News, “é cada vez mais claro que um tipo de guerra silenciosa está a começar no online: uma [guerra] em que até os especialistas só reconhecem as batalhas depois destas terem acontecido”.

 

E, efectivamente, tanto o Stuxnet como o Flame só foram descobertos muito tempo depois de andarem a circular nas redes cibernéticas internacionais. Mikko Hypponen, investigador chefe da empresa F-Secure e um dos grandes especialistas mundiais nesta área, admitia num artigo para a Wired essa realidade. “É um espectacular falhanço para a nossa companhia, e para toda a indústria de antivírus no geral.”

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Publicado por Alexandre Guerra às 22:04
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Espiões com licença para matar no Irão com banda sonora a condizer

 

 

Uma análise tão acutilante da Reuters sobre as movimentações secretas e acções furtivas dos espiões com licença para matar no Irão só podia ser acompanhada por uma banda sonora a condizer.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 22:55
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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