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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O cerco aperta para Mariano Rajoy

Alexandre Guerra, 09.07.13

 

 

O cerco aperta para Mariano Rajoy, que viu o jornal El Mundo divulgar hoje documentos originais do antigo tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, que mostram, alegadamente, pagamentos ilícitos ao chefe do Governo espanhol, em 1997, 1998 e 1998, na altura ministro de José Maria Aznar.

 

Já não se trata apenas de uma campanha do El País, jornal que espoletou este caso em Fevereiro. O caso assume-se cada vez mais problemático para Rajoy, numa altura em que a número dois do PSOE, Elena Valenciano, é taxativa: "Se se demonstrar que Rajoy recebeu enquanto ministro e mentido enquanto presidente [do Governo], não poderá continuar à frente do Governo de Espanha."

 

A velhinha que transformou Jesus Cristo num "macaco"

Alexandre Guerra, 22.08.12

 

O antes e o depois do restauro ao Ecce Homo

 

Quantas vezes ouviu a célebre frase do “faça você mesmo”? Certamente que muitas e, provavelmente, já a terá levado à prática por diversas ocasiões, sobretudo nestes tempos de crise, onde cada euro poupado é um euro ganho.

 

Mas atenção caro leitor, se é verdade que o seu empenho é meritório e louvável, pense bem antes de se meter por territórios desconhecidos, arriscando-se a fazer “borrada” (perdoe-me o leitor a linguagem mais brejeira).

 

Pois, foi literalmente isso que aconteceu numa operação de restauro espontâneo levado a cabo por uma velhinha de 80 anos em Espanha que, perante a deterioração do fresco Ecce Homo, de Elías García Martínez, meteu mãos à obra, e em apenas duas horas, espante-se o leitor, transformou Jesus Cristo em algo parecido com um "macaco bastante peludo na cabeça" (é uma interpretação do correspondente da BBC News e não deste vosso autor)

 

Perante tal “profanação” ou "intervenção artística" (dependendo da perspectiva) daquela obra do Santuário da Misericórdia, que fica situado num topo do monte na localidade de Borja, Saragoça, os alarmes soaram em toda a Espanha.

 

Ninguém dúvida das boas intenções da senhora Cecilia Giménez, residente na paróquia do Santuário, que já veio dizer que o “fez com toda a boa fé do mundo”, para poder meter a igreja mais bonita. Além disso, disse que não fez nada às escondidas porque toda a gente que ia entrando no Santuário a via a pintar. Cecilia Giménez escreveu mesmo uma legenda por debaixo do fresco que dizia: "Este es el resultado de dos horas de trabajo a la Virgen de la Misericordia".

 

Mas o mais irónico desta história, e como referia o El País, desde o meio da manhã desta Quarta-feira já toda a Espanha conhecia o Santuário da Misericórdia e sobretudo o Ecce Homo, uma obra do início do século XIX que não é particularmente valiosa.

 

Ou melhor, não era particularmente valiosa. Porque, depois da intervenção transformista levada a cabo pela senhora Cecilia Giménez, o Ecce Homo é, agora, uma verdadeira obra de arte, certamente com valor de mercado. 

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Tão simples...

Alexandre Guerra, 01.08.12

 

Na última edição da revista Fortune lê-se, num artigo assinado por Pankaj Ghemawat (um dos gurus da “moda” na área da estratégia empresarial) e por Stijn Vanormelingen, que a “produtividade laboral espanhola (produção real por trabalhador) aumentou apenas 15 por cento entre 1990 e 2010”.

 

Dirá o leitor: “Nem é um número propriamente mau”. Talvez não seja se não continuar a ler o resto do texto.

 

Veja-se então o seguinte: No mesmo período de vinte anos, nos países do Norte da Europa essa mesma produtividade por trabalhador aumentou 25 por cento. Mas há mais. “Ao mesmo tempo, os custos espanhóis por trabalhador aumentaram 120 por cento.” No Norte da Europa, o aumento ficou-se pelos 60 por cento.

 

Perante estes indicadores, Pankaj Ghemawat e Stijn Vanormelingen concluem que “os custos laborais por unidade produzida em Espanha aumentaram três vezes mais rápido do que no Norte da Europa”.

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Rajoy com motivos para celebrar...com o golo da Espanha no Euro 2012

Alexandre Guerra, 10.06.12

 

Alejando Ruesga/El País

 

Depois de ter explicado aos jornalistas o resgate de 100 milhões de euros à banca espanhola numa conferência de imprensa no Palácio da Moncloa esta manhã, horas mais tarde, o presidente do Governo, Mariano Rajoy, esteve na Polónia e encontrou motivos para festejar... com o golo da Espanha no seu jogo de estreia no Euro 2012 frente à Itália.

 

O primeiro juiz "hispânico" do Supremo Tribunal dos EUA afinal seria português

Alexandre Guerra, 30.05.09

 

A propósito da nomeação de Sonia Sotomayor para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos gerou-se um debate secundário, mas muito interessante, sobre o facto se aquela juíza é efectivamente a primeira hispânica a marcar presença na mais alta instância judicial dos Estados Unidos.

 

E tais dúvidas ficam-se a dever ao antigo juiz do Supremo nos anos 30, chamado de Benjamin Cardozo, cuja origem será portuguesa de uma família judia. A questão é que para os americanos este facto é suficiente para considerá-lo hispânico, já que a Hispania será algo que corresponderá mais ou menos à Península Ibérica.

 

Jeffrey Rosen chega mesmo a escrever o seguinte: "She [Sotomayor] would be the first Hispanic Supreme Court justice, if you don't count Benjamin Cardozo." Ora, mesmo perante a possibilidade de Cardozo ter origem portuguesa, isso não é suficiente para encerrar um debate que é à partida inócuo para quem tenha a mínima noção de geografia e de conhecimento dos povos.

 

É extraordinário que perante estes factos ainda existam pessoas nos Estados Unidos que considerem que o Supremo já teve o seu primeiro membro hispânico. Ao New York Times, o Professor Andrew Kaufman, da Harvard Law School, classifiou o debate como "esotérico" e "complexo", não conseguindo avançar com uma resposta clara e objectiva. 

 

O que não deixa de ser surpreendente, já que Kaufman chega a admitir que a família de Cardozo chegou à América no século XVIII vinda de Portugal.

 

Perante a ausência de uma posição clara de Kaufman, é o próprio New York Times que divaga:  "Professor Kaufman said that although there is no documentation, Cardozo’s family, which came to America in the 18th century, always believed that its forebears had come from Portugal, not Spain. And that raises an even more recondite question: are Portuguese people Hispanic?"

 

E é então que se introduz uma nova informação que, embora surpreendente, poderá ajudar a compreender melhor todo este debate. "Most Hispanic organizations and the United States Census Bureau do not regard Portuguese as Hispanic." Até aqui nada de novo...

 

"But Tony Coelho, a Portuguese-American congressman from California, was a member of the Congressional Hispanic Caucus when he was in the House, and Representative Dennis Cardoza, Democrat of California, whose ancestors came from the Azores, a Portuguese archipelago, is still a member."

 

Perante esta transfiguração hispânica, Arturo Vargas, director da National Association of Latino Elected and Appointed Officials, coloca algum senso em toda este devaneio ao explicar que a concepção contemporânea de hispânico nos Estados Unidos não inclui certamente Benjamon Cardozo.

 

Para Vargas, ser-se hispânico nos Estados Unidos corresponde apenas àqueles que são descendentes dos países das Américas de língua espanhola, não estando sequer contemplados os originários de Espanha.