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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

Send in the clowns

Alexandre Guerra, 01.03.13

 

 

A propósito das eleições italianas e dos espectaculares resultados alcançados pelo antigo comediante Beppe Grillo e o não menos "entertainer" Silvio Berlusconi, a The Economist dá o mote: Send in the clowns. Um título que merece ser acompanhado com a célebre música homónima de Stephen Sondheim, aqui interpretada pela Barbara Streisand.

 

 

...e ainda dizem que a política é chata

Alexandre Guerra, 26.02.13

 

Ilustração de Belle Mellor/The Guardian

 

Como o Diplomata escreveu em tempos, é impossível não gostar da política italiana. Ao contrário de quase todos os outros sistemas políticos do mundo, em Itália tudo parece ser possível. Mesmo perante os cenários mais inverosímeis, os italianos conseguem sempre ir um pouco mais além, dentro daquilo que é uma anormal normalidade.


Só quem anda muito distraído ou não acompanha minimamente a política italiana é que terá ficado surpreendido com os mais recentes resultados eleitorais naquele país. Nada de novo, apenas mais uma situação dramática, criada pelos próprios italianos, à qual reagem sem grande histeria, embora com muito alarido. Como trazia o Libération em manchete, está-se perante uma "fractura à italiana".


A política em Itália é uma verdadeira excitação, um espectáculo para todo o mundo, mas ao mesmo tempo um laboratório fascinante para os cientistas políticos. É que perante tanto absurdo e loucura, num país que teve mais de 60 governos desde a II GM, a Itália vai funcionando, ao ponto de continuar a ser a terceira potência da União Europeia, membro do G7, um farol na arte e na cultura, uma inspiração na beleza e no estilo e um destino turístico ambicionado por todos.

 

Registos

Alexandre Guerra, 26.11.12

 

Numa altura em que a opinião pública tem muitas razões para estar descontente com a classe política, torna-se ainda mais louvável a taxa de participação das eleições de ontem na Catalunha, que chegou quase aos 70 por cento. Um aumento considerável em relação a 2010, que não tinha alcançado os 59 por cento.

 

Além da Casa Branca e do Congresso...

Alexandre Guerra, 07.11.12

 

Além das eleições para a Casa Branca e para o Congresso, os eleitores de alguns estados foram às urnas para decidir sobre inúmeros outros temas importantes para o seu quotidiano.

 

Por exemplo, no Maine, em Maryland e em Washington referendou-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tendo os eleitores aprovado esta medida. Também no estado de Washington, assim como no Colorado, os eleitores votaram no sentido de se legalizar o uso recreativo da marijuana.

 

Já na Califórnia os eleitores rejeitaram a proposta para a abolição da pena de morte. E em Porto Rico foi a referendo uma proposta para se manter o estatuto de "estado livre associado" dos Estados Unidos. De acordo com os resultados preliminares conhecidos, a maioria dos porto-riquenhos disse "não", abrindo caminho para que aquele estado se torne no 51º dos Estados Unidos, caso o Congresso aprove a iniciativa.

 

Da República (francesa)

Alexandre Guerra, 06.05.12

 

Jovens na Praça da Bastilha após a vitória de François Hollande/Foto Reuters 

 

Nos últimos anos, talvez perante a preguiça intelectual de muitos analistas, comentadores ou jornalistas, tem sido comum ouvir-se amiúde que os cidadãos estão cada vez mais afastados da Política, apesar desta ideia não corresponder totalmente à realidade.

 

Naquele que é um dos elementos mais representativos da chamada democracia directa, as eleições, é interessante ver que em muitos casos a taxa de participação dos eleitores é bastante elevada. Por exemplo, no caso francês, nas eleições presidenciais, nas quais os eleitores reconhecem o “big moment” para a organização da sua sociedade, assiste-se a um entusiasmo histórico na corrida ao Eliseu.  

 

Na primeira volta das eleições presidenciais francesas há duas semanas, a taxa de participação foi de 80 por cento, bastante elevada. Este Domingo, a afluência terá sido acima dos 80 por cento. Já em 2007, esse valor esteve próximo dos 84 por cento (média das duas voltas).

 

Razões para explicar esta realidade serão várias, mas uma coisa é certa, os franceses parecem ter em consideração alguns ensinamentos antigos.

 

Já dizia Cícero (106 a.C - 43 a.C), em resposta aos epicuristas que repudiavam a Política por considerarem uma ameaça à harmonia da vida dos cidadãos e à tranquilidade da sua alma, que o primeiro dever moral dos homens era a participação na vida política.

 

Cícero, conceituado jurista, advogado, escritor, alto funcionário da República de Roma, reconhecia que a Política tinha grandes custos e implicava muitos sacrifícios e perigos, mas nem por isso os cidadãos deviam deixar de cumprir o seu dever em participar nas decisões que orientavam as suas sociedades.

 

Cassetes e livros religiosos distribuídos em mesquitas dão votos ao Partido Nour

Alexandre Guerra, 05.01.12

 

Cartazes de campanha dos salafistas do Partido Nour, Egipto

 

Na tentativa de se encontrar uma razão que ajude a explicar os bons resultados alcançados pelo Partido Nour nas eleições legislativas egípcias, Tariq Ramadan, intelectual muçulmano e neto do fundador da Irmandade Muçulmana, revelou numa entrevista ao jornal Público que um dos factores de sucesso daquela organização salafista tem a ver com a sua capacidade operacional no terreno.

 

O Partido Nour faz uma interpretação mais literal e fundamentalista do Islão do que a Irmandade Muçulmana,   

 

Segundo Ramadan, o Partido Nour, que deverá obter uns surpreendentes 25 por cento dos votos, enquanto a Irmandade Muçulmana poderá chegar aos 40, tem conseguido passar a sua mensagem através das mesquitas, "distribuindo cassetes e livros de referência".

 

Esta lógica comunicacional poderá parecer quase rudimentar quando confrontada com as dinâmicas comunicacionais verificadas nas sociedades ocidentais, mas, na verdade, tem sido uma prática eficaz na transmissão da mensagem que os líderes políticos e religiosos muçulmanos pretendem fazer passar para as suas comunidades. 

 

Contrariamente ao que se verifica nas democracias ocidentais, onde a lógica comunicacional do "porta a porta" ou do comício partidário só faz sentido quando é amplificada pelos meios de comunicação social de massas, nos países muçulmanos, nomeadamente árabes, o contacto pessoal ou a transmissão directa da mensagem com o eleitor importa em si mesma, como parte de um processo de formatação religiosa e doutrinária.

 

Clássico exemplo é do ayatollah Khomeini que, em 1979 e a partir de Paris, fomentou e coordenou uma revolução no Irão, através de mensagens transmitidas por vídeo durante as orações nas mesquitas. Sem isto nunca teria sido possível mobilizar as massas para derrubar o regime do Xá e fundar a República Islâmica do Irão.   

 

Os resultados das eleições para a câmara baixa do parlamento egípcio, e que se prolongaram durante várias semanas, divididas em três fases, deverão ser conhecidos no próximo dia 13.

 

Putin confirma candidatura presidencial há muito prevista

Alexandre Guerra, 24.09.11

 

 

Aquilo que foi escrito pelo Diplomata em Outubro de 2007 e reforçado em Dezembro de 2009 foi finalmente confirmado pelo próprio Vladimir Putin, que durante o congresso do partido Rússia Unida anunciou ser o candidato presidencial às eleições de Março de 2012. Uma decisão apoiada pelo actual Presidente Dimitri Medvedev.

 

Sinais preocupantes para Obama vindos de Brooklyn e de Queens

Alexandre Guerra, 14.09.11

 

O republicano Bob Turner, ontem à noite, a festejar a conquista do seu lugar no Congresso/Foto:AP

 

O Presidente Barack Obama e toda a sua equipa de reflexão política deverão começar a analisar com muita atenção os sinais que estão a ser dados por algum eleitorado tradicionalmente democrata. Sobretudo quando alguns destes sinais representam viragens históricos no mapa político democrata dos Estados Unidos.

 

Aquela que seria uma corrida eleitoral ganha à partida pelo democrata David I. Weprin, para substituir o seu correligionário Anthony D. Weiner na Câmara dos Representantes do Congresso pelo estado de Nova Iorque, acabou por revelar-se uma desilusão para os democratas e para Obama.

 

De acordo com os resultados já conhecidos, Bob Turner, republicano pouco conhecido e homem de negócios de Queens, bateu Weprin nas urnas, galvanizando a liderança a nível nacional do Grand Old Party, que deverá fazer desta vitória mais um motivo de ataque às políticas seguidas por Obama.

 

Os republicanos deverão aproveitar ainda o facto da derrota Weprin ter acontecido num círculo eleitoral tradicionalmente democrata (com um rácio de três democratas para um republicano), que ocupa partes de Brooklyn e de Queens, e que desde os anos 20 nunca deu uma vitória ao GOP.

 

Obama tem muitas razões para estar preocupado, já que Weprin, além de ter partido para a campanha com mais fundos (500 mil) do que o seu adversário (200 mil), contou com o apoio de figuras de relevo do Partido Democrata, tais como o antigo Presidente Bill Clinton.

 

Estas eleições foram convocadas depois de Weiner se ter demitido no âmbito do escândalo em que se envolveu na sequência de mensagens eróticas trocadas no Twitter.