Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Haqqani “network”, uma afiliada dos taliban a operar no sector do terrorismo

 

Sirajuddin Haqqani, em primeiro plano/Foto: Reuters

 

Sirajuddin Haqqani é hoje uma das principais figuras do terrorismo islâmico, ao liderar a ascendente rede Haqqani, uma espécie de afiliada dos taliban a operar no Paquistão e no Afeganistão, supostamente com o apoio camuflado ou, pelo menos, a conivência da agência dos serviços secretos paquistaneses, a ISI.

 

Apoio, esse, que o Governo de Islamabad nega categoricamente, mas que Washington e a CIA crêem ser real. Aliás, ainda há uns dias, o recém retirado Chefe do Estado Maior dos Estados Unidos, o almirante Mike Mullen, classificou a rede Haqqani como um “braço armado” da ISI. Declarações proferidas na sequência do atentado do passado dia 13 de Setembro contra a Embaixada norte-americana em Cabul.

 

As palavras de Mullen foram as mais duras contra Islamabad desde o início da parceria entre os Estados Unidos e o Paquistão na “guerra contra o terrorismo” em 2001.

 

Há muito que as relações diplomáticas entre Washington e Islamabad caíram para níveis mínimos, instalando-se uma desconfiança e um tom de crispação constantes.

 

Como o autor destas linhas escreveu há uns dias, “Islamabad não tem gostado destas acusações e muito menos das incursões da CIA e das forças especiais norte-americanas no seu território, como aconteceu em Maio passado, com a operação levada a cabo pelos “navy seals” numa localidade a poucos quilómetros da capital paquistanesa e que culminou na morte de Osama Bin Laden, perante o desconhecimento total do Governo do Paquistão”.

 

Por outro lado, os responsáveis em Washington olham para a rede Haqqani como uma espécie de sucessora da al Qaeda, tendo em conta a sua eventual actividade terrorista nos últimos tempos.

 

A rede Haqqani, que tem o seu bastião na região tribal do Waziristão Norte, tem uma liderança colegial, composta por sete elementos devidamente identificados por Washington, estando Sirajuddin no topo.

 

Alguns daqueles elementos são familiares directos de Sirajuddin, o qual assumiu a liderança da rede em 2008, fundada pelo seu pai, Jalaluddin, há mais de 30 anos, e que permanece ainda na cúpula da organização. Os Haqqanis pertencem à tribo Zadran, do leste do Afeganistão.

 

 

Uma das particularidades da rede Haqqani em relação a outros grupos islâmicos é o seu cariz familiar e o seu perfil criminoso. São sem dúvida um grupo de ideólogos islâmicos, mas violam ao mesmo tempo os seus preceitos ao entregarem-se a práticas criminosas que podem ir de raptos por dinheiro a tráfico de produtos valiosos, passando por extorsão.

 

À semelhança do que aconteceu com os taliban e com al Qaeda, também os Haqqani foram antigos mujahedin, que lutaram conta a ocupação soviética do Afeganistão durante os anos 80. Deverão contar nas suas fileiras com cerca de 12 a 15 mil homens.

 

Não é por isso de estranhar que, perante a escalada diplomática entre os Estados Unidos e o Paquistão, o Governo de Islamabad acuse Washington de ter criado a rede Haqqani, referindo-se ao apoio militar dado pelos americanos a todos os afegãos que estavam dispostos a pegar em armas contra os soldados do Exército Vermelho.

 

Ainda recentemente, o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, relembrou que a CIA treinou e equipou os “haqqanis” e as “al Qaedas” que se viriam a revelar dramaticamente anos mais tarde.

 

Malik desafiou ainda Washington a provar que a rede Haqqani estaria a operar a partir do Paquistão: “Let us be pragmatic. If you (US) have any information on the Haqqani network’s presence in Pakistan, share it with us and we will cooperate as we have been cooperating in the past.”

 

O problema das palavras de Malik é a sua fragilidade perante a incapacidade real do Paquistão combater e controlar os militantes islâmicos dentro do seu próprio território.

 

Uma situação que ganhou contornos bastante embaraçosos para as autoridades paquistanesas quando, debaixo dos seus próprios olhos, mas sem darem por isso, a CIA e os “navy seals” eliminaram Osama bin Laden, no passado mês de Maio, numa vivenda localizada em Abbottabad, a poucos quilómetros de Islamabad e próxima de uma academia militar de elite.

 

Seja como for, Sirajuddin, numa tentativa de afirmar a independência da sua rede, veio afirmar à BBC News, no início desta semana, que não acata ordens da ISI, revelando, no entanto, que mantém contactos com alguns serviços de “intelligence”, incluindo os paquistaneses.

 

Citada por aquela televisão, uma fonte da “intelligence” afegã não acredita nas palavras de Sirajuddin, dizendo mesmo que aquela rede foi criada pela ISI e que integra nas suas fileiras militantes de um outro grupo terrorista islâmico paquistanês, o Lashkar-e Taiba, que também se suspeita ter ligações ao Governo do Paquistão e que opera, sobretudo, contra os interesses indianos em Caxemira. Segundo a mesma fonte, a rede Haqqani e o grupo Laskhar-e Taiba trocam informação e know-how ao nível táctico e operacional no terreno.

 

Para alguns analistas, as declarações de Sirajuddin funcionam como uma válvula de escape face à pressão que Islamabad está a sentir de Washington.

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:08
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Tal como em Lisboa, também os senhores do FMI andam em Cabul a passar receitas

 

 

A notícia que o Diplomata aqui dá conta passaria despercebida noutro contexto, já que relata apenas mais um caso de corrupção no Afeganistão, reflectindo o autêntico desgoverno que reina no país, estando com enormes dificuldades para erigir um poder central forte. Mas, ao ler os contornos mais detalhados de toda a situação, é com ironia que se estabelece uma "ponte" entre Cabul e Lisboa.

 

Recentemente foi posto a descoberto um escândalo no Kabul Bank, a maior instituição privada financeira do país, que tinha como alguns dos seus principais accionistas altas personalidades políticas afegãs. Veio-se a descobrir que aquela instituição emprestou avultadas quantias de dinheiro aos seus próprios accionistas, a maior parte de um bolo de 579 milhões, naquilo que os analistas classificaram de “bad loans”, começando aqui uma primeira analogia com Lisboa, mais concretamente com o caso do BPN.

 

Perante esta situação, as autoridades governamentais afegãs foram obrigadas a encontrar uma solução, tendo o Banco Central daquele país anunciado esta Quarta-feira em conferência de imprensa que o Kabul Bank vai ser separado em duas instituições: uma para lidar com a parte legítima do negócio e a outra para gerir a crise dos “bad loans”.

 

Agora vem mais um episódio que remete para a triste situação que se vive em Portugal. Com aquela decisão, Cabul espera sossegar os investidores, as entidades financeiras internacionais e os doadores ocidentais.

 

Porém, isso não vai chegar, tendo as medidas anunciadas por Cabul sido recebidas com alguma cautela. Para as instâncias ocidentais, em particular para os doadores, o que a verdadeiramente as sossega é mesmo é a revisão do programa do FMI naquele país. No âmbito deste processo, o FMI já passou algumas receitas.

 

Mas, se para as instâncias financeiras internacionais a presença do FMI em Portugal representa a falência do sistema de gestão das contas públicas, remetendo o país para o “lixo”, já para os doadores internacionais a intromissão do Fundo no Afeganistão é sinónimo de confiança, de que a sua “economy is relatively sound” (citado pelo New York Times para evitar más interpretações).

 

Ora, o Diplomata reconhece com desportivismo que a comparação aqui feita ou, se o leitor preferir, a "ponte" construída não é intelectualmente honesta, porque são óbvios os diferentes estádios de desenvolvimento do sistema económico dos dois países, mas não deixa de ser irónico constatar estas diferentes perspectivas relativamente à intervenção do FMI em diferentes Estados.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 22:44
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Sábado, 16 de Abril de 2011

Ao telefone de Cabul para dizer que a estrada que liga a Jalalabad é "qualquer coisa"

 

Vídeo: A Estrada de Cabul a Jalalabad/NYT

 

Em conversa ao telefone há umas horas, uma amiga do autor destas linhas, que anda por terras afegãs, dizia que a estrada que liga Cabul e Jalalabad é "qualquer coisa"... pela sua imponência e beleza. Ao ver esta reportagem (original) do New York Times percebe-se porquê.  

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:07
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Lições de história que Obama e Cameron devem ter bem presentes

 

 

Estava-se no dia 13 de Novembro de 1986 quando o então Presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, traçou um cenário pessimista relativo à intervenção militar do seu país no Afeganistão. “Estamos a lutar há anos e se não mudarmos de estratégia estaremos aqui mais 20 ou 30”, disse o líder durante uma reunião do Politburo.

 

Corria então o sétimo ano de guerra e os 110 mil soldados soviéticos continuavam sem conseguir derrotar os mujahedin. Oito mil homens do Exército Vermelho já tinham morrido e 50 mil ficado feridos. Do lado afegão os mortos contavam-se às centenas de milhar.

 

Perante este cenário, Gorbachev acrescentou ainda: “Nós não estamos a conseguir aprender a forma de travar a guerra. Nós tínhamos definido um objectivo: promover um regime amistoso no Afeganistão. Mas, agora, temos que acabar com este processo o mais rápido que conseguirmos.”

 

Palavras que, de certa forma, se assemelham àquilo que o Presidente americano Barack Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disseram recentemente sobre o actual conflito no Afeganistão.

 

O Diplomata não gosta de comparações entre diferentes realidades históricas, no entanto, já ilações devem ser tiradas do envolvimento soviético no Afeganistão durante os anos 80.

 

O historiador Victor Sebestyen aconselha mesmo, num artigo de opinião na edição de Novembro da revista Prospect, que os actuais líderes americano e britânico analisem com atenção os mais recentes documentos disponibilizados por Moscovo a investigadores russos e americanos sobre os últimos anos da era soviética e o seu envolvimento no Afeganistão.

 

É certo que os contornos são diferentes e qualquer comparação arrisca-se a ser um exercício desvirtuado. Porém, há algo em comum entre estes dois conflitos no que respeita às motivações e dilemas das lideranças políticas.

 

Então, tal como hoje, Gorbachev era um líder recém-chegado ao poder e herdava nas mãos um conflito prolongado, oneroso e sem fim à vista, tal como aconteceu com Obama e Cameron.

 

Quando em Março de 1985 ocupou o Kremlin, Gorbachev disse de forma convicta que a retirada do Afeganistão seria a sua prioridade. Uma declaração feita numa perspectiva política e dirigida à opinião pública, mas desligada da verdadeira realidade do conflito. Gorbachev rapidamente percebeu que a tarefa a que se propôs era praticamente impossível de concretizar sem que com isso a União Soviética “perdesse a face”.

 

Um dilema com o qual Obama e Cameron se viram confrontados mal chegaram aos seus gabinetes, obrigando-os a refrear os ímpetos de debandada do Afeganistão.

 

A retirada soviética do Afeganistão sem qualquer ganho no terreno teria sempre consequências desastrosas para o império. Quando em Fevereiro de 1989 os últimos soldados soviéticos abandonam o Afeganistão deixavam para trás 15 mil camaradas mortos.

 

Política ou estrategicamente a União Soviética nada ganhara com a intervenção no Afeganistão, tendo pelo contrário, sido humilhada e ferida de morte na projecção da sua imagem enquanto super potência militar.

 

Dois anos depois e algumas revoluções pelo meio dava-se a implosão do império soviético e o desmembramento da URSS. O desastre no Afeganistão não foi a única causa do fim da Guerra Fria, mas foi certamente o catalisador que precipitou a derrocada do Pacto de Varsóvia e da URSS.

   

Publicado por Alexandre Guerra às 07:33
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

New York Times sensibilizado com os graves ferimentos de João Silva

 

João Silva em Bagdad, 2008/Michael Kamber/NYT

 

Além das encorajadoras e elogiosas palavras dirigidas ao fotojornalista João Silva, por parte de Bill Keller, editor executivo do New York Times, o Diplomata recomenda a galeria de fotografias no blogue Lens daquele jornal, dedicada a um dos poucos repórteres de guerra portugueses dignos desse nome. Também o prestigiado jornalista e colunista Nicolas D. Kristof lhe reconhece a coragem e o talento profissional. Entretanto, nunca é demais recordar o trabalho que João Silva tem feito ao longo destes últimos anos em várias zonas de conflito do mundo.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 23:02
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

A primeira telenovela afegã é um palco para as mulheres desafiarem os costumes do País

 

Arzoo a representar um dos papéis principais da telenovela/Lynsey Addario/VII Network/NYT

 

“The Secrets of This House” é a primeira telenovela afegã, produzida pela Tolo TV. Mas é mais do que isso, é aquilo a que o New York Times chama de “female empowerment”. Um palco de afirmação para as mulheres com coragem de representar e desafiar os preconceitos instituídos numa sociedade ultra conservadora.

 

Abada, actriz há três anos, desempenha um pequeno papel nesta telenovela, de uma mulher que regressa dos Estados Unidos e tem que se adaptar à nova vida em Cabul. Por cada episódio ganha 100 dólares, uma boa fonte de rendimento, mas que pode ser efémera, como a própria reconhece ao continuar a dar aulas, atendendo à incerteza do mundo televisivo no Afeganistão.

 

Abada, de 30 anos, teve uma vida sofrida, depois de ter estado 14 anos casada com um homem com o dobro da sua idade, viciado em ópio, que lhe batia constantemente, subjugando-a nos seus direitos, na sua dignidade e na sua intelectualidade. Mãe de sete filhos, aproximou-se perigosamente do precipício, determinada a acabar com a sua própria vida, como contou numa excelente e extensa reportagem publicada na “Magazine” do New York Times.

 

E foi aí que, numa espécie de apelo divino ou de consciência, Abada decidiu dar uma volta na sua vida. A descoberta da representação foi um passo importante para se libertar de um modelo de sociedade altamente castrador, sobretudo para as mulheres.

 

Mas é uma libertação parcial, já que a sociedade acaba por impor à força os preconceitos vigentes, não sendo por isso de estranhar que a ideia do suicídio é algo que vem recorrentemente à mente de Abada. Uma angústia apenas afastada quando pensa nos seus filhos.

 

Seja como for, Abada tem a perfeita noção da ruptura que o seu comportamento representa nos costumes afegãos, e admite que se os talibãs voltassem ao poder a sua cabeça rolaria no dia a seguir.

 

Porém, independentemente do espectro dos talibãs, é inegável que o conservadorismo social mantém-se nas lideranças políticas (nacional, regional e local) do Afeganistão.

 

Saad Mohseni, fundador há três anos da Tolo TV e, por vezes, chamado de “Murdoch de Kabul”, tem sido um dos grandes defensores da introdução de conteúdos e de formatos televisivos mais arrojados no país, tais como as telenovelas indianas.

 

Apesar da sua proximidade ao Presidente Hamid Karzai e dos seus argumentos em defesa da mudança cultural, o Ministério da Cultura e o Conselho Afegão dos Doutos Islâmicos querem banir as telenovelas indianas, por considerarem que existe uma demasiada exposição do corpo das mulheres e uma predominância de ídolos hindus.

 

Perante estes problemas, Mohseni acabou por ter a ideia de produzir uma telenovela afegã, que pudesse contar a história política, económica, cultural e social do Afeganistão através de várias gerações de uma mesma família.

 

“The Secrets of This House” consubstancia esse conceito, sendo a “House” uma metáfora para o próprio Afeganistão. Obviamente que esta telenovela aborda todas as problemáticas actuais, desde a corrupção, o crime, passando pelas condições das mulheres e jovens, até às relações pessoais e amorosas.

 

Um projecto inédito naquele país, ao qual se associaram com grande sacrifício mulheres como Abada, revelando uma mudança de costumes e de mentalidades naquele país, no entanto, são ainda poucos os que vêem em todo este processo uma caminhada sólida e segura.

 

Post publicado originalmente no Albergue Espanhol 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 06:35
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Think tank considera ameaça taliban e da al-Qaeda no Afeganistão sobrevalorizada

 

 

Talibãs no norte do Afeganistão/Ghaith Abdul Ahad/The Guardian

 

O conceituado Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) de Londres revelou esta Terça-feira que a ameaça da al-Qaeda e dos taliban no Afeganistão sobre as forças internacionais no terreno tem sido sobrevalorizada. Uma conclusão interessante agora veiculada por um dos think tanks mais prestigiados em assuntos de segurança.

 

O IISS coloca em causa a doutrina militar em curso que exorta uma maior presença de soldados no Afeganistão. Apesar de considerar que a operação internacional corre um sério risco de falhanço, para aquele think tank o principal problema reside no desajustamento entre os contornos militares e os objectivos a médio e a longo prazo.

 

Para o IISS, a intervenção militar no Afeganistão tornou-se demasiado ambiciosa e gigantesca, desfocando-se dos objectivos iniciais, mais centrados na prevenção de ataques terroristas e assentes numa política mais sensível de contenção e dissuasão.

 

Trata-se sem dúvida de uma análise interessante da actual conjuntura militar no Afeganistão e que tem como objectivo relançar o debate política que possa levar à elaboração de um novo paradigma militar de intervenção naquele país.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 21:00
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Uma das maiores "fugas" de informação da História

 

Já é considerada uma das maiores “fugas” de informação da História. São 90 mil páginas de relatórios “classificados” das forças armadas americanas sobre as acções levadas a cabo na guerra no Afeganistão entre Janeiro de 2004 e Dezembro de 2009.

 

Julian Assange, director do site Wikileaks que avançou com todo o material, disse que todos estes documentos são a “história da guerra [do Afeganistão] desde 2004”.

 

O Pentágono faz outra leitura e classifica esta iniciativa de “irresponsável” e que pode ameaçar a “segurança nacional”, afirmando mesmo tratar-se de um “acto criminoso”. No entanto, vão demorar ainda algumas semanas até se apurar todas as consequências da divulgação desta informação.

 

O Wikileaks disponibilizou ainda este material ao New York Times, ao The Guardian e ao Der Spiegel, que hoje deram destaque ao assunto.

 

O Diplomata voltará a este assunto para analisar algumas das informações agora reveladas.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 21:36
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Mais um ataque de muçulmanos contra muçulmanos no Paquistão

 

 

Comandos paquistaneses tentam controlar uma das duas mesquistas atacadas hoje em Lahore/Arif Ali/Agence France-Press/Getty Images

 

Ataques simultâneos em duas mesquistas na cidade paquistanesa de Lahore provocaram hoje mais de 80 mortos. Aproveitando o dia de descanço muçulmano, vários homens armados lançaram granadas e dispararam tiros sobre as pessoas que se encontravam naqueles recintos para as suas orações.

 

As vítimas destes ataques pertenciam a uma seita minoritária islâmica, os Ahmadis, e terão sido alvo, segundo algumas informações, de uma acção terrorista levada a cabo pelos taliban paquistaneses, também eles muçulmanos.

 

Tal como o Diplomataaqui abordou várias vezes, este ataque é revelador da explosiva situação que se vive no Paquistão. Ali Dayan Hassan, da Human Rights Watch, disse à BBC News que estas pessoas eram "alvos fáceis" para os sunitas radicais taliban, que consideram os Ahmadis uns infiéis.

 

A violência sectária no Paquistão tem sido uma constante nos últimos tempos, sobretudo a partir do momento em que os taliban paquistaneses começaram a ganhar preponderância e autonomia nalgumas regiões tribais e fronteiriças com o Afeganistão. Mas, o problema coloca-se também ao nível do Estado central paquistanês, já que o Exército e outras forças de segurança têm, por vezes, uma posição dúbia em relação aos taliban paquistaneses.

 

Estes ataques já foram condenados pelas autoridades regionais e nacionais, no entanto, desde há muito que Islamabad tem sido acusado por Washington, muitas vezes de forma informal, de não ter uma política coerente no combate ao radicalismo islâmico no país.

  

Publicado por Alexandre Guerra às 18:16
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Domingo, 28 de Março de 2010

Depois da reforma da saúde, Obama mostra que está empenhado na política externa

 

 

Obama cumprimenta o Major Sargento Eric Johnson este Domingo, na base aérea de Bagram/Stephen Crowley/NYT

 

De surpresa e em tempo relâmpago, foi desta forma que o Presidente Barack Obama se deslocou este Domingo ao Afeganistão, pela primeira vez, desde que assumiu o seu cargo há pouco mais de um ano.

 

Embora os contornos desta visita sejam similares aos das deslocações de outros líderes ao Afeganistão e ao Iraque, em termos políticos, o mais importante da viagem de Obama é a mensagem que pretende passar para a comunidade internacional.

 

Depois de longos e duros meses focado na política interna e descurando a cena internacional, chegando mesmo a ser acusado de ter relegado para segundo plano cenários de conflito como o Médio Oriente e o Iraque, Obama vem agora demonstrar que está comprometido com os assuntos internacionais e, em particular, nos palcos onde os Estados Unidos estão directamente envolvidos.

 

Não é por isso de estranhar as palavras que Obama proferiu na base aérea de Bargam, para uma plateia de militares e civis, ao afirmar que “não houve uma outra visita tão importante como esta” que fez ao Afeganistão.

 

Além do mais, nos últimos dias, o Presidente Obama tem estado empenhado em demonstrar todas as suas capacidades políticas, ao ter conseguido aprovar a tão difícil reforma da saúde, ao ter acordado um novo acordo de redução de armas nucleares estratégicas com Moscovo e, agora, ao ter-se deslocado a território afegão.

 

Uma ideia corroborada por Steve Kingstone, o correspondente da BBC News, em Washington, que escreve que a Casa Branca está claramente interessada em provar que o Presidente consegue lidar com mais de um assunto importante ao mesmo tempo.

  

Publicado por Alexandre Guerra às 22:48
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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