Em 2006 registaram-se 149 incidentes ilegais envolvendo materiais físseis
O Diplomata há já algum tempo que queria citar um artigo da revista Bulletin of the Atomic Scientists a propósito do contrabando de material físsil. Os dados são da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), mais concretamente do Ilicit Trafficking Database (ITD), e referem-se a 2006.
No ano passado, registaram-se 149 incidentes de tráfico ilegal e de actividades não autorizadas envolvendo materiais físseis. De acordo com o ITD, desde 1993 que se registaram cerca de 1000 ocorências ilegais, incluindo roubos, desaparecimentos, tentativas de venda de material radioactivo.
Apesar deste cenário muito preocupante, Mathew Bunn, especialista em contrabando nuclear do Belfer Center for Science and International Affairs da Universidade de Harvard, refere que "a maioria dos casos reportados pela base de dados da AIEA" estão relacionados com aquilo a que chama de "crime organizado cómico". Ou seja, não se trata propriamente de redes ligadas a organizações criminosas transnacionais.
Seja como for, os números apresentados pelo ITD não revelam, certamente, todas as actividades ilegais ocorridas em 2006. A própria AIEA admite que tem falta de meios e de informação para asseverar com todo o rigor o que se passa no mercado negro.
Por curiosidade, até ao momento o pior incidente ilegal registado pela AIEA remonta a Março de 1994, quando foram roubados 2,972 quilos de urânio enriquecido de uma instalação nuclear da ex-URSS. Alexandre Guerra