Terça-feira, 9 de Abril de 2013

Tranquilidade moçambicana posta em causa com reavivar de feridas antigas


De Moçambique têm chegado notícias preocupantes, às quais tem sido dada pouca atenção, e que podem representar um reavivamento das feridas da guerra civil que assolou aquele país e que nunca chegaram a cicatrizar. Para já, é apenas uma suposição do Diplomata, mas os acontecimentos dos últimos dias na província de Sofala vão muito além de meros incidentes entre militantes da Renamo e forças do Estado afectas à Frelimo.

 

Aparentemente, o que se tem verificado é uma confrontação entre homens revoltosos contra um determinado "status quo" e representantes do poder instituído que, precisamente, pretendem garantir o actual estado de coisas (seja ele qual for)

 

À primeira vista, as cúpulas políticas da Renamo e da Frelimo estão distanciadas daquilo que tem ocorrido no terreno, ou seja, vários episódios violentos, que já provocaram pelo menos oito mortos na zona de Muxúnguè.

 

As notícias falam num ataque perpetrado na Quinta-feira passada por um grupo de homens armados, alegadamente ex-soldados da Renamo, contra uma esquadra da polícia. Em declarações ao jornal i, o porta-voz da Renamo explicou os contornos da operação, deixando implícito, de certa maneira, o envolvimento daquele partido. 

 

Fernando Mazanga sublinha, no entanto, que aquela operação (infrutífera) foi uma retaliação à detenção de 16 antigos guerrilheiros da Renamo. O porta-voz da Renamo condena o raide da polícia, que teve como alvo antigos combatentes "totalmente desarmados".


Na sequência daqueles acontecimentos, registaram-se novos ataques no Sábado, desta vez contra dois autocarros de passageiros e um camião-cisterna. Ao contrário do assalto à esquadra de Quinta-feira, desta vez Mazanga garantiu ao i que a Renamo não esteve por detrás dos incidentes de Sábado.

 

Mazanga vai mais longe e acusa o Governo de ter criado essa ideia, tendo em conta as autárquicas de Novembro e as legislativas do próximo ano. “O governo da Frelimo não quer a paz, quer esconder a má governação. Dominam a comunicação social local e tudo isto não passa de uma estratégia eleitoralista para passar a imagem da Renamo como o inimigo dos moçambicanos.”

 

A teoria de Mazanga é bastante rebuscada, até porque não é difícil aceitar que ex-militantes da Renamo estejam a actuar de forma mais descontrolada, como se viu na passada Quinta-feira. Por outro lado, não custa a acreditar que a polícia moçambicana esteja a ser condicionada por factores políticos da parte da Frelimo. Aliás, o Presidente Armando Gebuza não hesitou em culpar a Renamo pelos recentes incidentes em Moçambique.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:04
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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