Rei Abdullah
Sem qualquer "Primavera" exuberante, a Arábia Saudita vai muito lentamente, mas de forma mais tranquila, cedendo alguma abertura do regime. Ficou-se a saber este Domingo que Riade vai permitir que atletas femininas sauditas possam participar nos Jogos Olímpicos de Londres, caso tenham os mínimos para se qualificarem.
É a primeira vez na história do país que tal acontece, tendo sido anunciado em comunicado pela Embaixada saudita em Londres.
Diz a BBC News que este anúncio põe fim à especulação que girava em torno da delegação saudita, ameaçada de desqualificação pelo Comité Olímpico sob o argumento de discriminação de género.
Com esta questão arrumada, a Arábia Saudita vai contar, pelo menos, com uma atleta em Londres, a saltadora de obstáculos de cavalos, Dalma Rushdi Malhas.
A decisão do regime saudita é de extrema importância, não apenas pelo seu significado desportivo e social, mas pela sua dimensão política, já que implica um revés às pretensões da ala mais conservadora saudita.
Conservadores, esses, que deverão estar apreensivos com o rumo que o Rei Abdullah tem tomado no que diz respeito ao papel das mulheres na sociedade. Relembre-se que em Setembro do ano passado Abdullah concedeu o direito de voto às mulheres nas eleições municipais e a possibilidade de se candidatarem àquelas. Anunciou ainda que as mulheres podiam ser nomeadas para o Shura Council, o órgão consultivo do Rei.
E no âmbito deste processo reformista (leia-se no contexto saudita), a BBC News revela que nas últimas seis semanas têm decorridos negociações "behind-the-scenes" lideradas pelo próprio Abdullah, das quais resultou um entendimento entre a casa de Saud e os clérigos mais conservadores para permitir que as atletas sauditas participassem nos Jogos Olímpicos.
Apesar do suposto "entendimento", certamente que neste processo "negocial" Abdullah impôs a sua vontade, uma vez que a oposição mais conservadora do regime saudita é totalmente contra as cedências que têm sido promovidas pelo monarca.
