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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

Da República (francesa)

Alexandre Guerra, 06.05.12

 

Jovens na Praça da Bastilha após a vitória de François Hollande/Foto Reuters 

 

Nos últimos anos, talvez perante a preguiça intelectual de muitos analistas, comentadores ou jornalistas, tem sido comum ouvir-se amiúde que os cidadãos estão cada vez mais afastados da Política, apesar desta ideia não corresponder totalmente à realidade.

 

Naquele que é um dos elementos mais representativos da chamada democracia directa, as eleições, é interessante ver que em muitos casos a taxa de participação dos eleitores é bastante elevada. Por exemplo, no caso francês, nas eleições presidenciais, nas quais os eleitores reconhecem o “big moment” para a organização da sua sociedade, assiste-se a um entusiasmo histórico na corrida ao Eliseu.  

 

Na primeira volta das eleições presidenciais francesas há duas semanas, a taxa de participação foi de 80 por cento, bastante elevada. Este Domingo, a afluência terá sido acima dos 80 por cento. Já em 2007, esse valor esteve próximo dos 84 por cento (média das duas voltas).

 

Razões para explicar esta realidade serão várias, mas uma coisa é certa, os franceses parecem ter em consideração alguns ensinamentos antigos.

 

Já dizia Cícero (106 a.C - 43 a.C), em resposta aos epicuristas que repudiavam a Política por considerarem uma ameaça à harmonia da vida dos cidadãos e à tranquilidade da sua alma, que o primeiro dever moral dos homens era a participação na vida política.

 

Cícero, conceituado jurista, advogado, escritor, alto funcionário da República de Roma, reconhecia que a Política tinha grandes custos e implicava muitos sacrifícios e perigos, mas nem por isso os cidadãos deviam deixar de cumprir o seu dever em participar nas decisões que orientavam as suas sociedades.