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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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Tréguas que não devem ser levadas muito a sério

Alexandre Guerra, 17.06.08


Fontes palestinianas anunciaram hoje que Israel e o Hamas celebraram umas tréguas de seis meses, num acordo patrocinado pelo Egipto. Esta notícia já foi confirmada por Mahmoud al-Zahar, o líder do Hamas na Faixa de Gaza, no entanto, para aqueles que conhecem minimamente a realidade daquela região do globo e que têm estado atentos ao processo negocial israelo-palestiniano nos últimos sabem que este acordo não deve ser levado muito a sério.



Ou seja, não se devem criar grandes expectativas sobre esta iniciativa porque, à semelhança de muitas outras, o mais certo é estar condenada ao fracasso. É provável que nos primeiros tempos se assista a uma melhoria na condição de vida dos habitantes da Faixa de Gaza, que desde Junho de 2007 vivem sob a liderança do Hamas e, consequentemente, sob o cerco intenso das forças de segurança israelitas (IDF).



Este acordo está longe de ser a base de algo estrutural que apazigue o conflito israelo-palestiniano, tratando-se antes de mais um arranjo diplomático promovido por "terceiros". O próprio Ehud Barak, ministro da Defesa israelita, e um "falcão" nestas questões, já fez saber que ainda é muito cedo para se anunciar o quer que seja.



Não sendo um político virtuoso, Barak sabe bem do que fala, pois já viu este "filme" repetir-se vezes de mais. Aliás, já esta noite Barak proferiu uma frase reveladora das suas expectativas: "This evening, the possibility of reaching a calm is being examined. It is still early to declare it, and it is difficult to determine how long it will last." Como esta frase revela, no processo negocial israelo-palestiniano o problema não tem sido a inexistência de acordos ou documentos escritos, mas sim a sua concretização no terreno. Alexandre Guerra