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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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O "flip-flop" de John McCain já começou

Alexandre Guerra, 18.06.08




                                                                                Ruth Fremson/The New York Times



O Presidente George W. Bush pediu esta Quarta-feira ao Congresso que revogue a legislação federal que impede a exploração offshore de petróleo em águas territoriais dos Estados Unidos. Apelou ainda àquela câmara que aprove um decreto que permita a disponibilização de uma parte do território do Arctic National Wildlife Refuge, no Alaska, para produção de ouro negro.



Estas medidas, segundo Bush, são necessárias para o bem estar do povo americano tendo em conta a escassez de petróleo e o consequente aumento do preço do barril daquele recurso.



Seja como for, o Diplomata não apresenta aqui este assunto para analisar a política de George W. Bush, até porque aquela já não traz nada de novo, mas sim para explanar as tendências políticas de um dos potenciais Presidentes da América, John McCain.



Porque na verdade o que Bush disse hoje não é mais do que aquilo que McCain proferiu ontem, em Huston, surpreendendo muitos dos seus apoiantes, nomeadamente alguns grupos ambientalistas que viam nele um aliado no campo republicano.



Com esta posição, McCain tomou claramente a decisão de se "colar" ao campo do sector energético, de tal forma que a própria Reuters referia que era o Presidente Bush que apoiava a medida de McCain e não o inverso.     



O problema é que McCain com este anúncio expôs-se politicamente como não tinha ainda acontecido durante esta campanha. Por exemplo, na ressaca do discurso de McCain, o Financial Times trazia hoje na sua versão impressa um artigo bastante negativo para o candidato republicano, relembrando que este tinha sido um dos grandes apoiantes da proibição da exploração offshore, assim como um dos grandes defensores da preservação do Arctic National Wildlife Refuge.

 

Ora, esta nova visão de McCain poderá ser interpretada pelo eleitorado como uma estratégia meramente eleitoralista. Pelos democratas será certamente, como o fez o senador Harry Reid, do estado do Nevada e líder dos democratas no Senado, que acusou McCain de estar a ser cínico ao querer demonstrar aos americanos que tem uma solução para baixar o preço do petróleo. 



Estas acusações podem ter uma base de verdade, porque embora as sondagens mais recentes indiquem que a maioria dos americanos tem mais confiança nos democratas para lidar com as questões ambientais, também é verdade que dois terços dos americanos estão a favor da exploração offshore de petróleo. Como referia a Reuters, "existe aqui terreno para os republicanos explorarem" em termos eleitorais. E é isso mesmo o que McCain está a fazer... Alexandre Guerra