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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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Alan García rejeitava a existência de tribos ancestrais, agora foi confrontado com elas

Alexandre Guerra, 22.06.08



                                                      Survival International/Reuters


Quando há poucas semanas José Carlos Meirelles, especialista da agência federal de protecção aos povos indígenas do Brasil (FUNAI), divulgou fotografias de uma tribo ancestral supostamente desconhecida, localizada algures na floresta da Amazónia, junto da fronteira com o Perú, não estava a dizer toda a verdade. Porque, tal como veio a admitir, aquela tribo já era conhecida desde 1910, tendo Meirelles durante três dias sobrevoado parte da floresta amazónica com o objectivo de encontrá-la e fotografá-la. 



Após inúmeros esforços e quase que por acaso acabou por encontrar a tribo, com o objectivo de provar ao mundo e, em particular, a pessoas como o Presidente do Perú que ainda existem naquela região do planeta pessoas completamente isoladas do mundo moderno. Recentemente, Alan García disse que indígenas isolados eram uma criação da imaginação dos grupos ambientalistas e dos antropólogos.



Perante isto, Meirelles acabou por admitir que o seu gesto teve um cariz político, de modo a sensibilizar os líderes a tomarem medidas para que se protejam estas tribos, sobretudo na região da Amazónia. A decisão do investigador da FUNAI não deixa de ser controversa, já que expôs mediaticamente aquela tribo. Mas, por outro lado, já obrigou o Perú a tomar medidas relativas à região fronteiriça amazónica. 



Actualmente, sabe-se que existem algumas tribos espalhadas pelo mundo que mantêm hábitos quotidianos ancestrais, "desligadas do mundo exterior", no entanto, estão cada vez mais sujeitas a vários tipo de pressões, tais como a exploração petrolífera e imobiliária, a desflorestação ou o turismo. Alexandre Guerra