Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Forças armadas, o último reduto no garante da ordem de uma sociedade

 

 

É uma verdade que até aos dias de hoje a História não contestou: as forças armadas são como uma espécie de último reduto no garante da ordem e da estabilidade de uma sociedade.

 

Quando tudo falha e quando o caos se instala, é a única entidade com capacidade de dar uma resposta pujante, rápida e eficaz. Não apenas em cenários de conflito, mas em todo o tipo de palcos catástrofe (cheias, terramotos, entre outras).

 

Muitas das vezes actuam num primeiro momento, porque só através da sua organização e disciplina é possível assegurar as condições necessárias para que outros actores possam intervir numa fase posterior.

 

A valorização do seu papel nas sociedades pós-Guerra Fria e a elevação do seu moral é, assim, um imperativo dos Governos, não apenas por causa das razões acima enunciadas, mas sobretudo devido a um princípio muito simples: nunca se sabe do dia da amanhã.

 

Há um mês a quem passaria pela cabeça que o primeiro-ministro do Reino Unido, a mais antiga democracia e um dos países mais desenvolvidos do mundo, iria ponderar a possibilidade de recorrer ao Exército para garantir a ordem e a estabilidade da sua sociedade, perante a possibilidade de todas as outras opções falharem.

 

Na governação de um País os seus líderes nunca devem descurar o prestígio e a dignidade das suas Forças Armadas. Com isto não se está, necessariamente, a falar de assuntos como as questões remuneratórias ou a progressão de carreiras. Por vezes, o mais importante está na homenagem e na simbologia dos actos.

 

Nesta matéria, Portugal, com os seus sucessivos Governos desde a Guerra do Ultramar, não tem sido particularmente feliz na demonstração de respeito e na dignificação das suas forças armadas.

 

Já países como os Estados Unidos ou Israel estão no campo oposto, onde as suas sociedades se prestam ao quase culto pela figura do soldado ao serviço da pátria.   

 

Tudo isto vem a propósito (não só) do que se tem lido e ouvido nos meios de comunicação social em Portugal nos últimos dias, no âmbito de algumas matérias como as progressões remuneratórias ou a contratação de pessoal.

 

Na opinião do Diplomata, é demasiado ruído em torno de uma entidade que se quer protegida e se deve proteger.

 

Parte desta missão cabe ao Governo, nomeadamente ao ministro da Defesa. Porém, a julgar pelos sinais dados ontem, por ocasião do Dia da Arma de Infantaria, o Diplomata tem muitas dúvidas quanto à possível mudança de paradigma na forma do Estado e da sociedade se relacionarem com as suas forças armadas.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:42
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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