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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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Na Turquia moderna é a primeira vez que um Governo civil escolhe chefes militares

Alexandre Guerra, 01.08.11

 

Erdogan e o general Ozel, esta Segunda, no Supremo Conselho Militar (YAS)

 

Sinais interessantes, embora potencialmente preocupantes, aqueles que chegam da Turquia, onde pela primeira vez um Governo civil vai nomear os chefes militares.

 

Alguns analistas estão a ver neste gesto uma vitória do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que nos últimos tempos se vinha envolvendo num clima de conflito permanente com a instituição militar, por várias vezes acusada de querer interferir e até mesmo derrubar o actual poder político.

 

Na semana passada, os líderes dos três ramos das forças armadas não aceitaram que alguns oficiais fossem detidos sob a acusação de conspiração contra o Governo e, furiosos, pediram a sua demissão, abrindo, assim, caminho para Erdogan nomear novos chefes militares.

 

Também o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o general Isik Kosaner, juntamente com alguns dos seus comandantes, pediu a sua demissão, apenas poucas horas depois de um tribunal ter acusado 22 generais e outros oficiais de terem encetado uma campanha subversiva na Internet para fragilizar o Governo.

 

Há já algum tempo que o Executivo tem acusado os militares de tentarem interferir no poder político, tendo a relação se deteriorado substancialmente, chegando ao actual momento, em que tudo indica que Erdogan terá conseguido criar as condições para colocar novos líderes militares mais "próximos".

 

Para já, o general Necdet Ozel foi escolhido como o novo Chefe do Estado Maior, devendo ser empossado pelo Presidente Abdullah Gul na Quinta-feira.

 

Entretanto, desde hoje e durante os próximos três dias, Erdogan, juntamente com Ozel, estará a presidir ao encontro anual do Supremo Conselho Militar (YAS), estando em agenda, precisamente, a reformulação da cúpula das forças armadas.

 

A instituição militar tem rejeitado veementemente quaisquer interferências na esfera do poder político, como aliás tem sido a sua tradição desde a fundação do Estado da Turquia.

 

Na verdade, as forças militares têm sido vistas com um garante de estabilidade e de equilíbrio entre a necessidade de progresso e de democratização e a tradição assente sobretudo no islão.

 

Apesar desta evidência, vários têm sido os momentos de conflito, com muitas detenções de militares e vários processos em tribunal. Tem sido assim nos últimos dois anos, provocando um desgaste entre militares e Governo sem paralelo na Turquia moderna.

 

Aliás, são tantos os detidos entre os oficiais de alta patente que se reflecte nas inúmeras ausências no YAS, um encontro que pela primeira vez na sua história não conta com a presença dos chefes dos vários ramos das forças armadas.

 

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