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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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A estranha relação entre bikinis, testes nucleares e a UNESCO. Ou talvez não...

Alexandre Guerra, 05.07.11

 

 

O “bikini”, essa grande invenção da Humanidade, foi apresentado pelo designer francês, Louis Reard, precisamente a 5 de Julho de 1946, perante os olhares de espanto quando Micheline Bernadini, uma rapariga parisiense, surgiu numa piscina em Paris, ostentando apenas duas peças de indumentária sobre o seu corpo.

 

Por esta altura, já estará o leitor a questionar-se a que propósito se fala de “bikinis” aqui neste espaço. O Diplomata admite tratar-se de uma história já em registo de silly season, mas vem agora a parte mais séria.

 

 

Sem qualquer ideia para o nome que atribuiria a tamanha criação, Reard baptizou espontaneamente aquela invenção de  “bikini”, inspirando-se nas notícias da altura sobre o Atol Bikini, um pequeno pedaço de território no meio do Pacífico que faz parte das Ilhas Marshall.

 

E perguntará a leitor a que propósito o Atol Bikini teria honras mediáticas? A resposta é simples.

 

Numa altura em que a Guerra Fria começava a “aquecer”, os Estados Unidos iniciaram em 1946 uma série de testes nucleares em Bikini, começando com a Operation Crossroads, duas explosões conduzidas na atmosfera a baixa altitude, sendo a primeira realizada a 1 de Julho daquele ano, poucos dias antes da apresentação do "bikini" de Reard.

 

Os testes prolongar-se-iam até 1958, perfazendo um total de 23, sendo que em 1954 os Estados Unidos levariam a cabo a operação Castle Bravo, a primeira detonação de uma bomba termonuclear, na altura a mais potente de sempre com 15 megatoneladas.

 

O Atol Bikini foi classificado em Agosto do ano passado Património Mundial, tendo a UNESCO destacado, além das suas belezas naturais, a importância que os seus locais de testes nucleares tiveram na formação de uma consciência colectiva do drama daquela tecnologia na segunda metade do século XX. 

 

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