Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Tribos sudanesas lutam por região com petróleo provocando 20 mortos em dois dias

 

 

Quando no início do ano, os sudaneses do Sul manifestaram em referendo a vontade de se separarem do Norte do país, maioritariamente muçulmano, o Diplomata não partilhou o entusiasmo da população, alertando na altura para a possibilidade de se estar perante uma guerra civil iminente.

 

Apesar de o Presidente Omar al-Bashir ter dito que respeitaria o resultado do referendo, fosse ele qual fosse, a CNN relembrava que na longa tradição africana de conflitos internos, o resultado do referendo ou instituía o mais recente Estado da comunidade internacional ou acabava em guerra civil. Atendendo ao historial do Sudão e ao comportamento da sua cúpula político-militar nos últimos anos, o Diplomata só podia concordar com aquela observação.

 

Além do mais, o passado sangrento e violento de al-Bashir, seja em relação às populações do Sul, maioritariamente cristãs e animistas, ou da região de Darfur, perspectivava tudo menos um desfecho pacífico e tranquilo daquela consulta popular.

 

Outro factor desestabilizador impossível de ignorar prendia-se com as reservas de petróleo que estão no Sul, cerca de 80 por cento do total do Sudão.

 

Ora, nos últimos dois dias já morreram pelo menos 20 pessoas na sequência de confrontos na região fronteiriça de Abyei, entre o Sul e o Norte do país. Abyei é rica em petróleo e não realizou o referendo do passado mês, um acto que será efectivado, mas ainda sem data marcada.

 

Os confrontos opuseram milícias da tribo nómada árabe Misseriya e membros da tribo Dinka Ngok. Os primeiros, identificados com o Norte muçulmano, consideram que Abyei deve ficar naquela parte do país, enquanto os Dinka Ngok acham que aquela região deve integrar a nova nação do Sul.

 

Abyei tem vivido momentos de grande tensão, tendo a missão das Nações Unidas, UNMIS, reforçado o seu contingente naquela região.

 

Relembre-se que a consulta popular realizada no início do ano resulta de um longo processo político e militar, que culminou nos acordos de paz de 2005, colocando o fim a duas décadas de conflito, e definiram várias linhas orientadoras estratégicas sobre o futuro do país, nomeadamente, partilha de governo, distribuição de receitas petrolíferas e o estabelecimento de um referendo sobre a autodeterminação do Sul do Sudão. 

 

É importante sublinhar que o Sudão, o maior país africano, tem profundas divisões entre o Norte, maioritariamente muçulmano e próximo da cúpula política, e o Sul, cristão e animista e rico em petróleo, o terceiro produtor da África subsariana. 

 

Estas clivagens traduziram-se em violência ao longo das últimas duas décadas e discriminação, na maior parte dos casos imposta pelo regime de Cartum, resultando na morte de 1,5 milhão de pessoas, em muitos dos casos devido a fome e a doença.

 

A realidade do Sudão vista pela BBC NEWS

 

Map showing infant Mortality in Sudan, source: Sudan household health survey 2006

The health inequalities in Sudan are illustrated by infant mortality rates. In Southern Sudan, one in 10 children die before their first birthday. Whereas in the more developed northern states, such as Gezira and White Nile, half of those children would be expected to survive.

 

Map showing percentage of households using improved water and sanitation in Sudan, source: Sudan household health survey 2006

The gulf in water resources between north and south is stark. In Khartoum, River Nile, and Gezira states, two-thirds of people have access to piped drinking water and pit latrines. In the south, boreholes and unprotected wells are the main drinking sources. More than 80% of southerners have no toilet facilities whatsoever.

 

Map showing percentage of who complete primary school education in Sudan, source: Sudan household health survey 2006

Throughout Sudan, access to primary school education is strongly linked to household earnings. In the poorest parts of the south, less than 1% of children finish primary school. Whereas in the wealthier north, up to 50% of children complete primary level education.

 

Map showing percentage of households with poor food consumption in Sudan, source: Sudan household health survey 2006

Conflict and poverty are the main causes of food insecurity in Sudan. The residents of war-affected Darfur and Southern Sudan are still greatly dependent on food aid. Far more than in northern states, which tend to be wealthier, more urbanised and less reliant on agriculture.

 

Map showing position of oilfileds in Sudan, source: Drilling info international

Sudan exports billions of dollars of oil per year. Southern states produce more than 80% of it, but receive only 50% of the revenue, exacerbating tensions with the north. The oil-rich border region of Abyei is to hold a separate vote on whether to join the north or the south.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 23:13
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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