Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

A história não se repete, mas…

Alexandre Guerra, 09.01.11

 

Ao caracterizar o impacto da “abundância de crédito por endividamento e a “promoção de trabalhos públicos de infraestruturas” na segunda metade do século XIX em Portugal, Jaime Nogueira Pinto escreve no seu mais recente livro, Nobre Povo – Os Anos da República, que o País estava em “riscos de bancarrota”.

 

“A dívida pública aproximava-se dos seiscentos mil contos, o deficit orçamental rondava os quinze mil e a balança comercial tinha um saldo negativo de vinte e três mil. Os mercados de Londres e Paris fechavam-se a novos empréstimos e o Banco Lusitano e o Banco do Povo iam à falência. Até companhias de referência, como os Caminhos de Ferro portugueses e o Montepio Geral, apresentavam sérias dificuldades financeiras.”

 

A esta conjuntura juntou-se o tristemente célebre Ultimatum britânico de 1890 que veio fragilizar, ainda mais, a credibilidade do País na comunidade internacional. E nem mesmo o “drástico programa de reformas [financeiras]” de Oliveira Martins, que contemplava, entre outras coisas, a redução dos vencimentos dos funcionários públicos e o aumento das contribuições fiscais, ajudou a melhorar a imagem de Portugal no estrangeiro. “Os titulares estrangeiros da dívida portuguesa pediram garantias de controlo directo de algumas receitas”, escreve Jaime Nogueira Pinto.

 

Uma leitura histórica interesse relativa a um período que jamais se voltou a repetir, mas que não deixa de ter semelhanças com a difícil situação que Portugal vive nos dias de hoje.