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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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As "jugoslávias" de Emir Kusturica são sempre uma "loucura"

Alexandre Guerra, 05.12.10

 

 

A história da Jugoslávia ou, melhor dizendo, das “jugoslávias” é fascinante. E talvez, por isso, essa mesma história tenha sido marcada por tantos dramas, por tantas fracturas políticas e familiares, causando tristezas e mesmo a morte de muita gente, numa região que se assemelha a uma manta de retalhos étnica.

 

Ao mesmo tempo as “jugoslávias” foram igualmente tendo os seus momentos de glória e de afirmação na arena internacional. Os seus povos tiveram direito ao regozijo e à alegria da modernidade e da união.

 

Esta confluência de estados de espírito pressupõe uma certa dose de alucinação e de delírio, mas com a qual os povos balcânicos parecem ter convivido bastante bem ao longo da sua história moderna.  

 

O cineasta sérvio Emir Kusturica tem sido uma das poucas pessoas que tem conseguido captar tão bem esta forma de estar nos Balcãs. Ao ver este fim-de-semana “O pai foi em viagem de negócios”, um dos seus mais emblemáticos filmes, descobre-se uma Jugoslávia do pós-II GM, logo no início dos anos 50, a tentar edificar o seu próprio regime socialista fora da orla de influência de Moscovo.

 

Com uma típica família de Sarajevo no centro do enredo, Kusturica coloca todos os ingredientes que caracterizam a “loucura” dos Balcãs, aliás directamente referida numa das cenas do filme, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1985.

 

Um filme muito interessante e que despertou no Diplomata um ainda maior interesse pela história daquela região, porque como o próprio Kusturica diz, nasceu num país “onde a esperança, o riso e a alegria de viver são mais fortes que noutro sítio qualquer. O mal também. Ou se é criminoso ou vítima”.