Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

O ciberespaço é o novo domínio da doutrina militar dos Estados Unidos (1)

 

 

Navy Cyber Defense Operations Command/Base Little Creek-Fort Story/Foto Mass Communication Specialist 2nd Class Joshua J. Wahl/DOD  

 

As massivas fugas de informação levadas a cabo pelo Wikileaks nos últimos meses – primeiro com milhares de relatórios sobre o conflito no Afeganistão e agora com mais de 251 mil documentos abrangendo toda a diplomacia americana – colocam imensos desafios à administração do Presidente Barack Obama, relativamente à protecção de documentação sensível, confidencial e secreta dos Estados Unidos. Além disso, demonstram que as medidas adoptadas até agora no campo do ciberespaço não foram suficientes para garantir a segurança dos canais de comunicação internos.

 

É inegável que as várias administrações americanas após o 11 de Setembro de 2001 encetaram esforços para dotar as diferentes estruturas militares e civis de mecanismos e capacidade para actuar no ciberespaço, quer ofensiva, quer defensivamente.

 

Note-se que os mais de 251 mil documentos aos quais o Wikileaks teve acesso, assim como todas as comunicações sensíveis globais realizadas ao abrigo do Estado americano, são normalmente feitas através da sua rede militar internacional de acesso restrito, chamada de Secret Internet Protocol Router Network (SIPRNet), gerida pelo Departamento de Defesa e separada da rede civil de Internet.

 

Na última década, as embaixadas e as missões americanas têm-se vindo a ligar ao SIPRNet. Por exemplo, em 2002 eram 125 que estavam integradas na rede, sendo que em 2005 o número já ascendia a 180. Hoje, praticamente todas as representações oficiais do Governo americano no estrangeiro estão ligadas pelo SIPRNet.

 

O processo de comunicação é relativamente simples, já que a partir do momento em que determinado responsável numa embaixada ou consulado tipifica determinado relatório ou memorando como sensível, classificado ou secreto este é automaticamente canalizado para a SIPRNet, não se usando assim a rede civil de Internet que qualquer cidadão ou empresa pode utilizar.

 

Esta rede restrita pode ser acedida por alguém no Departamento de Estado ou nas estruturas militares que utilize um terminal ligado ao SIPRNet, tenha autorização de nível “secreto” e conheça a palavra passe. Em teoria estes critérios parecem ser suficientes para tornar, efectivamente, o SIPRNet uma rede segura e de acesso muito restrito.

 

Mas quando se fala de restrito está-se na verdade a falar de um universo de 3 milhões potenciais utilizadores da rede. Universo, esse, onde estava incluído o principal suspeito de ter fornecido os documentos ao Wikileaks.

 

Dos mais de 251 mil documentos, pouco mais de 15 mil estavam classificados como “secretos”, quase 98 mil como “classificados” e os restantes eram documento “desclassificados”.

 

Convém, no entanto, referir que os documentos classificados de “Top Secret” não podem ser acedidos através SIPRNet. E provavelmente por esse facto não tenham chegado ao domínio público documentos secretos das categorias máximas: NODIS (acesso exclusivo pelo Presidente, secretário de Estado e chefe de missão), ROGER, EXDIS e DOCKLAMP (mensagens secretas entre conselheiros de defesa e do serviço de “intelligence” de Defesa).

 

Publicado por Alexandre Guerra às 07:05
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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