Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

O plano que Ian Fleming revelou a JFK para derrubar Fidel Castro*

 

Ian Fleming

 

Como pretexto para rever o fabuloso filme From Russia With Love (1963), considerado por muitos como a mais fascinante aventura de James Bond ao serviço de Sua Majestade, o autor destas linhas viu um documentário no qual ficou a saber que o romance homónimo de Ian Fleming de 1957, e que inspirou o segundo filme da saga 007, estava na lista dos dez livros favoritos do falecido Presidente John F. Kennedy. 

 

Um artigo publicado na revista Life de 17 de Março de 1961 fazia esta revelação, o que fez aumentar significativamente as vendas daquele livro, antevendo o sucesso estrondoso que o filme viria a ter dois anos mais tarde.

 

No Ian Fleming and James Bond: The Cultural Politics of 007, um conjunto de ensaios publicados em 2005 pela Indiana University Press, percebem-se as razões que despertaram o interesse de JFK pelo livro From Russia With Love. De acordo com o professor universitário Skip Willman, que assina o capítulo The Kennedys, Fleming and Cuba, tanto John como o seu irmão Robert "partilhavam um fascínio especial por operações secretas e histórias de espiões".   

 

Um interesse cultivado desde a sua infância, mas reforçado com as obras de Fleming. Para John era particularmente interessante observar a linha que separava a vida real de Ian e o mundo de fantasia que recriava nos seus livros. O falecido Presidente reconhecia-lhe uma inteligência e imaginação fora do comum.

 

JFK, na altura senador do Massachusetts, chegou a conhecer Fleming pessoalmente num jantar dado na sua casa de Georgetown a 13 de Março de 1960, um encontro possível através de uma amiga comum.

 

Conta Skip Willman que a noite foi memorável e que JKF terá desafiado Fleming a imaginar formas para derrubar Fidel Castro, na altura praticamente um recém-chegado ao poder.

 

Respondendo ao repto de John, Fleming disse que recorreria à lógico do "ridículo" para forçar Castro a abandonar o poder. Partindo do pressuposto que os cubanos só se interessavam por dinheiro, religião e sexo, Ian lançaria sobre Cuba notas falsas de dólares para desestabilizar a moeda cubana e panfletos a dizer que o seu líder era impotente, como forma de o fragilizar junto dos seus concidadãos.

 

Apesar de existirem outras versões quanto aos contornos deste jantar, o facto é que John Bross, responsável da CIA que estava presente naquela noite, terá levado aquilo a sério e informado o próprio director da Agência, Alan Dulles, sobre o conteúdo das propostas de Fleming. 

 

Mas, como mais tarde se veio a saber, as ideias de Fleming não seriam assim tão disparatadas à luz daquilo que a CIA já andava a orquestrar para tentar derrubar Castro. Jogos psicológicos, complots e planos mirabolantes, já faziam parte do cardápio da CIA.

 

No dia seguinte ao jantar, foi o próprio Dulles que tentou contactar Fleming para um encontro, mas este já tinha deixado Georgetown em direcção a Washington. A partir daí, toda a política externa americana em relação a Cuba é do conhecimento da História, não havendo registo de qualquer missão bem sucedida. 

 

Quem sabe, se o encontro entre Dulles e Fleming tivesse acontecido, a CIA, com uma ajudinha do MI6, tivesse tido êxito no derrube de Fidel Castro nos anos 60.

 

*Post publicado originalmente no Delito de Opinião na sequência de um amável convite do Pedro Correia

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:49
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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